Um diálogo acadêmico: o túnel no fim da luz?

A Academia não cansa de me surpreender negativamente. Lá na História as pessoas brincam sobre como é recorrente a crise “não era isso que eu queria” nos estudantes, que dá e passa e dá outra vez sem que a gente nem se dê conta direito. Mas é fato que volta e meia, em determinadas situações, presenciando certas coisas, ouvindo certos discursos, é inevitável pensar: “nossa, não foi pra isso que eu me inscrevi”.

Quando eu era pequena, provavelmente por causa da minha experiência familiar de ouvir sempre as histórias mais terríveis sobre a vida corporativa, a única certeza que eu tinha é que não queria trabalhar em escritório, ou que, pelo menos, faria o impossível para ser minha própria chefe. Era um tal de um querer puxar o tapete do outro, um querer se dar bem às custas do outro, um monte de gente louca e desvairada num ambiente maquiavélico em que você não podia confiar nem na própria sombra…

O tempo passou e foi batata: entrei no Pedro II e aquela porção de professores sindicalizados (ou, no mínimo, sensibilizados) fizeram um bom trabalho me tornando uma garota agnóstica, esquerdista e inexata – termo pelo qual meu tio físico se refere às pessoas de humanas.

Legal, fui pra UFF à procura de saberes e revoluções. Os saberes eu encontrei totalmente revirados; das revoluções é melhor nem falar muito. Pra resumir, a gente sai do ensino médio tendo aprendido que a História, linear e precisa, é uma narrativa recheada de causas e consequências (geralmente apresentadas em tópicos pra decorar pra prova), que evolui de teoria social em teoria social num processo nada dialético. Entramos na faculdade e da certeza absoluta passamos à desconstrução total: todos os “fatos” são na verdade uma sobreposições de versões e nada mais é verdade. Da evolução factual a gente passa para a Pós-Modernidade abstrata, e de lá saímos com um canudo na mão e com a missão de voltar ao ponto de partida, simplificando toda a desconstrução e confusão para contar pra mais uma porção de garotos quais foram as causas e as consequências da Revolução Francesa.

Agora, ao problema das revoluções. É aí que o bicho pega, porque resumir as complicações desse campo não é possível. Não que o mundo tenha se revelado um negócio totalmente indigno de dedicação e luta, muito pelo contrário. Algo do movimento estudantil e dos movimentos sociais em geral fez e ainda faz muitas vezes os meus olhos brilharem, apesar da montanha everéstica de pesares. O problema aqui é a Academia. Ninguém nunca teve a delicadeza de me avisar que os meus pesadelos infantis com a vida corporativa são totalmente transmutáveis para o ambiente acadêmico, muitas vezes de um jeito muito mais terripilante e nojento. A escalada pelo status intelectual como fim em si, a arrogância da aristocracia diplomada, a burocratização de corações e mentes, a política autoritária…

Mas como eu disse no começo, a Academia não cansa de me surpreender negativamente. Eu tenho um interesse particular pelas questões relacionadas a grupos minoritários, e a pauta do movimento negro na educação tem estado crescentemente na ordem do dia universitário. Legal, bacana, muita besteira sendo falada, muita coisa sendo determinada e muito pouco sendo cumprido no dia-a-dia escolar (isso fica pra outro post), mas de todo modo, a discussão e as ações por si só já são muito significativas. Tenho acompanhado essa história por dentro dos muros da universidade e fico sempre satisfeita quando percebo que os movimentos sociais têm conseguido vitórias nesse meio tão elitista que é o nosso.

Semana que passou, conversavam aluno e professor:

A: Ah, não aguento mais esse meu tema de monografia, muito chato. Quero estudar outra coisa!
P: Eu sou pelo movimento negro!

Ele é pelo movimento negro! Bacana a colocação política assim, na lata, né?

P: Eu sou pelo movimento negro porque é lá que está o dinheiro agora. Tem dinheiro pra publicar artigo, livro, pra viajar pra congresso…!

