Saia curta x Chocolate: Foucault explica.

Como é que o poder responde? Através de uma exploração econômica (e talvez ideológica) da erotização, desde os produtos para bronzear até os filmes pornográficos… Como resposta à revolta do corpo [na década de 60], encontramos um novo investimento que não tem mais a forma de controle-repressão, mas de controle-estimulação: “Fique nu… mas seja magro, bonito, bronzeado!”

(Michel Foucault, em Poder-Corpo, capítulo do livro Microfísica do Poder)

Brinquei com alguns amigos sobre o fato de que a loucura na Uniban aumentou um pouco a audiência deste humilde blog, e de fato essa história me rendeu discussões acalouradas com as pessoas mais diversas. Principalmente depois do depoimento da Geysi no Fantástico, domingo passado, dizendo que ela também tinha uma parcela de culpa nessa história toda. Engraçado é que eu não sei se ela de fato acha isso ou se foi aconselhada pelo advogado a dizê-lo publicamente. Aliás, se a segunda opção for a certa, pode ter sido uma ótima jogada da parte dele, porque se havia ainda alguma indefinição na opinião pública em relação ao caso, estava justamente aí. “Apesar dos agressores serem uns trogloditas, a garota não tinha nada que ter andado vestida daquele jeito por aí, né!”

Minha mãe lançou um argumento que me deixou meio engasgada, até eu pensar numa resposta inteligente (a vantagem de ter mãe advogada é que você treina cotidianamente seu poder argumentativo. A desvatagem é que, ao longo da sua vida, a sua mãe ganha a maioria esmagadora das disputas). Eu dizia que não se pode cercear o comportamento de uma pessoa, seus gestos, olhares ou a maneira como se vestem, que isso era absurdo e que todo mundo deveria ser livre pra ser do jeito que bem entender. Ela concordou comigo, sempre ironicamente, e rebateu dizendo que ela tinha toda a liberdade de andar sozinha no aterro do Flamengo à noite (situação obviamente perigosa, pra quem não é do Rio), mas que se ela for assaltada lá, certamente as pessoas se perguntariam por que diabos a mulher louca estava andando sozinha no aterro a uma hora daquelas. É claro que o argumento foi exagerado, mas aparentemente coerente. Eu sabia que estava errado, mas tinha sido encurralada pela minha habilidosa mãe.Acontece que entre o episódio da Uniban e o exemplo do aterro existe uma diferença crucial: não existe nenhum tipo de pressão social pra que a minha mãe vá caminhar sozinha no aterro de madrugada (a não ser em uma situação hipotética de que uma seita de que ela fizesse parte dissesse que ela precisava ir lá fazer uma oferenda aos deuses ou algo do tipo).

Tudo se tornou muito mais esclarecedor depois que eu li o pequeno capítulo do Foucault, de onde tirei a citação que abriu o post. Ele conseguiu, ainda nos anos 70, enxergar uma tendência que hoje tem se tornado extrema. Há algum tempo atrás, predominava sobre os corpos o que ele chama de poder disciplinar. É ele que a gente observa em instituições como a escola, projetada pra disciplinarização dos aluninhos, que devem ficar sentados naquelas carteiras que cerceiam a mobilidade durante horas, ouvindo, levantando a mão caso queira falar, etc. Pois bem, esse poder, ainda presente com força, está em crise. Porque percebeu-se que existe um outro muito mais eficaz: o estímulo!

É perfeito para a sociedade capitalista: nossos corpos são hiperestimulados o tempo todo, de todas as maneiras, dos modos mais contraditórios. Vejamos como:spacer

bons

Eu ia dizer: “Olha esses bombons”, mas isso seria redundante. Lindos, não? Fiquei até deprimida procurando uma foto sedutora de chocolate no Corbis; não tem nada gostoso pra comer aqui em casa e só o mercado aqui perto sabe o quanto eu sou suscetível a chocolate. Não bastasse chocolate ser delicioso, os publicitários e artistas gráficos ainda abusam do poder dele. Essa foto aí, por exemplo, é do banco de dados do Windows, e tem direitos reservados. Isso tudo pra me dar fome. E eu te garanto que se não fosse 1 hora da manhã, eu ia dar um jeito de comer chocolate ainda hoje. Mas isso não é surpreendente.

womens

Pra minha sorte, a Women’s Health está tendo uma enquete sobre a capa preferida do público. Vejam bem, não peguei nem uma VIP ou Playboy da vida. Fui na Women’s Health, que faz esse estilo revista-que-fala-de-saúde-e-não-de-futilidades, o que é uma bela inverdade, como já falei do seu par, Men’s Health, uma vez.

