A ideia de Revolução em Jogos Vorazes: tem, mas acabou

CONTÉM SPOILERS, claro.

the-hunger-games-catching-fireResolvi ler os livros da série Jogos Vorazes por conta da surpresa provocada pelo segundo filme, Catching Fire (Jogos Vorazes – Em Chamas). Assisti o primeiro muito despretensiosamente e curti, mas terminei o segundo de queixo caído, por causa da sequência final que revela que uma revolução contra o sistema instituído estava em curso. Aí eu falei: “PÉRA, esse filme que a juventude tá toda curtindo e lendo os livros fala sobre revolução? A revolução tá mainstream em Hollywood?? MAS GENT” e fui ler a saga, curiosa.

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A memória da minha avó e os grossos lençóis da ditadura militar.

Hoje é aniversário de um golpe. Um acontecimento que freou um processo de ampliação da democracia no nosso país (a despeito do que alguns dizem). É difícil não pensar “Como seria se…?”.

Hoje tomei café da manhã com minha avó. Comentei algo sobre a exposição sobre os 50 anos do golpe que está rolando no CCBB-RJ e ela disse, como quem busca a resposta para uma pergunta, que gostaria de ir. Respondi que, pra ela, seria difícil; é muito tempo em pé (ela tem 84 anos e alguns problemas de saúde característicos da velhice que a impedem de fazer certas coisas). Ela lamentou, e se pôs a contar uma história.

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Gramsci, Portelli e Criolo: uma anedota sobre intelectuais e pobreza

Dois italianos entraram num bar. O mais velho tinha passado onze anos encarcerado a mando do governo fascista de Mussolini (e por isso mesmo era muito merecedor de uma cervejinha no bar hipotético das anedotas) e o mais jovem tentava convencer o pessoal em volta da mesa, a despeito das risadas, de que era possível, sim, trabalhar com história oral e ser marxista ao mesmo tempo. Enquanto o velhinho preocupava-se em tomar sua cerveja, o que falava aos demais resolveu contar sobre uma viagem que havia feito para os Estados Unidos, mais precisamente para Harlan County, no Kentucky. Em Harlan, ele havia se deparado com gente muito pobre que nunca tinha pensando em si como pobre, até que um dia os especialistas do governo vieram lhes dizer que eles faziam parte de um preocupante bolsão de pobreza que precisava ser erradicado. E ser pobre no país mais rico do mundo, na terra dos self made men, significa que você é pobre por apenas um motivo: incompetência sua. E mais: se toda a sua família é pobre, se os seus vizinhos são pobres, seus amigos são pobres… it must be something in the water, deveria ter alguma coisa nesse condado Harlan que fazia de quem nasceu ali um problema social. Diante dessa percepção, o pessoal de Harlan, muito injuriado com a mídia, com o governo e com os intelectuais de plantão que insistiam em denunciar sua pobreza, precisava mostrar que não tinha nada de errado com o lugar, afinal, tinha gente rica em Harlan, sim! “Aquele moço ali, naquela casa bonita, é proprietário dessa terra em que eu planto! Ele é de Harlan, como eu, e é rico”. E foi essa a bela contribuição dos especialistas que apontavam o dedo para a pobreza de Harlan: fazer com que os trabalhadores de lá encontrassem na própria elite que os explorava seu argumento-chave, seu motivo de orgulho. Não é preciso dizer que a elite local se amarrou. Mas não pensem, com isso, que os trabalhadores de Harlan eram todos passivos, tolos, manipuláveis; eles se organizaram coletivamente na luta pela sua sobrevivência e contra os abusos das empresas mineradoras locais que destruíram sua autossuficiência em termos de produção para consumo próprio. Porque, ao contrário do que os dedos dos especialistas apontavam, não tinha nada inato no povo de Harlan que os fazia naturalmente pobres. A culpa, como sempre, é do sistema.

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II Encontro Nacional das Blogueiras Feministas e uma revolução para dançar

“Se não posso dançar, não é minha revolução”

(Emma Goldman)

No último fim de semana rolou o II Encontro Nacional das Blogueiras Feministas, dessa vez sediado em Brasília, no  Balaio Café, da querida Jul Pagul. Dessa vez, infelizmente, o número de pessoas que conseguiu participar foi menor que o do ano passado, apesar do grande aumento na quantidade de participantes na lista. Mas no fim das contas, isso possibilitou que a gente conversasse bastante entre si, aprofundasse mais as relações e tivesse mais espaço pra falar e ouvir. Como quero fazer um relato meio relatoria, pra informar a galera do grupo que não pôde estar presente no Encontro de como foi, o texto vai ficar longp (mesmo assim, constarão aqui apenas algumas questões que me chamaram mais atenção e que eu anotei no caderninho, vai ficar faltando um monte de coisa). Daí vou dividi-lo em itens pra quem estiver preguiçoso de ler tudo ir logo pro ponto que o interesse mais.

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Eleições Rio 2012: Apenas começamos.

Não fomos derrotados.

É verdade que teríamos comemorado uma ida para o segundo turno como uma vitória de campeonato (quem não gosta de esportes me perdoe, mas é a única analogia que consigo fazer), e nos abraçaríamos e choraríamos gargalhando, e nos molharíamos se caísse uma chuva do céu, como no grande comício da Lapa, e bradaríamos que nada, nada é impossível de mudar.

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Meninos, eu vi.

Eu hesitei bastante quanto a assistir ao show do Criolo ontem, na Fundição Progresso, e acabei comprando ingressos já num lote mais caro, depois de ouvir o Nó na Orelha com cuidado e perceber que valia muito trocar outras programações pra ver, ao vivo, qual era a desse cara afinal. E fui muito bem recompensada pela decisão positiva.

A noite começou bem com B-Negão e os seletores de frequência, enquanto ouvia-se o rumor de que o show do Emicida, que rolou na mesma noite na casa de show ao lado, o Circo Voador, só começaria por volta das 3h da manhã, quando o Criolo acabasse a apresentação. Fraternidade do hip hop em tempos de competição de egos no showbizz.

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Encontro Nacional das Blogueiras Feministas e o otimismo na mala.

Mudei o layout, geeente! Brigada, Nessa Guedes, por me dar a dica simples, mas preciosa dos menus! =) Agora é vermelhou o curral, chalalalaláááá

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Como eu espero que alguns de vocês saibam, nesse fim de semana aconteceu no Instituto Rosa Luxembourg, em Pinheiros, São Paulo, o I Encontro Nacional das Blogueiras Feministas. O grupo, que nasceu como uma lista de e-mails para reunir o que pareciam ser as poucas feministas presentes na blogosfera, se desenvolveu e se afirmou, no encontro, como um coletivo político suprapartidário (mas de esquerda, tá? não sou eu quem fala, é a Simone de Beauvoir quem diz!) super plural e promissor.

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