Uma daquelas situações que me faz olhar pro chão e pensar duas, três, trinta vezes. Passo a bola pra vocês, porque há muito o que pensar sobre esse breve diálogo. Como se dá realmente a inserção dos movimentos sociais na universidade? De que espécie é o interesse da maioria dos pesquisadores em relação ao seu objeto de estudo? Mais que isso: qual é o objetivo de certos pesquisadores em relação a suas pesquisas? Por que o CNPq tem ranking de produtividade medido por quantidade de trabalhos acadêmicos redigidos?

Esse post acabou ficando com jeito de túnel no fim da luz, mas não é bem isso. Existe vida na Academia, eu juro de pés juntos que existe. Eu já vi! Vejo quase todo dia. O jeito pernicioso com que as coisas operam pode ser subvertido com o povo dentro da universidade. É, o povo, essa palavra que tanta gente teme e que não quer perto de si.

Michael.

Não tenho muito o que dizer, na verdade, porque muita coisa já está sendo dita. A imprensa internacional nunca deixou Michael em paz e não é hoje, dia da sua morte, que isso acontece – muito pelo contrário.

Na tarde de hoje, eu e Tito assistíamos vídeos no youtube, quando eu procurei Heartbreak Hotel do Elvis e descobri uma música de mesmo título cantada pelo Michael num show. Começamos a passear de vídeo em vídeo, de Michael em Michael. Black or White, com aquela introdução característica que me remete ao tempo em que ele me foi apresentado como o rei do pop, quando eu tinha meus 5, 6 anos. Don’t stop ‘till you get enough, com a clássica puxada na manga e a pose de lado com a pélvis projetada pra frente, enquanto os dedos estalam. They don’t care about us, o clipe gravado no Brasil junto com o Olodum, no Pelô. Ríamos, dançávamos, cantávamos. Admirávamos o rei do pop, da dança, da música black or white.

Sei lá. Era muita loucura pra uma cabeça só. Um perfeccionismo violento pra si e pros outros… Mas ninguém nunca vai saber a “história verdadeira”. Michael Jackson foi histórias. De querido da imprensa pra demônio, não importa. Ele fez parte da história de todo mundo de alguma forma, mesmo que tenha sido quando aquela professora da primeira série obrigou as meninas se apresentarem pros pais dançando vestidas de Madonna e os meninos de Michael Jackson.

Recebi a notícia só agora à noite, no meio da aula de dança. Não acreditei. A cultura pop norte-americana perde seu ícone máximo. Cada um de nós perde o “áu!” acompanhado do chutezinho clássicos. E não importam processos, mentiras, verdades, abusos, alienação, MTV… Michael Jackson era FODA. Há que se admitir.

Já que falei de espelho: a fruta madura do corpo.

Essa coisa de blog que demanda certa constância de postagem e, consequentemente, de tempo e de assunto, é complicada… mas comprometi-me e cá estou, pra falar sobre um assunto que tem me perpassado nas últimas semanas.

Alguns acontecimentos me fizeram pensar em uma série de coisas que achei pesadas demais pra discutir aqui, mas identifiquei um pano de fundo geral interessante: o envelhecimento e a consciência do envelhecer. Pode parecer um assunto muito pretensioso pra mim, considerando que nem vinte anos eu completei ainda (e tenho poucos dias pra afirmar isso, então o faço com alegria), mas declaro desde já que falo desse lugar específico, o de pessoa de vinte anos que convive e observa sensações de pessoas de idades diversas e que, bem ou mal, experimenta o amadurecimento físico do corpo e a construção de uma memória de quase duas décadas.

A primeira coisa que vem na minha cabeça é a frase comum: “envelhecer é uma merda”. E por que envelhecer é uma merda?

Esse post não pretende ser um discurso do tipo “envelhecer é lindo, porque você fica super sábio, além do que a juventude é um estado de espírito… faça tai chi!”. O que eu quero observar aqui é esse lado orgânico que há em envelhecer, o corpo novo que amadurece e vai apodrecendo até deixar de viver, mas sem perder o caráter de matéria orgânica que carrega sempre em si uma possibilidade de vida.