É um exemplo óbvio. Quero chocolate. Não quero ser gorda. Quero sentir gostinho bom. Quero ter uma barriguinha tranquilex, se não não pego mais ninguém nessa vida. Nada surreal, né? Os mais esclarecidos e revoltados com os padrões capitalistas não visam ser gordos. E não me venham falar que é uma questão de saúde, tá? O fato de que formam-se dobrinhas na região da barriga quando sentamos perturba um percentual gigantesco da raça humana. Não me perguntem o que eu faço com essa foto:

morango com chocolate

Então preciso de chocolate. Vou ao mercado, compro umas barras, leite condensado e Nescau pra fazer brigadeiro. Só que eu tô há muito tempo parada e minha calça tá ficando meio apertada em mim. Resolvo subir numa balança na farmácia e tô dois quilos a cima do meu peso ideal. Preciso de uma atividade física. De tarde chocolate, de noite academia – e assim a gente consome de todos os lados, contraditoriamente, de acordo com os estímulos paradoxais que nos são constantes. Não é brilhante? Eu aplaudo.

E o que é que isso tem a ver com a Geysi? Bom, a Geysi não tem culpa. Existe uma demanda de que nós, mulheres heterossexuais, sejamos apresentáveis sempre. E quando eu digo apresentáveis, quero dizer gostosas, sexies, magras, bonitas e bronzeadas, nas palavras de Foucault. Sem esquecer do “Fique nu”, por favor. Até a Fernanda Young, paladina da inteligência e perspicácia feminina (!), é capa da Playboy! Ah, demais, né, gente? Ela se gaba por ser a primeira capa a ter num sei quantos romances publicados. Parabéns, minha cara! Você, como corpo hiperestimulado entre tantos, respondeu tanto à demanda de parecer intelectual quanto a de aparecer pelada. Bacana! Keep up the good work.

Não, não acho que a Geysi estava nua; por favor, evitemos cair na discussão imbecil sobre a milimetragem do vestido. Acho é que o comportamento dela faz total sentido dentro da lógica social em que a gente vive. Não? “Ah, mas na faculdade não é lugar de andar daquele jeito!” Evitemos também a discussão sobre como todo mundo anda sim “daquele jeito” na faculdade, no trabalho, onde quer que seja. O fato é que o que houve ali foi um conflito entre os estímulos e, por que não, uma bela parcela de controle-repressão, que continua aí, com toda a força, nas nossas escolinhas, prisões, hospitais.

E a vontade de comer chocolate que não passa… Malditas fotos do Google Images!


Adendo feito em 16 de novembro de 2009:

Esclareço que não acho que a Geysi esteja certa, que não quero usar um vestido rosa choque curto e que  não defendo que as mulheres passem a andar rebolativas pela rua. Não acho que o pessoal que comentou tenha interpretado assim, mas em face uma discussão irritante que tive sobre o assunto, resolvi explicitar minha opinião sobre o casoo. Não é relevante pra mim se a menina está certa ou errada, porque eu não tô nem um pouco interessada em fazer um julgamento moral sobre ela. Isso já tem gente o suficiente fazendo. Inclusive o Fantástico tá sacaneando com a garota, mostrando como ela botou aplique no cabelo, as roupas curtas dela e perguntando se ela pretende posar nua, fazendo o coro “puta! puta!” bem na cara dela, que parece estar adorando.

O que interessa pra mim nessa história toda é:

  1. Mostrar repúdio à ação violenta dos trogloditas da Uniban, estudantes e reitoria.
  2. Entender que o fato de que muitas mulheres se comportem de determinada maneira é absolutamente coerente com os estímulos que lhe são dados cotidianamente. Ou seja: é maneiro ser loira, ter cabelo liso, atrair olhares masculinos e femininos, ser sensual, mostrar-se sexual, etc.
  3. Que é contraditório que a sociedade hostilize uma pessoa que age conforme seus estímulos prescrevem, e que isso se explica pelo fato de que os estímulos em si também são contraditórios, já que você deve ser tudo isso que eu falei a cima, mas ao mesmo tempo deve ser digna, respeitável e submissa.
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18 respostas em “Saia curta x Chocolate: Foucault explica.

