Masculino versus Feminino: psicanálise, senso comum ou fluidez?

Arrasei no título do post, né, gente? É o academicismo tomando conta do meu ser… Também, já estraguei todo ele no comecinho do texto… Mas vamos lá. A Ludmila me recomendou essa palestra da psicanalista Maria Rita Kehl (aquela que foi demitida por ter uma opinião desviante do Estadão, lembram?) sobre os padrões de feminilidade e masculinidade, como ela mesmo chama, e sua relação com a violência doméstica, e mais um monte de coisas. A palestra tem em torno de duas horas, e embora seja super interessante, eu não consegui assistir tudo prestando toda a atenção necessária. De qualquer forma, a quase uma hora que assisti me suscitou algumas questões que sempre me perturbam o juízo, mas que  ainda não tinha sistematizado. Como fazer um texto discutindo a palestra em si seria uma parada muito longa e complicada que eu não tenho arcabouço teórico nem poder de síntese suficiente pra fazer aqui, vamos simplificar.

Esse é o "Tickle me Freud"! HAHAHA

Quando eu começo a ouvir um psicanalista falando de masculino e feminino, já começo a me coçar toda. Não se enganem, eu me amarro em psicanálise, minha melhor amiga é super freudiana e lacaniana e adoramos conversar sobre o assunto (leia-se eu pergunto e ela me ensina). Ela até me ensinou a não ser muito fã das outras linhas da psicologia e validar mesmo o trabalho da clínica psicanalítica, hehe. Então eu tenho pensado sobre Freud e psicanálise desde as aulas de filosofia do colégio até hoje, mas sempre como uma leiga intrometida e perguntadeira.

Mas então, por que minhas expressões faciais automaticamente viram caretas com as noções de homem e mulher da psicanálise? Por causa das estruturas – que a Maria Rita chama de lei de Freud, atentem. Como não quero nem sei explicar psicanálise pra ninguém, vamos dizer que, grosso modo, segundo essa perspectiva, homens teriam uma determinada estrutura psíquica e mulheres outra, admitindo-se ocasionalmente uma tendência de alguns homens pra estrutura da mulher e vice-versa. Mas, no fim das contas, dentro da neurose, mulheres são histéricas e homens, obsessivos. Acertei, Larissa?

Eu nunca consegui com isso. Sempre faço mil argumentações e a Larissa, mil relativizações, mas no fim das contas, homem é de um jeito PORQUE é homem e mulher é de outro PORQUE é mulher. Um tem pênis, outra tem vagina, e isso determina seu ser social e psíquico. Ora, eu não posso concordar, por questão de princípio, que qualquer característica psíquica, comportamental ou social seja determinada por uma condição biológica. Sou muito ciências sociais pra isso, muito feminista, muito anti-racista pra isso. Nenhuma explicação biologizante pra fenômenos sociais me convence. Quando se trata disso, sou só pós-modernidade, se vocês quiserem chamar assim.

Agora é a hora que todos os psicanalistas falam: “Aaai, que buuuurra, dá zero pra ela!”, mas, na boa, quem tiver uma explicação que me convença ou simplesmente esclareça minhas burrices, tô aceitando de bom grado.

A careta que eu faço quando isso acontece é muito similar à que me acomete quando eu ouço as frases “Hunf… Homens!”, “Mas mulher é assim mesmo…” e todas as variáveis dessas. Tipo, TODOS os meus amigos mais lindos, inteligentes, esclarecidos, marxistas, capitalistas, alienados… adoram mandar isso nas conversas. E toda vez eu tenho que fazer a pausa dramática e chata do “peraí, homens não são obrigatoriamente de um jeito e mulheres de outro”, o que é uma coisa mais ou menos óbvia pra mim. E não é que eu sempre encontro resistência? Acho que ainda não consegui convercer realmente ninguém de que as pessoas são pessoas, tem vivências singulares e não é a genitália delas que determina o comportamento diante das situações. Devo ser uma péssima feminista, tenho que rever meus métodos. Parece que essa é uma distinção básica muito importante pras pessoas, categorias sem as quais elas não conseguem entender o mundo. E isso é um problema muito sério, porque é dessa diferenciação radical entre o que pertence ao masculino e o que pertence ao feminino, esses dois grandes conjuntos que dividem a humanidade, que decorrem um mooonte de problemas e violências, tanto pra mulheres e homens (biologicamente falando). Até mesmo as discussões sobre homossexualidade, feitas da perspectiva anti-homofóbica, muitas vezes ficam presas a esse dualismo – ou você é hétero ou é gay, ou gosta de homem ou de mulher, tem que escolher pra poder assumir. E se as coisas forem mais fluidas?

