Por que mulheres negras não vencem o The Voice US?

Ellen Oléria.

Ellen Oléria.

Eu me amarro em reality shows, mas os realities de música são, de longe, meus favoritos. Acompanhei avidamente todas as temporadas de Fama e as primeiras de American Idol, entre outros. Mas foi The Voice que realmente me fisgou. Entre outros motivos, porque o formato era muito mais respeitoso com os/as artistas participantes, sem aquelas edições com o propósito de tirar um sarro da cara de pessoas que tivessem um desempenho ruim ou que fossem consideradas “estranhas”, como era muito comum no American Idol, por exemplo.

[O The Voice Brasil, que nunca posso renegar por ter me apresentado a DIVA MÁXIMA Ellen Oléria, não acompanho por motivos de: Carlinhos Brown. Why so insuportável?]

Continuar lendo

Gal

Nos últimos tempos eu consegui ver ao vivo alguns ídolos hors-concours, aqueles muito mais que ídolos, que estão numa categoria à parte: Paul McCartney, Chico Buarque, Caetano Veloso, Alanis Morissette. Mas ontem… ontem eu vi a maior. Aquela cuja voz encarna a essência do que me emociona na música cantada.

Foi Gal Costa que me ensinou a cantar. A brincar com o poder que tem o timbre agudo, que é leve e afiado ao mesmo tempo. No começo da adolescência, tratei de ouvir com mais atenção os discos da Gal que minha mãe tinha em casa. E foi amor sem volta, não apenas à Gal, mas ao canto, o instrumento portátil que se carrega no corpo e que se pode usar o tempo inteiro, na hora do banho, caminhando na rua, junto com amigos, num palco. A Gal era a diva que eu sonhava intimamente ser, como uma criança que sonha ser astronauta. Ontem eu vi e ouvi, com meus próprios olhos, ouvidos e coração aberto e machucado, a diva astronauta.

Continuar lendo

Thank you, disillusionment.

Hoje alguns amigos perguntaram: “E aí, como foi o show da Alanis?” e a minha resposta, pra dar a dimensão do que eu senti pras pessoas, foi: “você pode imaginar como é assistir a um show do seu ídolo”. Alanis Morissette é a única artista que eu tenho essa relação meio adolescente de fã com ídolo. Não num jeito meninas que gostam de Justin Bieber ou como eu colocando posters das Spice Girls na parede quando era mais novinha, mas uma relação de intimidade, de se sentir totalmente lido e revelado pela letra de uma música. No estilo Killing me softly, “telling my hole life with his words”, sabem? É isso.

Continuar lendo

Meninos, eu vi.

Eu hesitei bastante quanto a assistir ao show do Criolo ontem, na Fundição Progresso, e acabei comprando ingressos já num lote mais caro, depois de ouvir o Nó na Orelha com cuidado e perceber que valia muito trocar outras programações pra ver, ao vivo, qual era a desse cara afinal. E fui muito bem recompensada pela decisão positiva.

A noite começou bem com B-Negão e os seletores de frequência, enquanto ouvia-se o rumor de que o show do Emicida, que rolou na mesma noite na casa de show ao lado, o Circo Voador, só começaria por volta das 3h da manhã, quando o Criolo acabasse a apresentação. Fraternidade do hip hop em tempos de competição de egos no showbizz.

Continuar lendo

O amor no tempo da madureza

Ontem fui ao show do Chico Buarque aqui no Rio, um dos muitos que ele tá fazendo nessa turnê do novo álbum, “Chico”, de 2011. Durante o show, me peguei agradecendo a deus pela existência da Thais Gulin, sua nova namorada e musa inspiradora óbvia das últimas composições. Cheguei a comentar com minha mãe – chiquete apaixonada desde novinha – que esse álbum seria um dos melhores que ele já fez, do que ela discordou, lembrando de todas as coisas tão mais geniais que ele já compôs na vida. Talvez ela tenha razão, mas o fato é que esse álbum tem uma doçura que o distingue como conjunto do resto da obra do Chico. Não só porque é um disco de um homem apaixonado, mas porque é um disco de velhinho. Chico está com 67 anos, Thais tem 31. Esse texto não pretende fazer uma análise do álbum, coisa que o meu amigo Ivan Martins já fez muito bem aqui. Eu quero falar sobre outra coisa: sobre amor. E sobre velhinhos.

Continuar lendo

10 anos sem Cássia Eller

Faz muito tempo que eu tenho vontade de escrever um texto sobre Cássia Eller. E hoje, quando me dei conta de que fazem 10 anos da morte dela, me veio tanta coisa na cabeça que a vontade emergiu com força suficiente pra transformar-se em um post. Cássia foi, pra mim, a grande perda artística da minha geração. Também tivemos a perda dos Mamonas Assassinas, que pra muitos pode ter sido mais significativa – pra mim também é bastante – , mas eu particularmente sinto um aperto muito grande no peito ao pensar em Cássia Eller.

Minha educação musical em casa se deu por duas frentes: minha mãe, com a MPB, e meu tio, com o rock ‘n roll. Cássia figurava nas coleções de discos dos dois. Meus pais se separaram quando eu ainda era bem pequena, e uma memória muito viva que tenho é de brincar com minhas bonecas enquanto minha mãe ouvia comigo seus discos de MPB. Leila Pinheiro, Marisa Monte, Ney Matogrosso, Chico, Caetano… e, é claro, Cássia. Eu, com meus 7 anos, sabia todas as letras de cor. É engraçado me imaginar com essa idade cantando distraída “Quem sabe ainda sou uma garotinha” enquanto arrumava minhas Barbies.

Continuar lendo

Lalalaiá… laiá!

Há um antigo provérbio chinês que assim professa: “Tédio? Lista é remédio“. Na verdade eu tenho um montão de coisa pra fazer, mas ói eu aqui de novo trazendo uma lista musical com 10 itens pra vocês! Isso se tornará um hábito? Se tornará uma categoria no Ou Barbárie? Só o futuro dirá. O fato é que hoje é o dia nacional do samba (e também aniversário do meu querido Colégio Pedro II, onde todo mundo é bamba) e eu resolvi montar uma lista com 10 sambas que contenham um dos maiores pilares constitutivos do nosso querido samba: o “laiá” (não confundir com “iaiá”, outro elemento fundamental). Ao que você pode retrucar: “Pô, TODOS os sambas, né, minha filha?”, mas eu selecionei aqui algumas canções cujo laiá tenha sido marcante e que… ah, que eu tenha conseguido lembrar (depois de pedir ajuda dos universitários, João Pedro e Larissa). Laiá laiá…

Continuar lendo