  1. Eu acho que todo mundo tem responsabilidade com um acontecimento em geral. De certo modo, o argumento não está de todo errado, porque se por um lado ela é estimulada por uma sociedade, assume-se que ela aceita esta sociedade, ou este ponto especifico da sociedade, com seus prós e contras. Teoricamente, ela tem parcela de responsabilidade porque presume-se que as pessoas não possam ser inocentes ao aceitar alguma coisa, e pensem sobre aquilo. Não acho que o argumento deva estar nesta linha de raciocinio. (Estou falando de responsabilidade, e não de culpa, são coisas diferentes; mas estou falando de termos semelhantes, pra mostrar que a ideia nao é tao errada quanto parece, ao menos nao tao absurda)

    Os problemas na questão da Uniban, ao meu ver, são:

    1) O caráter agressivo com que homens e mulheres agiram com relação a estimulos ideológicos;

    2) A ideia enganosa de que existe carne e alma separados, e que, neste sentido, existem dois tipos de mulheres: a de alma, quase assexuada, não desejosa, sagrada e submissa; e a de carne, que seria sexuada, profana, vulgar e perigosa. Daí existiria o homem, enquanto massa menos amorfa neste sentido de carne e alma, ele seria o equilibrio, precisando: em uma fase adquirir experiencia, nutrindo-se de mulheres de “carne”, e na fase posterior alimentar sua “alma”. Essa ideia é bem mais longa, mas isto é um comentário, não vou me alongar tanto.

    3) A culpa não é da Geyse, apenas a responsabilidade. E a responsabilidade nao só dela, claro. Mas a grande culpa é dos agressores (alguns alunos e a direção da Uniban). Em primeiro lugar porque esta aparente regra de que não se deve andar de determinado modo na Uniban não estava descrita em lugar algum, não estava no contrato da faculdade. Mas ai alguem pergunta “Ah, existe em algum lugar na rua escrito em alguma plaquinha que eu nao posso andar pelado, por exemplo?” Existe, na constituição, artigos sobre atentado ao pudor. Veja bem que aqui nao estou falando se as ideias estao certas ou erradas, falo simplesmente do chamado “contrato social”, tomando-o como aceito por todos (pois agora estamos falando de lei, ordem estabelecida).

    4) Já em termos de ideologia, é uma atitude extrema-machista, já que, imagino, se um homem aparece de bermuda e sem camisa andando pelo cmapus num dia de sol nada de parecido aconteceria a ele. E isto porque o corpo da mulher possui um pudor maior sobre si, por causa de sua suposta dualidade, onde tudo se explica por como você se veste ou gesticula, etc. (Ah! existe o terceiro tipo de menina, que é aquela que nao seria menina, porque nao é carne nem alma, que seriam as desajeitadas, as que nao possuem algum tipo de graça – seja profana ou sagrada – e que geralmente sao chamadas de lesbicas sem mesmo se conferir qual seria a sua sexualidade)

    Obs: Quanto à liberdade total, ela é impossível, eu acho, Barbara. Para existir sociedade, precisa haver cerceamento. Por exemplo, liberdade total seria uma forma de cerceamento. Voce está cerceando a liberdade de alguem de dizer algo, pois dependendo de como ela diga ou aja (se muita gente se juntar para apenas vaiar, por exemplo, é um cerceamento) ela estaria indo contra a suposta “liberdade” desta sociedade. O que temos que aprender é que existem outras maneiras de se viver, que a felicidade pode ser advinda de diferentes comportamentos sociais; precisamos compreender o Outro. Nao estou dizendo que devam haver regras e tabus, mas precisamos resolve-los dialeticamente com o tempo, entendendo quais estao impedindo pessoas de viverem de forma harmoniosa com sua visao de mundo. Mas o cerceamento é o pressuposto de leis, sejam elas escritas ou em forma de acordo comum: até no mundo ideal as leis existiriam, justamente para mantê-lo. Não é um discurso a favor do nosso Estado de Direito, você sabe. Só que a liberdade advém de outra questão que não é o acordo social. E sim, eu sou contra o nosso Estado de Direito atual. E até contra a ideia deste Estado, nao acho que seja possiovel humaniza-lo.