Não pensem que essa minha perspectiva é consensual dentro do feminismo ou dos estudos de gênero. Esses daí tão sempre pipocando de opiniões e abordagens analíticas diferentes. Mas, cara, pra mim é isso aí: as pessoas fazem sua história, a existência delas é o que determina sua consciência, e não o corpo. Eu só quero o poder de me conceber como plural, como possibilidade. Por que insistirmos nós mesmos em amarras?

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22 respostas em “Masculino versus Feminino: psicanálise, senso comum ou fluidez?

  1. Estou chocado com esse texto! Quer dizer que ainda existe gente inteligente, esclarecida, marxista blablabla que diz que há uma determinação biológica pra fenômenos sociais???
    Eu sinceramente não sei se a questão de gênero tem ou não algum fundo biológico ou se é total ou majoritariamente social (ainda que eu tenda a aceitar a última opção), mas não consigo acreditar que exista gente esclarecida que manda “os homens/mulheres são assim”!
    E se você for chamada de pós-moderna por dizer que fenômenos sociais não podem ser explicados biológicamente, eu acho que deve ter algo errado aí, porque eu poderia facilmente te chamar de materialista histórica (que parece que é o que você gosta) pelo mesmo motivo.

  2. Bárbara, no final do post lembrei disso: “Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem como querem, não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”.

    Acho que você está pesando a mão em um indeterminismo desmedido, uma forma de voluntarismo que é muito difícil de ser sustentado. É óbvio que o sexo não determina “a consciência” de forma completa, mas ignorar que é um elemento importante nas construções de identidades de gênero me parece uma proposição com alguns problemas.

    Os homens (e as mulheres!) são homens históricos, determinados pela estrutura social contemporânea, mas essa determinação social também envolve a consideração dos elementos biológicos, inclusive na e para sua transformação.

    Em resposta à questão que encerra o texto, eu avançaria outra: compreender as nossas inelimináveis amarras não é o primeiro passo para sua transformação?

  3. Paulo, eu peso a mão no “voluntarismo” porque preciso desesperadamente me opor a existência de dois grandes conjuntos, intitulados ‘homem’ e ‘mulher’, cheios de características comportamentais e psíquicas pré-determinadas. No senso comum, ‘mulher’ = invejosa, fofoqueira, sensível, carente, etc. e ‘homem’ = desprendido emocionalmente, imaturo, canalha, etc. É claro que o sexo é um elemento fundamental na construção das identidades de gênero, é a partir dele que esses conjuntos são pensados. Não estou dizendo que isso não acontece, que na verdade nós somos totalmente livres disso e que só nos falta perceber essa liberdade. Como você mesmo formulou brilhantemente, é preciso compreender as amarras pra transformar a sociedade. A minha experiência diz que esse dualismo é uma amarra que existe, que influencia fundamentalmente, e que por isso mesmo tem que ser reconhecida como tal e então questionada. Tem que existir uma margem de escolha, de potência… eu não admito que esteja presa a um conjunto de característica pré-estabelecidas (e interditada do outro) pelo fato de ser biologicamente uma mulher.