Eu posso sentir isso na minha pele, a constante mudança de textura ao longo da última década. Há algo de muito fascinante em se perceber como um corpo orgânico, um organismo biológico, que funciona e se transmuta incontavelmente sem nem ligar se você está gostando ou não. Reparem no quanto a gente fica horroroso quando tem 13 anos. Todo mundo é feio quando tem 13 anos! O cabelo fica seco, a cara fica espinhenta e muito provavelmente o sorriso fica metálico.

Hoje minha avó acordou reclamando da dor de mais uma varize que estourou na perna dela. Minha mãe parece não sossegar enquanto não fizer a operação plástica para tirar as bolsas sob os olhos. Colágeno. Hidratante. Quadriderm.

Eu sempre fui perebenta. A minha pele absurdamente sensível manifesta sentimentos. Meus pais se separaram quando eu tinha 6 anos e estourou tudo quanto foi dermatite na pobre criancinha tristonha. O quão fantástico é isso? Ok, nem tanto assim, lembrando dos dias que eu correria em círculos fugindo do dermatologista no melhor estilho Tom e Jerry.

Mas voltando ao assunto, envelhecer é essencialmente estranho e desagradável, sim. Muito por conta dos padrões de beleza opressores que vigem, certamente, mas existe também o fator identitário do espelho: “essa daí não sou eu”.

O problema da auto-imagem devastador. Um dia minha mãe acordou e tinham bolsas sob os olhos dela, que não existiram durante todo o tempo anterior em que ela se olhava no espelho para se identificar. A questão é que gente se vê muito pouco (mesmo a minha mãe, que adora um espelho), tanto no espelho físico quanto no psíquico. E existe esse desejo desesperado de saber “quem eu sou”, de montar essa resposta, de reinventá-la cotidianamente. E olhar no espelho e ver que meu quem eu sou, que eu arduamente monto no salão de beleza e no perfil do orkut, e descobrir que ele tem bolsas sob os olhos é absolutamente terrível: é estranho. E como lidar com alteridade em si? É de endoidecer qualquer um. Porque a gente não tem consciência do corpo enquanto um indivíduo orgânico, comparável em processo a uma fruta. O corpo tem um significado precioso pra gente, e essa banhazinha que aquece o meu útero pode pôr abaixo tudo o que eu invento para ser e mostrar que sou.

Esse texto é mais uma descarga de impressões do que um texto que tenha início, meio e fim. O fato é que as representações do corpo amalucando tudo quanto é gente ao meu redor e fazendo com que essa gente queira que eu me amaluqueça também tem me deixado intrigada.

Isentar-se da cultura não dá, mas talvez o corpo que eu queira ter é o corpo tátil, que sente a si mesmo e ao outro corpo. Que, uma vez novo, vai tornando-se maduro, suculento, e o tempo faz apodrecer e cair na terra, morto.

A fruta morta na terra é vida. Da semente nasce a floresta. Eu sempre quis ser isso depois de morta, uma possibilidade de vida. E dispenso a vida eterna oferecida pelas grandes religiões; o corpo orgânico já é vida renovável.

E quem sabe essa história não entra na moda daqui a pouco? Com essa história eco-capitalismo aí…

Não é apenas o fim ou Erika Mader no espelho.

Na próxima sexta feira, 12 de junho, dia dos namorados e forca do feriado de Corpus Christi (alguém me explica isso?), estréia nos cinemas o filme Apenas o Fim, com aquele cara do Z.É. que não é o Adnet nem o Caruso e a sobrinha da Malu Mader. Quem me chamou atenção pra isso foi meu verde amigo Erick, que ficou muito interessado na película por ter se identificado bastante com o personagem do Gregório Duvivier.

