Dia dos professores.

Dia dos professores. Um dia para lembrarmos de todos os mestres que marcaram nossas vidas, aqueles que realmente fizeram a diferença na nossa formação. Pessoas incríveis, maravilhosas, questionadoras, pessoas que nos fazem refletir criticamente sobre coisas que jamais tínhamos pensado. Hoje é dia de agradecer, abraçar e prestar homenagens a esses professores, e também a categoria de professor, em geral. Afinal, a educação é talvez a coisa mais fundamental da nossa sociedade. É a educação que forma as gerações futuras, é através dela que se engendra a possibilidade de um futuro melhor do que esse presente que, convenhamos, não está nada bacana.

Dia do professor. Todo mundo concorda que a educação é a coisa mais importante do mundo. E o professor aparece como o grande protagonista nessa história. Você é professor? Parabéns. Parabéns pelos serviços fundamentais prestados à sociedade.

Ih… Peraí. Não entendi. Como é que pode ser consenso que a educação é a coisa mais importante, mais maravilhosa, mais fundamental dentre todas as coisas e, ao mesmo tempo, a educação ser tratada assim? Não entendi. Vai ver que o professor tem que ser um mártir. Professor tem que ser super-herói, afinal é ele que vai resgatar a nossa sociedade do caos com os super poderes da educação. E pra acrescentar ainda mais honra a essa equação, ele é um super herói marginalizado! Ele salva a vida e o mundo sem nenhum reconhecimento (além dos parabéns no dia 15 e das declarações no horário político de como educação é tudo), ganhando um salário irrisório, sem condições dignas de trabalho, sem infra-estrutura… E, é claro, sem respeito aos seus direitos políticos e – pasmem! – aos seus direitos humanos. Professor que quer condição digna de trabalho é agraciado com bomba de efeito moral. Professor que quer uma educação pública de qualidade e que, por isso, se nega a permitir a mercantilização da educação, é recompensado com perseguição política, violência psicológica e, se tiver sorte, violência física também.



Então, parabéns. Parabéns pra você que é professor e que luta. E não, professor não é pra ser mártir, não é pra ser super-herói, não é pra sacrificar sua vida em prol do Bem Maior. Professor é pra educar. E, numa sociedade em que a sua profissão representa uma ameaça direta ao sistema – e é por isso que eu a escolhi -, professor é pra lutar. Sim, porque ou você luta por mudanças, por condições dignas de trabalho e de vida, por uma educação que cumpra de fato seu papel social (e isso só é possível se ela for pública e de qualidade, na minha humilde opinião), ou você que muda de profissão. Ou ainda adota uma terceira via: se resignar, se amargurar com a sala de aula e se tornar essa sombra triste que tantos professores promissores acabaram condenados a ser.

E pra você que não é professor, fica o convite à reflexão e também – e principalmente – a ação. Professores sozinhos não fazem verão. A luta e a pressão tem que vir de toda a sociedade. Mas isso deveria ser fácil, se é consenso que a educação é a coisa mais importante do universo né? Deveria…

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