  4. Discordo do Paulo porque suspeito que a psicanálise não tenha uma determinação biológica assim como a Bárbara apresentou. Quando vi umas apresentações, da Kehl inclusive, de Complexo de Édipo, por exemplo, dá pra perceber que o fato concreto da dominação masculina influi na coisa. Se a criança percebe ( e isso é algo que se dá no tempo) o pai como fonte de gozo da mãe – acho que isso é o que se chama “primado fálico” – vê-se que as leituras dos gêneros, e que vão construir as subjetividades, não estão inscritas nos genes. E essa posição do pai não é só pelo sexual, mas fundamentalmente também por questões plenamente sociais: a autoridade que ele mostrará sobre a mãe, pelo fato de se apresentar como provedor das coisas na casa, mais sabedor das coisas da vida, etc (e tudo isso é uma forma de pênis). Não é da própria genitália, então, que advirá a aversão à feminilidade, etc.
    Eu já vi acusações de limitações no pensamento do Freud, como alguns inatismos sexuais e de outro tipo. Mas acho notável, por exemplo, que psicanalistas discutam se o Complexo de Édipo hoje em dia ainda é organizador da psique.
    Enfim, mas pra ver isso melhor tem que esperar alguém que estuda essa bagaça aparecer aqui no blog.

  5. Eu tenho um puta conceito prévio da psicanálise (pra não usar preconceito) e já confessei que não vou estudar essa parada mesmo! Então fico só de crítico aleatório, mas como funciona esse negócio de a criança perceber o pai como provedor quando ele não é? Esse negócio de complexo de Édipo como categoria (?) psicanalítica nunca me desceu! Acho essas homegenizações psicológicas muito problemáticas. É claro que existem determinações sociais na esfera psicológica (muito mais do que decisões individuais), mas essa coisa “naturalizante” (igual em todas as sociedades) sempre me pareceu estranha.

  6. Olha, Eu concordo com o Wesley no tocante a posição da psicanálise. Não acredito que exista uma determinação biológica que defina nossas ações sociais. Claro que não estudo psicanálise e posso estar falando besteira sobre o assunto. óbvio. No entanto, você está certa em questionar isso, pois se algum cientista social seja no campo da História, Sociologia, Antropologia etc afirmar que o fato de você possuir um pênis determina diretamente suas ações sociais, ele mente.

    No entanto, eu acredito que se olharmos dentro de uma noção de corporeidade (como para Csordas) que entende que a percepção e prática do eu (self) se articula com a objetivação social do corpo ( sujeito) no âmbito social podemos entender como em uma construção social a parte biológica foi usada para legitimar certas noções identitárias e ligadas a divisão primária de funções em diferentes sociedades.
    Sendo então o corpo em contexto com o mundo apresentando-se como principio gerador e unificador de todas as práticas de maneira que suas dualidades são postas em pensamento unificado na prática da corporeidade, podemos entender que o corpo é uma forma de interação e afirmação de praticas sociais apenas, mas não determinante e nem geradora das mesmas.
    Acredito que em um debate sobre gênero essas questões relativas a dualidade do discurso e das afirmações sociais deva ter um peso maior que o aspecto biológico, obviamente. Até porque a relação dual entre sujeito-objeto e estrutura-prática pode ter implicações bem mais transformadoras, pois sinceramente eu acredito que o corpo deva ser entendido como objeto perceptível e moldável as condições biológico-sociológicas, pressupondo uma ideia unificada de corpo pronta para a aplicação de valorações identitárias oriundas da ação social.
    Mas enfim, acerca da psicanálise, nada posso afirmar. Esperemos alguém estude isso para nos trollar e nos dar uma luz sobre isso. hehehehe

  7. Acho que o problema do Édipo, Fábio, é que ele ao responder a esfinge já nos mostra que o que existe é a humanidade e suas limitações unificadas. hehehehehehehe Mas enfim, o pessoal resolveu se apegar demais na parte de que em toda tragédia grega uma mulher tem de morrer de forma trágica o que é de fato, trágico hehehehehehehehehe (ai Bárbara faz um post sobre isso ai hehehe).

  8. Nossa, Erick, nunca consigo entender o que você escreve. Parece o Ivan falando. Hahahahaha

    Na real, eu não tenho arcabouço teórico pra questionar a psicanálise e nem tenho essa pretensão. O que eu quero problematizar de fato é a dualidade estrutural do ser baseada em ter pênis ou não (aí a implicação da psicanálise).

