Sobre o caso Uniban

Petição contra o que houve na Uniban: http://www.petitiononline.com/unitalib/petition.html Assinem!

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Nos últimos dias, o calor carioca voltou com tudo. Mais que  isso:  tem com certeza uma bela pitada de aquecimento global nisso, porque eu tô até desanimada de tão sufocante que tá a atmosfera. O vento do meu ventilador tá quente, a água da bica tá quente, minha cabeça tá quente… quente, quente, quente. Sexta feira, eu fui apresentar um trabalho num colóquio sobre Educação, Cidadania e Exclusão na UERJ (aliás, desrespeito total do evento com os trabalhos dos estudantes, colocados num lugar e horário nada a ver, já que ninguém tá nem aí pro conhecimento procalorduzido pela graduação mesmo). O semblante das pessoas que eu encontrei pelo caminho, principalmente no metrô, voltando pra casa, era deprimente. Sabe quando as pessoas tão literalmente derretendo? Aquela expressão de pré-desmaio, as milhares de  gotinhas pelo rosto, roupas abafadas, nenhuma circulação de um ventinho que fosse…  Parafraseando uma moça no metrô, se na Terra é assim, mermão, imagina no inferno!

Bom, o fato é que, depois da bizarrice ocorrida na Uniban, eu não pude deixar de notar as roupitchas que o pessoal tem usado por aí. Calor saiados infernos = roupas frescas. Muita mulher de saínha e top, muito homem sem camisa. Nada mais natural, certo? Eu, se pudesse, tinha tirado a roupa  toda e me enfiado dentro de um freezer. Aí eu andava pela rua pensando: “Imagina essas pessoas no interior de São Paulo… iam ser linchadas, uma por uma“. Eu não tenho o costume de usar roupas muito curtas, pelo motivo simples de que as acho desconfortáveis, na maior parte das vezes. Mas… oi? Calor dos infernos? Eu arregaço manga, levanto saia, o que preciso for pra não fritar. Mas agora eu faço isso e penso: “Tem gente que agrediria por isso“. Eu não sou o melhor exemplo de alguém que usa o que se poderia chamar de “roupas provocantes”. Mas eu moro no Rio, sinto calor e  tô cagando e andando pra o que as pessoas pensam sobre as dimensões da minhas roupas. Inclusive , tô  mais pro problema contrário: se uma menina usa roupa larga, deixa de depilar a perna durante uma semana, corta o cabelo de um jeito diferente… Cuidado com a lésbica! Ela pode te pegar!

Bom… tô cagando e andando pra essas coisas em termos. Porque, olharem torto pra você na rua já é suficientemente ruim. Seja por um problema na sua aparência impecável de menininha, seja um olhar pra sua bunda combinado a alguma cantada grosseira. Mas agora tem mais essa (sempre teve, pessoal, só que agora tá na mídia): é possível ser agredida, encurralada, desmoralizada e… tcharããããnz! Jubilada da universidade que você estuda! Porque a má publicidade pra fabriqueta de diplomas foi toda culpa sua, e não dos ogros malditos que deram uma de puritanos enraivecidos pra cima de você. Ah, cara, pera aí! Pára o mundo que eu quero descer!

Agora, a cereja da cereja do bolo: a nota publicitária da Uniban para esclarecer a expulsão:

uniban

É uma pérola, não é? Traduzindo a linguagem burocrática para o bom português, esse documento aí também tá gritando “Puta! Puta!” junto com o bando de ogros desgovernados. Afinal, foi a Geysi que teve desrespeito “aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”, não a turba enraivecida. E a mídia? Detonou a Uniban! Nada a ver! Tinha mais é que ter caído em cima da puta!

Nem tenho muito estômago pra falar muito mais sobre esse episódio, jogo a bola pra vocês. Porque o que ele me traz é um asco imediato, mas também mais uma coisa: me dá medo. E não é só medo do montro social em que eu me encontro inserida, mas medo físico do que diabos pode acontecer comigo um dia, com as minhas amigas, minhas pessoas queridas… Medo de gente, medo da condição feminina uniban292x280que acarreta muita coisa numa sociedade machista tão contraditória e esquizofrênica. Mas, enquanto a gente pode, a gente grita, a gente vai pra cima. Vamos tentar dar uma força pra Geyse, porque essa história não pode acabar assim. Há uma petição on-line em repúdio à atitude da Uniban: http://www.petitiononline.com/unitalib/petition.html. Às vezes redes de solidariedade podem funcionar de alguma forma, sei lá. Eu sei que estou triste. E com muito calor.

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14 respostas em “Sobre o caso Uniban

  1. Repulsivo. Repulsivo demais. Daquelas coisas que doem na gente. Eu quero muito que essa garota arranque uma bolada dessa faculdadezinha de merda.

    Nauseado com esse assunto.

  2. ah, e já que nem tudo é violência e calor: previram chuva pros dias que seguem. \o/

  3. É terrível. Quando um aluno tira a camisa e fica mostrando musculos nada acontece: e nada tem que acontecer mesmo, nem com ele nem com ela.

    É que fica essa pseudo-moralidade, e não duvido nada que muito marmanjo que gritava ali é cheio de tara bizarra (essas já nem tão aceitáveis assim, porque muitas envolvem mais machismo, pedofilia, relações estranhas de poder, etc etc etc), e não admitem que a chamada sujeira venha à tona, porque não compreendem nem do que são feitos direito. Não olham direito o que são, e por isso são incapazes de conhecer o outro.

