Todo mundo tem um grande medo.

Todo mundo tem um grande medo. Medo de morrer, de não ser amado, de perder, de ser caluniado… sei lá. O meu grande medo é não conseguir ser realmente útil. Não me lembro bem quando, mas parece que já vem de muito tempo essa minha necessidade de empregar a minha vida em alguma coisa que seja minimamente significativa nesse mundo enlouquecido. Pensei, pensei, e resolvi ser professora. Provavelmente porque, do que testemunhei nesse pouco tempo de vida, foram professores (no âmbito das profissões) que vi tocarem mais profundamente corações e mentes de pessoas, contribuindo de verdade pra que elas se desenvolvessem autonomamente. Cara, eu conheci professores incríveis. A tal ponto que talvez eu tenha escolhido essa empreitada numa tentativa meio torta de reproduzir essas histórias, “manter a chama viva”, hehe. Mas ao passo que a minha graduação vai se aproximando perigosamente do seu fim e os devaneios e anseios ameaçam virar realidade palpável… aí, meu amigo, eu fico tensa. E os melhores professores passam de inspiração a um retrato daquilo que eu posso não conseguir ser, não conseguir fazer.
A verdade é que eu sempre acreditei na minha capacidade pra fazer as coisas, quando eu quero mesmo. Mas, diferentemente da minha mãe que acha que tudo que eu fizer na vida com dedicação vai ser o máximo, eu enxergo percalços. E que percalços! Eu tenho me imaginado entrando na sala de aula pela primeira vez… e até eu me tornar a Miss G do Escritores da Liberdade, muitas águas vão rolar. Todos os professores adoram contar como é difícil no começo, como eles chegavam em casa chorando todo dia e pensando em desistir, como eles ainda hoje têm medo de aluno. Opa, ponto pra mim! Eu já tenho medo de todos os meus futuros alunos!Como é que eu, Bárbara Araújo Machado, com essa cara de Zé Ruela, vou conseguir? Porque eu quero muito. A coisa que eu mais odeio nessa vida é fazer as coisas mal feitas (entendam bem: fazer as coisas que importam mal feitas, porque de resto, hehe, não tem problema não). Até eu me tornar a Miss G., a Marisol, o Zé Cláudio e cia., eu vou ficar muito bolada. Vou chorar, vou me descabelar, vou ser infeliz e vou querer morrer.

Ok, aham, eu sei que as coisas não funcionam assim. Não é uma linha ascendente em cujo topo está escrito “parabéns, agora você é uma professora revolucionária bacana e amada!”. Mas, pô, estamos aqui falando sobre um Grande Medo. E grandes medos nem são racionais. Eu sei que eu vou ter dias ruins e dias incríveis. Mas olhando pro Panteão dos professores… Querido gênio da lâmpada, eu quero ser foda assim também! Quero que os meus alunos sintam isso que eu senti, que eu sinto tantas vezes, quando parece que toda a esperança foi pro lixo. Porque educação é isso, cara. É esperança, porque é a visão de possibilidade de transformação das coisas. E eu me acho super expert em Educação, aliás. Só li dois livrinhos do Paulo Freire e assisti àlgumas aulas na FEUFF, mas sou aluna há 20 anos, sempre atenta aos trâmites, processos, dinâmicas.

Foi só depois que eu entrei na faculdade de história que eu aprendi o que diabos história é – ou melhor, o conceito bonitinho para o que deveria ser: o estudo das mudanças no tempo (“,etereologia?”). Ouvi dizer que História é o seguinte: o conhecimento sobre as transformações que a humanidade engendrou ao longo do tempo. E sabe o que isso me faz sentir? Esperança. Importante distinguir: esperança aqui não é do verbo esperar-aguardar. É do verbo acreditar-agir. Possibilidade de mudança.

Miss G. que me aguarde… ou que me guarde, sei lá. O medo é grande, mas a esperança é maior. E ela não morre, mané! Tentam, tentam, e ela não morre. Acaba sempre vindo um professor (lato sensu, por favor) pra me mostrar que  ainda tá rolando. Tem sempre muita coisa em jogo pra se jogar.

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6 respostas em “Todo mundo tem um grande medo.

  1. E não é? Começo a minha facu lde historia ano que vem.. sobre o mesmo preceito.. fazer alguma coisa útil…

    fantástica sua idéia…

    olha.. tive uma experiência ocm criançs de 4 e 5 anos,e poutz… foi simplesmente fantástico.. basta lembrar como vc se sentia qdo tinha a idade deles.. tdo fica mais facil…

    parabens pela escolha, pela garra e coragem…

  2. Menos expectativa!!!
    Tenha certeza que seus primeiros anos como professora serão "medíocres". A faculdade ensina muito, mas só a sala de aula e a experiência irão te tornar o que vc almeja ser. Não vai ser no primeiro ano. Talvez nem no terceiro…
    Apenas não se deixe abater pelos primeiros insucessos e, por favor, não se torne como a maioria dos professores: acomodados, infelizes e parados no tempo…
    Sua sorte é que história é uma das matérias em que o professor de fato tem MAIS poder de transformação. Coisa que não acontece na área que eu escolhi, inglês. Mas faço a minha parte…
    😉

  3. Thiago,
    Fico feliz em saber da escolha e da intenção! Está ficando meio raro isso por aí… mas ainda existe, e isso já é ótimo.

    Mazzy,
    Estou me preparando psicologicamente pra esses insucessos não me abaterem! E, sabe, acho que em qualquer área é possível falar em transformação. Uma das pessoas que mais me fez enxergar isso foi um professor de física, acredita?

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