  9. Entendo sua implicância com a dualidade estrutural. O que quero dizer é que dentro da noção de corporeidade essa dualidade não é definidora e determinante, pois o corpo seria principio gerador e unificador de todas as práticas. Principalmente na dualidade sujeito-objeto e estrutura-prática. O que não poderia ser sistematizado entre homem e mulher, pois estes são apenas fatores que entendidos como objetos de percepção e de flexibilização das próprias condições biológico sociais apresentadas dentro da sociedade. Mas enfim, acho que apenas repeti a ideia do meu último comentário, né? =/ Isso pede uma mesa de bar, acho.

  10. Que maneiro que o texto tal Kehl trouxe essa discussão. Bom, eu também não sou a sacadora de psicanálise mas tenho lido, principalmente a partir da Kehl. A tese de doutorado dela, chamada deslocamento de feminino traz exatamente essa discussão quando pensa a relação entre a mulher e os discursos acerca da feminilidade. Isso quer dizer que a Kehl vê a feminilidade atravessada historicamente, e ela diz ser pressuposto fundamental para uma ética da psicanálise. Discutindo a separação entre linguagem e língua de Saussure, ela escreveria:
    “A inscrição dos sujeitos, homens ou mulheres, no discurso do Outro, não é rigidamente fixada. Ela passa por modificações ao longo da História que, se não alteram a estrutura da linguagem, alteram certamente o uso da língua, e com isso, os lugares que a cultura confere ao sujeito. Que as mulheres, por exemplo, ocupem o lugar de inocência ou de pecado, da castração ou da onipotência, da sexualidade desenfreada e ameaçadora que deve ser submetida aos freios do pudor e da castidade, depende, em última instância, das práticas falantes. Estas se modificam sutil e lentamente em função dos deslocamentos sofridos pelos agentes sociais ao longo da história – deslocamentos de classe, de gênero, de inserção junto ao poder etc- os quais, estes sim, escapam ao controle das vontades individuais.”
    A grande questão da Kehl é sim a de que o significante fálico (que significa o desejo materno), recalcado, é o espaço onde se organizam as representações do inconsciente. Portanto, se o inconsciente tem representações, inserem-se historicamente. Por isso, Fábio,eu acho que a psicanálise não trata de um modelo geral de todas as sociedades, mas pressupõe as representações do inconsciente inserida na formação da família burguesa, principalmente a partir do século XIX. Portanto, discutimos a psicanálise ainda hoje porque a estrutura familiar do século XIX ajuda, (ainda) bastante no entendimento da nossa formação social. É claro, sem esquecer que como qualquer área do conhecimento, a psicanálise se modifica. Segundo a Kehl, não existe um espaço do inconsciente que está pra fora da linguagem. E isso não quer dizer que o inconsciente, sendo pura pulsão, não sofra determinantes que constituem o desejo. Ainda, que seja ele também, que ao furar “a linguagem” transforme a própria linguagem numa nova prática não enquadrada na tipificação do feminino.
    A sexualidade, então, se inscreve no discurso da cultura. Portanto, a inveja do falo (a criança, a partir da posse,entende que o homem tem algo a mais que ela não tem, (e isso não é uma justificativa legitima, até porque os estudos sobre anatomia não diriam simplesmente que a mulher não tem algo que o homem tem), sente a perda de algo. Ela diria que não se pode ignorar os modos de inscrição do Outro que é algo ou alguém que na esfera social se relaciona. Portanto, não ignora o “discurso da cultura a que pertence.”
    “A primeira dessas inscrições, que nos é dada assim que nascemos, é a marca da diferenciação sexual. A primeira definição de uma criança, dada mesmo antes que o feto complete a sua evolução. Significantes que indicam não apenas uma diferença anatômica, mas a pertinência a um de dois grupos identitários carregados de significações imaginárias.”
    Para a Kehl, este trama simbólico alista o sujeito, de forma mais ou menos rígida, dependendo da maior rigidez deste símbolo em cada sociedade. No entanto, (aí, acho que a kehl responde um pouco das questões da Bárbara), A trama simbólica é sempre furada, por conta do furo que cada sujeito faz nela.
    Para ela, esse “manual de instrução” não dá conta do destino da pulsão, claro, sempre pensando o sujeito moderno (é sempre dele que a psicanálise parte).
    “Não dá conta da tarefa de tornar-se homem ou mulher, tornar-se sujeito do próprio desejo em oposição à alienação inicial a um discurso de autoridade, que deve, ao longo de uma análise, ser destituído de uma posição de verdade: todo enunciado autoridade não tem ali mais garantia do que a sua própria enunciação; não é possível buscar essa garantia em outro significante. Este é o sentido do enunciado básico do desamparo humano – Não existe o Outro do Outro.”
    E pra terminar, a Kehl pressupõe que a ética da psicanálise exige pensar que a divisão em gêneros são construções datadas e mutáveis. Não são conceitos transcendentais, mas contingências.
    Segundo, Kehl, Freud erra na frase: Como tornar-se uma mulher? No entanto, a reposta a esta pergunta gera um pressuposto, bastante difundido no pensamento do século XIX, de que “A mulher precede a existência particular de cada uma das mulheres.” As mulheres que procuram Freud vivem em tempo que a produção científica e filosófica tem como uma das tarefas desvendar A mulher. Embora, todos (homens e mulheres) se diferenciem e portanto, se comportem de forma diferente na materialização da noção de masculino e feminino, vemos muito pouca questão acerca daquilo que identifica o homem ao masculino.
    Pra Kehl, pensar em uma leitura pós-freudiana da feminilidade é pensar os diversos deslocamentos dessa noção. O pertinente seria não saber o que é ser mulher? Mas, “o que um sujeito pode se tornar, sendo (também) mulher?”

