Agradecimentos e umas palavras sobre Diferença x Igualdade.

Puxa, mas que surpresa, eu… eu nem preparei um discurso!

É com muita, muita satisfação que eu anuncio que consegui  um segundo lugar no Concurso de Blogueiras promovido pela Lola! Não é legal, não é legaaaal? Mãe, pinta o oscár de prateado que ele é meu! Tá que segundo lugar é coisa de vascaíno/botafoguense, mas nesse caso específico é mó coisa bacana, já que esse blog tem poucos meses de vida e ainda tá começando a se entender enquanto sítio virtual. Eu queria agradecer à minha mãe, que me apoiou sempre durante essas duas décadas; à toda minha família, que reforça cotidianamente meu feminismo e esquerdismo querendo ou não; ao meu namorado, que me atura falando desse feminismo e desse esquerdismo e, de quebra, ainda dialoga comigo; aos meus amigos, que votaram de computadores diferentes e aos que esqueceram de votar; à rapêize que conheceu o blog através do concurso (e, principalmente, a que gostou, hehe); às blogueiras geniais que eu conheci e que agora preenchem meu tempo vazio nesse mundo de bytes com leituras que me dão muito o que pensar [Juro que já tô no fim, não toca a música ainda!]; à Raquel, que me deu aula semestre passado e que rendeu muito do que eu tenho escrito por aqui eeeeee finalmente e obviamente, à Lola, por ter feito esse concurso super bacana, ajudado a criar novas redes virtuais de blogueira/os e ainda ter posto um link pro Ou Barbárie no Blogroll dela.

(aliás, eu só aprendi o que é “blogroll” com esse concurso! é aquela listinha de blogs ali na coluna do lado, tá, gente?)

Quero aproveitar o tópico pra falar um pouco mais sobre o assunto do post que concorreu. Recebi comentários interessantes ao longo do concurso, que me fizeram querer trabalhar um pouco mais aquelas idéias por aqui. Vamos lá.

Quando se coloca uma idéia de uma fluidez maior em vez de dois extremos bem definidos – masculino x feminino – isso é um pouco assustador. É assustador em primeiro lugar porque os respectivos papéis sociais parecem tão claros (e fixos) mal a gente abre os olhos! Menino-carrinho e menina-boneca. E se o menino gosta de boneca, meu amigo, então ele não é menino. É “mulherzinha”, “bichinha”, etc. A questão é: dois aparelhos reprodutivos diferenciados não podem determinar comportamento esperado. Só que dizer isso, ainda mais quando se fala em sexualidade, faz muita gente sair correndo e gritando (ou, pior, ficar xingando e agredindo). Mesmo essa idéia do binômio fisiológico homem x mulher é bastante recente, se a gente pensar em termos históricos. O Thomas Lacqueur diz que essa noção bussexuada que a gente tem hoje data do século XVIII, ficando ainda mais rígida no século XIX, quando a medicina pintava em cores de montro a figura da mulher. Antes disso, até mil seiscentos e muito, mesmo o corpo biológico era visto com alguma fluidez, sendo a diferença dada em grau . [Esse livro do Laqueur – Inventando o sexo: corpo e gênero dos gregos a Freud – tá traduzido pra português, mas eu nunca tive tempo de ler. Li uma porção de gente falando sobre ele só. E creio que valha a pena!]

Mas há ainda mais que esse primeiro nível de susto. Porque mesmo nós, os superesclarecidos (ham-ham) ficamos é super-confusos na hora de trabalhar com a idéia da diferença. Afinal, é na diferença que se estabelece muitas vezes a força dos movimentos sociais. Se não queremos só bater nas teclas feminista e gay, o movimento negro é o exemplo perfeito. Como pleitear a merecida igualdade através da afirmação da diferença? Somos negros e não brancos. Somos oprimidos, não opressores. Questão antiga, maleável e delicada: Como ser diferente e ser igual?

