Primeiro post wordpressiano.

“Olá, mundo!”

As pressões taiguarianas funcionaram: migrei para o WordPress. Parece um host interessante, mais organizado e com mais possibilidades, apesar de ter me feito sentir mentalmente incapacitada diversas vezes, pela complicação incrível das coisas em relação ao desenhadinho Blogger.

A grande vantagem foi que pude migrar não só os posts do Ou Barbárie, mas também alguns poemas dos meus dois últimos blogs – é por isso aliás que a barbárie poética tem muito mais posts do que a prosaica.

Mas acho que vai ser maneiro! Gostei do ambiente novo e o layout ficou bonitinho (favor não notar que o modelo é o mesmo da Marjorie… mas, fazer o que, ele é realmente bom!). À galera que elogiou a honestidade do blog, há grande tendência de ela ficar acentuada agora, porque os poemas e os post “comuns” vão ocupar o mesmo espaço, a despeito das categorias separadas. Como a minha poesia é bastante auto-biográfica, o pessoal vai ficar mais óbvio do que no Ou Barbárie anterior, onde eu tentava dosá-lo um pouco mais.

Veremos no que dá! Espero que numa síntese interessante.

Emancipações.

Conforme advogado na maioria dos comentários no meu último post, saí ontem pra tomar uma cerveja com amigos. Tá, gente? Não precisam se preocupar! =) Mas assim como eu tenho me preocupado um pouco mais em dar uma relaxada de vez em quando, também tenho pensado em me formar. Se eu me organizar, acho que dá pra terminar no fim do ano que vem. Mas não sei até que ponto isso vale a pena. Por um lado, se formar no fim do ano é melhor pra conseguir emprego, e a probabilidade de eu ficar com uma mão na frente e outra atrás – formada, sem bolsa e desempregada – é menor (ou pelo menos, é por menos tempo). Por outro lado, formar no meio do ano seria mais tranquilo, até pra eu tentar mestrado sem ter que esperar tanto também. Mas maiores chances de eu ficar sem um tostão por mais tempo. Ah, sei lá. Alguém quer opinar sobre isso?
Essas preocupações de ordem prática me colocam algumas questões interessantes. “Em que eu estou me transformando?”, por exemplo. Nada a temer. Eu vivo num mundo real de preocupações reais. E não acho que me ausentar dessas concretudes – que não são mesquinhas, mas guardam objetivos importantes pra mim sobre os quais eu já falei aqui – seja realmente inteligente.O Tito sempre diz que alguém que eu não me lembro diz algo como: “Se com vinte anos você não é comunista, não tem coração. Mas se com quarenta você não é capitalista, é burro”. Tenho vinte e digo que sou comunista de brincadeirinha, mas o fato é que tenho como sonho – sonho mesmo, aquele

filme que passa na cabeça quando a gente dorme – a  emancipação humana, e nem fui treinada pra concurso de Miss pra dizer isso. Não vou me alongar sobre essa questão aqui, até porque meu livrinho do Paulo Freire tá emprestado e não dá pra fazer citações dele agora, hehe.

Às vezes eu tenho a impressão de que já acreditei mais. Isso é difícil de explicar, porque é uma coisa muito de sentir e um pouco menos de verbalizar. Digamos assim: tem dias que parece que cheguei mais perto dos “quarenta”. É aquela coisa de bater os olhos no mundo e sentir um desânimo generalizado, olhar em volta e ver o eterno retorno da acomodação, da vida que consome a si mesma sem dar brecha pra algum resquício de transformação mais profunda. Esse sentimento é uma arma poderosíssima que age sobre a gente, tipo aquelas flechinhas paralizantes que saem das armas nos filmes. Todo mundo sente isso , em diferentes níveis, mesmo aqueles que estão orgulhosamente pouco se ferrando pra porcaria toda. Todo mundo sente.

Eu sinto. Mas tento fazer com que isso não me paralize. Existem coisas bonitas acontecendo por aí. Ainda que a maioria das lutas dos oprimidos tenha caráter defensivo, elas também podem ser grandiosas. E os ataques… sejam louvados os ataques! Se mudei alguma coisa dos meus “vinte anos” sonhadores pros meus vinte anos um pouco mais críticos, foi que hoje não tenho mais pudor de usar analogias de guerra: se há opressão, há guerra. Porque se não é guerra, é só um banquete para os opressores: é massacre. Então a gente vai lutando nossas guerras. Porque só querendo muito ser cego é que não se vê que as coisas mudam o tempo inteiro, e nesse movimento a gente tem que puxar a corda pro nosso lado.


Foto: Funkeiros em mobilização na Assembléia Legislativa do Rio pela aprovação do projeto de lei que transforma o funk em movimento cultural e musical de caráter popular e a contra revogação da lei que estabelece regras para a realização de eventos de música eletrônica, raves e bailes funk. Ao fundo da foto, uma faixa do SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ), que luta contra os ataques do governo Cabral à categoria. No centro da foto, Marcelo Freixo, que… ah, vale a pena conhecer.