    Enfim, tá enorme, é que eu tô fresquinha com o livro,rs.

  11. Não vou ler o debate todo que se formou aqui, nem o lá no face. Fato é que seu texto me diz muito – e é sempre muito bem escrito. Uma frase q eu ouvi na minha aula de didática especial um dia desses tem me valido pra muita coisa nos últimos tempos (eu adoro uma frase feita pra me aguarrar): “O problema de quando você desconstrói alguma coisa, é que precisa construir outra no lugar”. Para mim é muito isso. É claro na minha cabeça – e é vontade minha que seja na dos outros tb – que a condição biológica não determina as pessoas. Mas como eu explico o fato de ser uma dessas suas amigas que usa esse tipo de argumento em conversas? Acho que isso está introjetado na gente de uma maneira muito forte e precisa ser um esforço diário para dizer para si mesmo e para as outras pessoas que não pode, que não tem como um dado biológico determinar quem as pessoas são, que os dados biológicos é que são produzidos por determinadas condições culturais e sociais. Mas tem que fazer. E admiro muito a maneira como vc faz – ouso dizer tb q vc é um ótima feminista. Eu sei q vc escreve pouco para provocar esse suspiro totalmente anti-banalizante toda vez que você resolve. Obrigada. Um beijo

  12. Que legal, Bárbara! Tou estudando Freud esse período (acho que te falei) e tive a mesma reação. Lia “a feminilidade normal” e ficava “O quê? Como assim??”. E também achei tudo muito determinado. Mas resolvi fazer o que alguns professores me indicam: ter compaixão ao texto. Então, antes de fechar o livro nos momentos que meu alerta feminista tocava, eu tentava entender o que aquilo me propunha. Acho que isso é muito importante pra poder compreender essas teorias sem preconceitos (ou o mínimo possível) e depois as criticar. Bem, eu ainda não entendo, rs, mas tou bem disposta e instigada pela coisa.
    Acho que é importante nós, feministas, pensarmos a questão do corpo. E ler Freud me fez pensar muito nisso e perceber coisas que são novas para mim. Claro que não dá pra concordar com tudo, acho que o ponto nem é esse… Sei lá, Freud é estranho, como o Cláudio disse, quem é de esquerda vai o achar conservador e quem é de direita vai o achar um baderneiro, rs. De qualquer forma, acho que é um pensador importante de ser estudado e muito legal também (os textos são tranquilos, gostosos de ler).
    Bora criar um grupo de estudos de gênero na psicanálise?

