Anima Mundi: a arte de assassinar bichinhos

Hoje acabei furando o combinado de ir no Samba do Trabalhador com a rapêize da turma da Dialética da Carioquice (pasmem: uma matéria que fiz esse semestre!) pra ir ao Anima Mundi, que começou esse fim de semana no Rio e deve estar em São Paulo a partir do dia 22. Engraçado é que o Anima Mundi parece ser um evento muito maior aqui do que lá; fico me perguntando o porquê disso. Não sei exatamente como funciona a vida paulistana, mas a minha idéia genérica (e certamente envolta por um preconceitinho carioca) me faz pensar que esse tipo de evento deveria fazer muito sucesso lá. Vai saber!

Em todo o caso, assisti às sessões 1 e 2 dos Curtas competitivos e me amarrei bastante em alguns. É engraçado que eu tenho uma relação muito particular com animações: eu assisto que nem criança. E não pensem que isso significa outra coisa senão que desenho pra mim é assunto sério.

Ano passado eu levei meus primos pra assistir uma sessão infantil, que ficou contrastando muito na minha cabeça hoje, enquanto assistia os curtas censurados para maiores de 14 anos. Eu ficava pensando “ahh, talvez isso seja um troço que criança não entende”. Agrotóxicos, imigração ilegal, animaizinhos fofos assassinados a torto e a direito. Parece que nos filmes ‘pra adulto’, os autores tem mais liberdade, porque pegam as possibilidade infinitas da animação pra falar de coisas de um campo semântico que, normalmente, o desenho não dá conta. Senti uma coisa muito de arte mesmo. Uns filmes que eu nem me envolvia muito, mas respeitava pela técnica super sinistra e a temática abordada.

Mas a verdade é que, a despeito de eu ser totalmente leiga em “Animação”, tenho duas décadas de experiência em desenho animado. E é por isso que me interessa particularmente muito mais ver um filme envolvente do que um muito artístico que não me diz nada. Até porque, sendo mais acadêmica do que estou fazendo até agora, arte só é arte enquanto veículo de comunicação, enquanto significante. E assim como eu gostei muito de alguns infantis muito maneiros no ano passado, esse ano gostei de como alguns curtas usam de modo muito eficaz a elasticidade na fronteira entre o “mundo adulto” e o “mundo infantil”, usando desde de metáforas e alegorias sofisticadas até humor direto e cruel.

Um bom exemplo de todo esse meu lenga-lenga que temo que não faça sentido nenhum pra quem não viu os mesmos curtas que eu é o filme que eu sortudamente achei no youtube, Il Naturalista. Acho que, entre os meus amigos, foi o campeão do dia:

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3 respostas em “Anima Mundi: a arte de assassinar bichinhos

  1. eu tenho um caso sério com animação, então vou tentar me conter e não sair falando coisas sem sentido.

    parecem mesmo que são dois mundos diferentes, o filme comercial pra criança e o filme (chato) de estudante de arte, quando na verdade não precisa ter essa separação… tanto a animação pra criança pode ter experimentações muito interessantes como a animação adulta pode ser engraçada.
    hoje em dia a animação adulta já produz tanta coisa boa e comercial que é meio irritante as redes de tv passarem só simpsons…

  2. Eu amo o anima mundi. E tenho a mesma impressão que vc, no rio as pessoas ficam muito mais entretidas que em sp. E tb não entendo viu. Acho o mesmo do festival de cinema.

  3. Oi Chica!!

    Gui no anima mundi em Sào Paulo uma vez e o que eu reparei é que ele acontece num lugar só (qndo eu fui era a Bienal no Ibirapuera), ae eles montam uns cinemas dentroe acontece tudo lá. Ae parece que vc tah num mundi mesmo =) como aqui no RJ emeio espalhado, vc não tem uma sensação de mergulho…

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