Up: poesia elevada.

Hoje, depois de um longo e tenebroso inverno, eu e Titão assistimos img_up_poster_2601finalmente Up. Acho que não vai ficar mais muitas semanas em cartaz, inclusive porque tá estreando muita coisa lontante (=que lota) ultimamente, dentre as quais alguns filmes de animação 3D.

Desde que vi o trailer eu tive certeza de que seria um filme maravilhoso, muito diferente dos Shreks da vida. Nada contra o Shrek, muito pelo contrário! Adoro de paixão. Mas ultimamente, talvez exatamente por causa do sucesso estrondoso dos Shreks (me corrijam se eu estiver cronologicamente errada), a maioria das animações tem caminhado por essa linha, um humor muitas vezes ácido (ou acebolado, no caso do ogro) entrelaçado à uma história encantadora. Up não. Up definitivamente não era ácido. Up era lindo. E eu queria muito ver.

A primeira demora foi por conta de procurar uma sessão que não fosse 3D, já que em troca dos óculos maneiros, o preço dobra. Depois eu me arrependir de ser sovina e demorei mais ainda pra conseguir assistir o filme porque queria ver em 3D, já  que eu nunca vi nada tridimensional no cinema (ahm, a não ser as pessoas de carne e osso, as poltronas, etc). Com a redução do número de sessões disponíveis, eu me assustei e fui de uma vez por todas, vendo sem os óculos maneiros mesmo.

Acho que a essa altura muita gente já deva ter assistido o filme, então vou partir desse pressuposto. Quem não assistiu e não entender uma coisa ou outra, que se apresse! Porque é definitivamente um dos filmes mais bonitos que eu já vi na vida.

(…)

Tô há alguns segundos pensando no que dizer. É difícil, porque tudo parece lugar comum demais. Digamos assim: cinema bem feito tem um braço inglocomprido, que entra pelo peito do espectador, puxa lá de dentro sentimentos improváveis para o instante em que ele vive e faz com que emerjam de uma forma muito limpa, muito clara. Foi assim na primeira cena de Bastardos Inglórios, longa, tensa, de tal modo que eu saí de dentro do universo do filme pra notar que meu coração batia tanto que parecia estar a ponto de pular pela minha garganta. E foi assim com Up. Uma das primeiras cenas, em que o Senhor Friederickson se assusta com a sua própria rabugisse e se esconde dentro de casa, lá foi a mão-cinematográfica dentro do meu peito puxar um nó na garganta que se desfez em lágrimas. Isso porque eu me relaciono terrivelmente com aquela cena – acho que muita gente se relaciona – e não esperava algo assim de um cartum. Ok, o velhinho e o menino, balões e aventura, mas não uma análise tão profunda e ao mesmo tempo límpida de questões humanas como aquela.

Dali em diante nós convertidos em lágrimas foram aparecendo. up_20“Emocionante” é uma palavra maxi-batida, mas é ela que melhor verbaliza o que eu achei do filme. Grandes questões sobre as relações humanas, resolvidas da forma mais poética possível: no céu, penduradas por um fio… a balões. É uma constante no filme inteiro o perigo de cair e morrer, achei engraçado sentir uma tensão como essa numa animação. E, pensando agora, faz o todo o sentido, numa metáfora genial, encoberta de filme-de-criança:

As questões mais profundas e mais mal-resolvidas são colocadas pixar_up-8na berlinda no filme, tanto pro Senhor Friederickson, principalmente, quanto para o Russel, o cachorro Doug e até pro explorador-do-zeppelin. Enfrentar seus fantasmas de frente têm encargos: a sensação de suspensão, de perigo, o medo constante de cair, a necessidade de coragem e de simplesmente não olhar pra baixo.

Pra não spoilar: eu e Titão terminamos o filme abraçados, emocionados, morrendo de medo de um morrer, mesmo que velhinho. Mas a Senhora Ellie avisa: o importante é a aventura vivida, o meio, que não tem fim.

pixar_up

Viajei?

Psicologia-de-não-psicóloga  mode off… fico por aqui.

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7 respostas em “Up: poesia elevada.

  1. Cada vez mais as animações conseguem, como foi o Wall-E, fazer as crianças rirem e os adultos (ainda que não seja essa a melhor palavra) chorarem. Não chorar, não sentir, em um filme deste é um crime contra a humanidade.

  2. Nã, minha amiga. Você não viajou. Quando assisti UP tem algumas semanas, resolvi fazer isso para desopilar. Estava em um momento tenso na minha vida e resolvi sozinho entrar no cinema do Norte Shopping para assistir um desenho qualquer. Acabei vendo UP. Sozinho. Chorei feito um cordeiro torpe. Me vi em muitas cenas ali e confrontei muitos fantasmas ali. Isso sem contar que cá para nós, o Senhor Friederickson mais novo é a miha cara! E não é só isso, eu tenho um medo danado de passar a minha vida e esquecer de viver todas as aventuras que eu me prometo viver cotidianamente. Eu quero ir para o norte, conhecer a terra dos bárbaros, provar de bebidas etílicas duvidosas e tocar flauta na Irlanda. Quero tantas coisas em sonhos que sinto muito medo de acabar por conta das responsabildiades da vida deixar estes sonhos, e muitos outros, para trás. Por isso estou sempre em movimento. E Up me fez abrir os olhos para várias coisas. A principal é simples, como você mesma colocou e a querida Ellie pendurada em seu retrato na casa voadora sempre me faz lembrar “o importante é a aventura vivida”. E cada dia é uma aventura diferente. Aprendi nesses dias que gostar de si e das pequenas coisas que podemos fazer, ler, aprender e viver é a grande aventura da vida. E partilhar isso ao longo da vida com quem amamos é vital! Essa é a grande aventura. E por isso UP despertou-me para outra idéia. E outra forma de encarar a realidade. Minha viagem para o Maranhão ajudou-me a selar este ideal e agora sinto-me leve. Pronto para viver uma avetnura nova a cada dia e amar a quem desejar partilhar suas aventuras comigo.

    E é isso. UP.

    Beijo verde, minha amiga!

  3. Ahhh, esse filme é maravilhoso mesmo.
    Tem varias partes muito tristes e outras muito bonitas. E um humor tão inocente de bonito, tipo chaves (nao , as piadas nao sao como o seriado, mas falo do tipo de humor ser inocente).

    (Ele – o explorador da natureza – mexendo com o gps é demais).

    Eu vi em 3D, fiquei impressionado. Parecia uma criança, tentei pegar coisas no ar e tudo mais. Tem uma hora quando um aviao explode que parece que vai voar uma asa em quem ta na direita do cine (no caso: EU! :S)

    Mas é muito lindo. Fiquei muito emocionado também. E dá mó sensação com essa coisa da Ellie. Quero com prar esse dvd.

    Enfim, amo voce! =)
    Beijos, Babs.

    Obs: Ouve a musica Busca Vida, do Paralamas?

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