  13. Concordo com o que você diz, embora não totalmente.
    Acredito que existem certas características que podem ser acentuadas em homens e mulheres devido ao fato de serem homens ou mulheres.
    A questão é quão importante são essas diferenças (biológicas) para a formação do indivíduo social.

    Não podemos fechar os olhos para os hormônios femininos e masculinos (que influem no comportamento, embora não sejam ditadores do mesmo), não podemos esquecer que o cérebro feminino e masculino não são idênticos.

    Em suma, não creio que a diferença entre homem e mulher se resuma em pênis e vagina.

    Mas de forma geral, tendo a acreditar que os aspectos biológicos não explicam os comportamentos, apenas influenciam.

  14. Pingback: Dia do Orgulho LGBT « …ou barbárie.

  15. .. homem não é tudo igual nem mulher é tudo igual, as “culturas” se encarregam das mudanças, mas… as mulheres são maravilhosas… meu avô costumava brincar (quando minha avó dizia que um homem era bonito) que galã de novela é muito bonito para ser homem… haha

    .. perguntei para um indio lá pras bandas do Pará se tinha viado na aldeia ele falou tem sim eu perguntei e ai? ele disse a gente enraba… da proxima vez vou perguntar se tem lesbica…

    … la em parintis as transexuais que trafegam pela cidade a vontade sofrem preconceito sim mas muito muito menos que em sp e rio e belo horizonte ou qualquer cidade grande. motivo: não sei…

    … os aspectos biologicos influenciam sim, desde sempre, as amazonas não tinham um seio pois precisavam manejar o arco… (papo machista não acha??)….

    … generalizando: se vc tem um utero e pode gerar uma criança isso faz uma diferença danada… ou não???? agora tem mulher que não tá nem ai para o utero…

    …generalizando: se vc tem um pau e pode engravidar muitas mulheres em 9 meses isso faz uma diferença danada. ou não???? agora tem homem que não ta nem ai para o pau… (transexuais??)

    … preconceitos e estereotipos não são bem vindos – se bem que para muitos e dificil determinar seus preconceitos e tal… – mas que fatores biologicos influenciam não há duvidas assim como culturais…

    .. a dobradinha naturezaxcultura é bem criativa…

    fui.

  16. .. o corpo é determinante sim, o genero é construido a partir do corpo e modificado no tempo… sera???

    … mude o corpo (uma glandula, um dedo opositor, uma cicatriz, uma “beleza bem simetrica”, uma deficiencia… etc…) e a “cabeça” muda tbm… e consequentemente o entorno… entreviste pessoas que perderam a mobilidade… etc etc etc…

    … seu corpo é vc mas vc não é seu corpo embora vc derive de seu corpo… vc esta contida no seu corpo ou seu corpo esta contido em vc???…

  17. Pingback: Consciência Negra « …ou barbárie.

  18. Olá,
    passeando pela net, acabei por aqui e cheguei a este texto. Vou me aventurar a fazer algumas observações.

    Certamente existe uma leitura biologizante de Freud e de sua psicanálise, e ela é majoritária dentre os psicanalistas, boa parte deles sem ter a mínima noção disso: um dos motivos seria justamente a gravíssima falha de articular os textos psicanalíticos com as ciências sociais, filosofia, história das religiões, teoria da arte, literatura em geral. Ou seja, o que não falta por aí é psicanalista alienado.

    Mas Freud pode ser lido de maneira muito diversa. E um dos pontos de partida de uma outra leitura é perceber que ele não deu conta de tudo. Freud é, em vários momentos, um questionador profundo do biologismo e da normalidade, e esses momentos muitas vezes são omitidos e desconsiderados (questão de recorte) ou até mesmo deturpados (questão de sabotagem, vide a terrível tradução brasileira).