É aí que a grande Joan Scott entra na jogada, com uma colocação que faz a gente se sentir bobo de tão esclarecedora:

“o verdadeiro antônimo da igualdade é a desigualdade, não a diferença, e o da diferença é semelhança, não igualdade”

(Scott apud Ergas, 1995, p. 593)

Bonito de se ler. A diferença é essencial, não é nela que mora problema algum. O problema mesmo é quando se hierarquiza as diferenças, é aí que nasce a desigualdade. Assim, defender a igualdade não significa ir contra a diferença, muito pelo contrário. Significar defender direitos universais para pessoas plurais. E não há nada de incoerente nisso.

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10 respostas em “Agradecimentos e umas palavras sobre Diferença x Igualdade.

  1. Olá Barbara, nunca comentei aqui. MAs acehie a questão de diferença X igualdade interessantíssima.

    Eu penso por uma questão social, pois moro em um bairro (muito) afastado do centro da capital de SP e as vezes me sinto vivendo em outra país. Quando comento com alguns colegas de trabalho estas diferenças no dia-a-dia só escuto pessoas reclamando, dizendo que eu faço drama, que me faço de coitado.

    É um pouco difícil pras pessoas aceitarem que vivemos em um país totalmente desigual…e, principalmente, que os privilégios que elas tem, é alicerce dessa desigualdade. Ninguém quer ser chamado de playboy…ninguém admite que vive bem…

    Enfim, acho que rola o mesmo com feminismo, racismo e todas essas merdas.. Questiono se todas essas definições pra definir os papeis na sociedade são realmente necessárias.

    Parabens pelo blog, vou passar mais vezes por aqui…

  2. Oi, Bárbara! Gostei do seu discurso de agradecimento pro Oscar! Eu ainda agradeceria aos meus gatinhos, que são uns fofos. E gostei muito deste post tb. Ótima a citação da Scott. Quase todo dia ouço esse argumento ridículo: já que somos diferentes, por que queremos direitos iguais? Como se diferença e desigualdade fossem sinônimos! Bom, gostaria de escrever mais, mas só vou poder respirar no final do mês… Ai, ai. Abração!

  3. parabéns pelo segundo lugar! eu to adorando conhecer blogs novos através do concurso.

  4. foucault tb fala umas coisas parecidas com Scott [embora eu msma tb só tenha ouvido falar e nunca tenha lido nenhum dos dois]. Parabéns pela vitória. Isso aqui tá cada vez melhor. Viva às semelhanças e diferenças. Qnd vc tiver um filho, darei uma boneca pra ele.
    bjo

  5. Adorei conhecer seu blog. Genial essa frase que fala do antônimo da igualdade. Genial.

  6. Gostei muito mesmo…realmente interessante e esclarecedora essa frase, tão simples!
    Parabéns também pelo prêmio!Fiquei feliz =) (apesar de estar no grupo dos amigos que esqueceram de votar…hehe)
    E toda vez que eu venho aqui fico querendo pensar umas coisas melhores pra comentar, mas sempre fico meio embasbacada…
    beijo enorme!

  7. Thiago, você tem toda a razão. A relação que as pessoas que estão nos lugares de dominantes tem com a diferença é mesmo uma coisa de doido. Querem distância do "Outro", mas adoram manter um discurso de fachada que não são melhores que ninguém. Isso é bem marcante no racismo aqui no Brasil, por exemplo, que ninguém admite de jeito nenhum. Tem uma pesquisa que aponta que as pessoas nunca se consideram racistas, mas todo mundo diz que conhece alguém que é. Como pode?

    Lola,
    Vai estudar, moça! Boa sorte no concurso.

    Astrocat,
    Eu também adorei conhecer blogs através do concurso. Sinta-se a vontade por aqui!

  8. Eliza,
    Eu e o Tito já estamos prontos pra isso, hahaha.

    Florinha,
    Me amarro quando você comenta aqui! Fico toda boba, haha.

  9. hahaha parabéns! eu votei na amanda (que ficou em terceiro), mas realmente não da pra saber quem mereceu mais, conheci blogs fodas nesse concurso! espero que o proximo traga boas leituras também!

    parabens, hein! 😉

  10. Pingback: Dia do Orgulho LGBT « …ou barbárie.

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