    Enfim, não sei mesmo o que dizer. É repulsivo, principalmente com essa decisão da Universidade.

    Talvez redigir um documento a altura, indo ponto por ponto desmistificando e tornando ilógico o raciocinio exposto (e que é certamente ilógico, mas fica mascarado nessa sucessão de fatos) e divulgando até que talvez seja exposto em diversos sites e ajude no processo que ela vai empurrar pra cima da Uniban.

  4. Eu ainda não acredito nisso. O episódio por si só foi de um machismo e de uma imbecilidade repugnante, mas essa agora foi demais…Como uma universidade tem uma medida dessas, cara? Isso é muito sério. É de um desrespeito e de um ataque a humanidade revoltante.
    Acho que alguma coisa tem que ser feita, não dá pra engolir um troço desse.

    Sobre o medo, pois é, o medo para nós mulheres ainda é constante. E não só o medo, o constrangimento forçado. Esses dias fui beber num boteco no centro da cidade com uma amiga e toda vez que entrava pra pegar uma cerveja tinha que lidar com olhares e brincadeirinhas. Eu estava de calça jeans e camiseta, não é questão de roupa, nem aparência, é que eu sou mulher, tenho mesmo que ouvir isso e achar normal, aceitar de cabecinha baixa, ainda mais num bar, ambiente masculino, menina bebendo aquela hora num bar quer mesmo ouvir umas gracinhas. Perdoe-me a expressão, mas é totalmente válida, vão todos tomar no cu. A maneira como os homens abordam as mulheres, com olhares, palavras, gestos é de uma hostilidade que fere, humilha e revolta.Me incomoda profundamente. E ainda tem gente que diz que feminismo é ultrapassado…ah, faça me o favor!

  5. É, a minha vontade é que fechassem aquela espelunca, embora eu saiba que não é isso que iria mudar coisa nenhuma. Vamos ver como a coisa segue… eles vão pagar caro, literalmente. Se ficar impune, aí eu páro de vez.

  6. Isso é muito sinistro mesmo. Até porque esse é o tipo de coisa que as pessoas acham mais corriqueitas, sabe? Os mais esclarecidos argumentam que toda mulher se sente minimamente lisongeada quando mexem com ela na rua. É uma falta de noção generalizada.

  7. Acho que algum texto podia ser elaborado, desconstruindo esse argumento fajuto da universidade, e este texto ser encaminhado para orkuts, listas de email, etc etc.

    O que acha?

    (acabei de assinar la)

  8. Babs!!! Muito bom seu texto! Então, vou contar o que aconteceu na Souza Marques ano passado…
    Uma aluna de medicina foi para a aula (no hospital, onde ia atender pacientes junto com um professor médico) com uma micro saia (não era mini não, era micro mesmo) e uma blusa com um grande decote nos peitos,aberta nas costas e transparente (Ahhh, ela tava sem sutia)(quando ela ia examinar o paciente dava para ver todo o peito dela, a pressao do paciente com certeza ia subir hihihi)!!! O professor não deixou que ela participa-se da aula, dai deu mó zona! A mãe dela ligou para a faculdade, a faculdade disse que o professor agiu certo… Enfim, mó discussao. Acabou que a direção da faculdade de medicina determinou que todos os alunos (homens e mulheres que estivessem ou não em aula no hospital) não poderiam mais usar shorts ou bermudas, nem vestidos curtos, e blusas com decotes. Ai a zona foi geral, pq quem ainda não ia para o hospital ficou puto pq nao poderia ir com os antigos trajes. Por um lado, eu achei muito bom a determinaçao: algumas pessoas exageram mesmo, e afinal que ia querer ser atendido um médico (futuro médico) com trajes “minimos”

  9. Compartilho plenamente da sua indignação, Bárbara. E como conheço bem essas tais fabriquetas de diplomas, penso que para elas só há uma coisa a fazer: fecha! fecha! fecha!

  10. E agora eles voltaram atras ne? E super rápido. Agora olha que loucura, q espécie de conselho é esse que tomou uma decisão baseada num estatuto? Não era nada bem pautada a decisão né? Pq pressionados e sem argumentos voltaram atras. Se isso é a direção dessa universidade, imagina o resto. Os alunos vaiaram o protesto que houve na porta da universidade. Se eu estudasse lá me esconderia de tanta vergonha.

  11. Pingback: Saia curta x Chocolate: Foucault explica. « …ou barbárie.

  12. Fcauldade de merda…cala boca bando de ipócritas sem cultura….essa garota ai só queria grana e fama…

    vocês não estudam la então não podem falar nada…

    eu entrei la esse ano e não tenho o que reclamar da universidade….te garanto q ta melhor do que muitas ai q se dizem grandes…

    engraçado neh a alguns anos atras a USP (maior universidade) aconteceu um epidódio de um garoto morrer na piscina…ai isso fodo mundo abafo neh…ninguem revitico fez passeatas….mas com uma vagabunda que quis se aparecer

    acho engraçado voces chamaram alunos a uniban de unibandidos…sendo que vcs devem fazer coisas bem piores….

    então fica a consciencia e o respito própio de cada um…

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