    Se Freud não dá conta de tudo, isso quer dizer que na sua obra há muita coisa a se desdobrar, e sempre haverá (salvo se o sofrimento humano terminar, o que não me parece muito perto). Em relação à biologia, Freud não assume uma postura infantil de jogá-la no lixo, inclusive toma empréstimos dela para construir alguns pensamentos, e isso não significa uma postura biologizante. É claro que de vez em quando ele dá algumas escorregadas biológicas (ninguém é perfeito, né?), mas ao mesmo tempo ele traz o germe de alguns questionamentos radicais que hoje, cem anos depois, podemos fazer de uma forma mais articulada.

    Nessa questão da diferença sexual principalmente. No terceiro dos 3 Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade (texto polêmico que precisa ser lido com muito cuidado), ele fala lindamente, numa grande nota de rodapé, sobre masculino e feminino, numa posição que, ao meu ver, diferencia muito bem a psicanálise da biologização e promove uma ponte com as ciências sociais (a sociologia, no caso). Se interessar, posso digitá-la aqui, mas posso adiantar dois detalhes fundamentais: 1 – o texto é de 1905 e a nota foi acrescentada em 1915, ou seja, é preciso levar em conta o Zeitgeist, ninguém ainda queimava sutiã nas ruas nessa época! 2 – o terceiro dos 3 Ensaios, não à toa, é um dos mais omitidos dentre os psicanalistas.

    No mais, já estou me estendendo muito, mas comento duas frases tuas: “não é a genitália delas que determina o comportamento diante das situações” e “as pessoas fazem sua história, a existência delas é o que determina sua consciência, e não o corpo”. Acho que você tem alguma razão no que tá dizendo, mas sinto falta de uma boa dose de dialética: a história produz os corpos e seus componentes, e são esses mesmos corpos, com suas características, que fazem história. É claro que não é a genitália x ou y (ou z e por aí vai) que determina um comportamento, mas pode ser que a genitália ou outras partes do corpo sim designem (parcialmente) um destino de determinada quantia de energia psíquica, de energia vital proveniente da própria relação dos nossos corpos com esse negócio chamado mundo…

    Bjs.

  19. Ops, errata importante: “um dos motivos seria justamente a gravíssima falha de NÃO articular os textos psicanalíticos com as ciências sociais, filosofia, história das religiões, teoria da arte, literatura em geral”.

  20. Sensato discurso, indicativosmusicais.

    A teoria de Freud é vasta, complexa e comporta diferentes leituras.

    O próprio Freud a todo instante modificava suas ideias. Por isso, há tantas notas de rodapé em seus textos… Se isso, por um lado, coloca todo estudante de psicanálise em pânico, por outro, é o símbolo máximo de que a psicanálise não estará nunca pronta… Mesmo porque não se deve resumir a só estudar Freud.

    Lacan, por exemplo, é um teórico importantíssimo que renovou princípios freudianos, acrescentou conceitos à luz da linguística saussuriana, reformulou aspectos teórico-técnicos da clínica e discutiu a ética psicanalista. Na psicanálise brasileira, Lacan é o segundo grande paradigma. Mas, claro, estuda-se muito Klein, Anna Freud, Winnicott, Spitz, Bion, Ferenczi e mesmo Jung (que acabou constituindo um sistema teórico diverso da psicanálise)…

    No final, as discussões que são alimentadas pelas heterogêneas leituras psicanalíticas nunca terminam e creio ser este o ponto em que a psicanálise se aproxima mais da filosofia, por exemplo…

  21. bárbara, gostei muito da sua linguagem, o cabeçalho do txt tem a palavra tem fluidez e você adota uma fluência no teu verbo q é bem gostosa, tipo “mas, na boa…”. cocnordei perfeitamente com teu parecer d q “.. pessoas são pessoas, tem vivências singulares e não é a genitália delas que determina o comportamento diante das situações..”, o lance é acreditar no q a gente acha mesmo q o mundo diga “não”.

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