    Enfim, é isto.

  2. É Babs, o mundo capitalista é feito de superestimulos, pq sempre para um problema a solução pode (teoricamente) ser comprada… Abrir os olhos é a melhor arma para isso… Mas qntos querem?

  3. Vamos ver se consigo dar forma a uma série de impressões dispersas sem voltar a ler o post.
    Primeiro, acho engraçado parar para pensar no esforço disciplinar dentro do colégio, que é parte da minha rotina. Ainda mais considerando que essa rotina se dá em um colégio tradicional do interior – o que multiplica a disciplina pela tradição.
    De início, antes da puberdade, meninas mais do que meninos – que dificilmente usam roupas “condenáveis – sofrem repressão pelas vestimentas. Obviamente ninguém no colégio tem cabeça para pensar nos estímulos que famílias, televisão e outras coisas dão para o armário dessas crianças, mas reprimem mesmo assim. O interessante é que não há argumentos diferentes de uma moral completamente distante do mundo infantil. Isto faz com que as crianças não sejam tão reprimidas. Quando começa a puberdade, uma bermuda ou short de tamanho proporcional àquelas usadas pelas crianças passa a ser reprimida. Aí surge o argumento genial de que, numa fase de explosão hormonal, vestir certos tipos de roupa é desviar a atenção dos coleguinhas, que não conseguem prestar atenção na aula, hipnotizados pelas meninas. Junto com isso começam toda sorte de esforços de repressão à sexualidade e mesmo a comportamentos físicos do tipo da postura na cadeira e esse blá blá blá. Começa aí a condenação que foi parar na cabeça da própria Geyse, segundo a tal entrevista que eu não vi.
    O mais bizarro e chocante para mim é que o próprio colégio absorve essa moral sem ao menos pensar um pouco. Bizarro não de entender, mas se formos pensar que professores tecnicamente são intelectuais e profissionais responsáveis pela formação e mais blá blá blá. Assim, qual não foi meu espanto em ouvir a história de uma professora que se negou a responder à questão de uma menina da sexta série que perguntou o que era gozo? O mais assustador é que a professora foi apoiada pela coordenação, que retrucou meus protestos afirmando que eu argumentava aquilo porque não era pai.
    Já escrevi demais, mas queria falar sobre a segunda impressão. Acho que seria bastante difícil pra argumentar com pais advogados, por partir de pressupostos extremamente diferentes, já que poucos deles pensam em mudar radicalmente a sociedade em vez de trabalhar justificando-a. De qualquer forma, não vejo problema no argumento de andar no Aterro. A mesma sociedade que disciplina a sexualidade dos indivíduos, acusando a Geyse de provocar, é aquela que priva bilhões de pessoas de uma infinidade de desejos materiais criados e, portanto, pode pensar que andar sozinho no Aterro de madrugada é uma temeridade. Mas o difícil é isso, pensar na crítica às bases da coisa, porque pra consertar do jeito que está não dá.

  4. Poxa Babs!!! Eu já tava morrendo de vontade de comer chocolate, que também não tem na minha casa! Mas a preguiça de ir comprar é grande também…
    Aiiii maldito blog da Babs e sua imagens do Google Images!!!

  5. O problema minha amiga, é qual parte do comportamento propagado pelo Fantástico é absorvido pelos meios midiáticos e sociais em geral. A própria menina da Uniban que não tem muita consciência do que está acontecendo ao redor dela troca os pés pelas mãos. Se pensarmos meio que na linha do Bourdieu onde o sistema mítico-ritual da sociedade cotidiana desempenha um papel equivalente ao que incube o campo jurídico e de opinião pública em geral, entenderemos que toda essa propaganda e sensacionalismo apenas conferem que qualquer caso escandaloso e hipócrita ( como esse) tenha uma valoração de visão geral e di-visão crônica objetivamente ajustada a di-visões pré-existentes onde a “ordem natural das coisas” se torna algo sexuado e condenável. Estando incorporado ai o “habitus”.

