Gal

Nos últimos tempos eu consegui ver ao vivo alguns ídolos hors-concours, aqueles muito mais que ídolos, que estão numa categoria à parte: Paul McCartney, Chico Buarque, Caetano Veloso, Alanis Morissette. Mas ontem… ontem eu vi a maior. Aquela cuja voz encarna a essência do que me emociona na música cantada.

Foi Gal Costa que me ensinou a cantar. A brincar com o poder que tem o timbre agudo, que é leve e afiado ao mesmo tempo. No começo da adolescência, tratei de ouvir com mais atenção os discos da Gal que minha mãe tinha em casa. E foi amor sem volta, não apenas à Gal, mas ao canto, o instrumento portátil que se carrega no corpo e que se pode usar o tempo inteiro, na hora do banho, caminhando na rua, junto com amigos, num palco. A Gal era a diva que eu sonhava intimamente ser, como uma criança que sonha ser astronauta. Ontem eu vi e ouvi, com meus próprios olhos, ouvidos e coração aberto e machucado, a diva astronauta.

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Beasts of the Southern Wild

Eu uso muito hipérboles. “É o melhor do mundo”, “trezentos e cinquenta mil vezes”, essas coisas. E daí? Daí que acabei de assistir Beasts of the Southern Wild e existe uma suspeita fortíssima de que foi esse o melhor filme que já assisti na minha vida. Brabo falar isso, né? Soa tão definitivo. Mas ao mesmo tempo ele foi tão diferente de todas as outras coisas cinematográficas com as quais eu teria que comparar pra hierarquizar que… É, é isso. É que Beasts of the Southern Wild não parece cinema. Parece literatura. Um realismo fantástico que, se torcer o roteiro, vai pingar poesia.

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