    O problema nessa interpretação é que nossa sociedade parte do pressuposto que o discurso androcêntrico não precisa de justificativa e nem tem necessidade de enunciar um discurso que o legitimem. Ao contrário, a postura é naturalmente legitimada pela relação social do mundo onde a realidade sexuada abarca para si princípios de di-visão sexualizantes. Pensando assim acredito que o corpo é o principal instrumento não de legitimação do discurso androcêntrico ( que não precisa ser legitimado), mas sim para se denegrir a postura feminina ( ou de qualquer gênero opositário) e subjugá-la sinóticamente a uma condição inferior e pior que isso, de imperfeição “natural”.

    Esta imperfeição natural obriga a ao gênero não legitimado uma busca incessante por formas de se manter minimante aceitável. E nesse ponto temos as dietas, o vestuário e os anseios médio-burgueses propagados a torto e a direta em revistas, canais de TV e absurdamente na consciência moral da maioria das pessoas que se preocupam com a barriga tanquinho, com suas vaidades pequenas e com o próprio sentimento de culpa da pobre da menina da Uniban que oprimida por todos esses sentimentos que desconhece sucumbe aos mesmos sem nem ver que é um joguete destes anseios subjugantes e pré-julgados.

    Enfim, é o que minimamente penso disso tudo. Bem grosso modo, mesmo.

  6. E p.s. Depois de ler o post do Zacca eu posso discordar diretamente no tocante a liberdade. ele diz que “Obs: Quanto à liberdade total, ela é impossível, eu acho, Barbara. Para existir sociedade, precisa haver cerceamento. ”

    O cerceamento está na opinião dos outros no olhar dos outros. Não obstante Sartre já propagava o seu “inferno são os outros”. O que acontece é que somos limitados justamente pela liberdade. Temos a liberdade que limita nossos atos, pois antes de buscarmos a nossa essência diária ( que NÃO precede a existência) buscamos a opinião dos outros. Em outras palavras, o que importa não é o que somos para nós. Mas o que fazemos com o que os outros fazem de nós. Ai reside a essência de nossos atos e principalmente a consci~encia de nossa existencia no meio em que vivemos. Entendendo fenomenenológicamente estes pressupostos podemos buscar sim ( se não carimos em má fé) um equilibrio de nossos atos à luz da nossa libredade plena existencial que nos limita cotidinianamente.

  7. po cara, mas não é por causa de pressões contraditórias que se justifica uma atitude dessas, assim vc acaba validando a atitude dos babacas que armaram aquela escrotisse lá, afinal eles também são pressionados tanto a gostar de uma mulher de mini saia e ao mesmo tempo achar que ela é puta por causa de uma roupa. essa é minha visão simplista e sonolenta e que não leu o resto dos comentários.

  8. Tiago, eu não estou “validando” atitude de ninguém! Inclusive explicitei no adendo ao post meu REPÚDIO pelo que aconteceu na Uniban. O que eu estou dizendo simplesmente é que as pessoas operam dentro de uma lógica contraditória! Uma lógica que rege uma sociedade machista e violenta, uma lógica que eu lamento muito e que me confunde, como a todos. E dentro de uma sociedade machista e violenta, que age sim a partir desses estímulos contraditórios, saem as maiores barbáries, as mais condenáveis. A ação deles, essa sim, eu faço um julgamento moral.

  9. hahahahah mas eu juro que tentei tornar a idéia mais simples nos outros parágrafos…o.o”

    Não foi?

    Mahamana. =X

  10. eu não quis dizer que você tá validando alguém, só quis dizer que seu argumento pode ser usado pra justificar a atitude insjustificável dos sujeitos da uniban…

  11. Eu quis dizer de uma liberdade material de uma sociedade que impõe ou não limitações, diminuindo o numero de opções de um individuo. Estou falando sempre dos Outros, já que em sociedade vivemos entre Outros. Não falo de uma consciência de si e do outro, mas falo de um fenomeno natural coercitivo que um conjunto de acordos na formação da sociedade pressupõe.

  12. você falou: “Eu quis dizer de uma liberdade material de uma sociedade que impõe ou não limitações, diminuindo o numero de opções de um individuo. Estou falando sempre dos Outros, já que em sociedade vivemos entre Outros. Não falo de uma consciência de si e do outro, mas falo de um fenomeno natural coercitivo que um conjunto de acordos na formação da sociedade pressupõe.”

    Sim, mas ainda entendo que as atitudes moralmente coercitvas de um sociedade não são criadas por si. Elas são fruto sim de uma consciência de si em relação ao outro, pois não se pode falar do outro sem ter consciência de si. Basicamente enteder que nossas ações são nossas apenas independente dos olhos do Outro é um engodo. a libredade que temos é de consciência da própria existência. Mas nossos atos são condicionados por dois fatores básicos: o que achamos que somos e o que achamos que os outros acham que somos. Entender o Outro é algo que deve passar primeiro pelo ego primário.

    E é por isso que ainda tenho alguma fé na única certeza humana e das relações sociais. Elas são mutáveis. E sendo mutantes elas em conjunto são transformadas pelas práticas sociais que estruturam a sociedade a medida que se legitimam enquanto práticas. E a melhor forma de se compreender essas atitudes de forma crítica é entendê-las enquanto fenômeno social motivado pelas relações múltiplas que uma sociedade propõe. E o que limita é justamente a liberdade de se fazer. A libredade que limita é total e por isso ela limita. libredade de atos em sociedade é algo que nunca pode se afirmar categóricamente, pois sociedades são humanas, e, portanto, mutantes. Basta ver a inúmera gama de sociedades que se formaram ao longo da história e ainda se formam ainda hoje com os mais váriados parâmetros.

  13. você falou: “Eu quis dizer de uma liberdade material de uma sociedade que impõe ou não limitações, diminuindo o numero de opções de um individuo. Estou falando sempre dos Outros, já que em sociedade vivemos entre Outros. Não falo de uma consciência de si e do outro, mas falo de um fenomeno natural coercitivo que um conjunto de acordos na formação da sociedade pressupõe.”

    Sim, mas ainda entendo que as atitudes moralmente coercitvas de um sociedade não são criadas por si. Elas são fruto sim de uma consciência de si em relação ao outro, pois não se pode falar do outro sem ter consciência de si. Basicamente enteder que nossas ações são nossas apenas independente dos olhos do Outro é um engodo. a libredade que temos é de consciência da própria existência. Mas nossos atos são condicionados por dois fatores básicos: o que achamos que somos e o que achamos que os outros acham que somos. Entender o Outro é algo que deve passar primeiro pelo ego primário.

    E é por isso que ainda tenho alguma fé na única certeza humana e das relações sociais. Elas são mutáveis. E sendo mutantes elas em conjunto são transformadas pelas práticas sociais que estruturam a sociedade a medida que se legitimam enquanto práticas. E a melhor forma de se compreender essas atitudes de forma crítica é entendê-las enquanto fenômeno social motivado pelas relações múltiplas que uma sociedade propõe. E o que limita é justamente a liberdade de se fazer. A libredade que limita é total e por isso ela limita. libredade de atos em sociedade é algo que nunca pode se afirmar categóricamente, pois sociedades são humanas, e, portanto, mutantes. Basta ver a inúmera gama de sociedades que se formaram ao longo da história e ainda se formam ainda hoje com os mais váriados parâmetros.

  14. Mas eu concordo com você. Num certo sentido, apenas entendo que a propria liberdade, tambem almejada por mim, não é uma liberdade de ações em geral, mas sim uma gama de opções possíveis que permitem ao Outro agir de acordo com suas visões de mundo, desde que estas não ameacem as opções de outrém. A liberdade é limitada para ser liberdade. Você precisa de opções, e elas surgem de acordos comuns, pois vivemos em sociedades, de homens que se modificam e que nunca terão visões iguais de mundo… enfim, quero tomar uma casquinha, ta muito quente. x.x

  15. Discutindo esse assunto com pessoas que vêem o que ocorreu de forma pouco crítica, o que aparece é sempre essa ideia: “mas ela estava usando um vestido muito curto, estava provocando etc.” Chega-se a naturalizar a reação bestial dos estudantes da UNIBAN por igualar o “crime” (como consideram alguns) cometido pela Geysi com toda aquela reação. Ouvi de alguns um “se ela fosse bonita”, ou seja, se fosse a última mulher enlatada musa da última novela das oito ou “reality show”, tudo bem, poderia se vestir como quisesse, mas como não era… Ainda há muito a transformar nesse mundo…

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