Pois bem, lá fui eu ver o trailer. O que vem a seguir é uma opinião sobre um filme não visto, que será revisitada depois que eu o fizer, já que também fiquei curiosíssima. Gregório e Mader Jr vivem um casal universitário de classe “média” alta (uma produção PUC Rio!) que passa por uma crise no relacionamento, já que ela aparentemente está indo pra algum lugar longe dele. Até aí tudo bem, justifica-se o romance água com açúcar a estrear no Valentine’s Day brasileiro. A questão que quero centralizar aqui é a representação cômica, pra não dizer trágica, da parcelinha da população conhecida por variantes do rótulo “cult bacaninha”. A juventude alternativa burguesa se apresenta no filme em seu caráter pretensamente profundo e verdadeiramente raso. A patricinha pucquiana namora o nerd bonitinho de camisa los-hermânica e diálogos não menos los-hermânicos se passam, como:
– Falar sobre amor é muito clichê.
– Eu acho que falar que falar sobre amor é muito clichê é que é muito clichê.

Foto de álbum do amor alternativo no orkut?

As personagens do Gregório e da Érika Mader (cuja atuação já no trailer me dá arrepios) são assustadores retratos de gente que eu vejo todo dia perambulando pelos prédios do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da UFF. Esses óculos de abelha e essa produção de quem acorda três horas antes da aula só pra se arrumar não me engana um segundo: é Erika Mader quem me faz olhar pra mim mesma no espelho todo dia de manhã quando chego na faculdade e achar que tem alguma coisa errada comigo porque eu não depilo a perna todo dia e meu cabelo está todo desgrenhado. É Gregório Duvivier que toma café e filosofa com os amigos sobre astrologia e HQ’s enquanto fumam seus cigarros e exibem seu vastíssimo conhecimento. Érikas e Gregórios também são meus amigos, também me divertem e também me consolam e filosofam comigo enquanto eu tomo café. Eu também escuto Los Hermanos.

E é aí que mora o horror: será Apenas o Fim nós no espelho? Quero crer que não, pensando nas singularidades das pessoas que conheço e gosto nos meios universitários uffianos, lembrando que consigo ainda me incomodar com o fato de olhar pra tanta gente “diferente” e conseguir ver tanta repetição. Mas devo admitir que sim: há repetição, e quanta repetição. Outro dia um colega disse em alto e bom som: “somos todos burgueses!” e não conseguimos escapar da Melissinha vermelha, dos óculos de abelha, da camisa de flanela xadrez e do maldito linguajar intelectualóide. É difícil lutar contra uma seringa que te injeta desejos na veia como fossem necessidades vitais. É difícil não ser Erika e Gregório; a estética do alternativo é muito atraente e é fácil se deixar rotular por ela, porque “eu sou de humanas mesmo e me amarro num Radiohead”. Mas o buraco é bem mais embaixo. Usemos os óculos escuros que forem, a camisa xadrez que vier… o essencial é manter o profundo, o crítico, a transgressão. Eu não quero ser Erika Mader.

“Aquilo ali é homem ou mulher?”

Hoje, depois de duas faltas consecutivas (por bons motivos), fui ao curso de Mídia e Gêneros Sexuais que estou fazendo no IACS, coisa que me dá uma imensa preguiça só pelo deslocamento do Gragoatá. Felizmente, minha movimentação foi bastante recompensadora, a tal ponto que não sei se esse texto vai fazer muito sentido, já que as idéias ainda estão dançando na minha cabeça e a formulação de qualquer coisa concreta só vai se dar enquanto digito. Vamos lá.

Discutimos em sala um texto de uma colunista da Época, Eliane Brum, e voltei caminhando do IACS satisfeita com a convicção de que eu não precisava ser heterossexual. PÃ PÃÃÃÃÃ!!! Não, não estou declarando publicamente uma novíssima orientação sexual, para espanto dos meus amigos, meus leitores desconhecidos e meu maravilhoso namorado. A questão é justamente essa: pra que essa necessidade tão forte de classificar e rotular?

A colunista adota uma perspectiva bem relativizante em relação a isso, bem como o fazem Carla e Michele… pelo menos à primeira vista. O casal nega o rótulo de “homossexual” por acreditar numa realidade muito mais complexta em termos de sexualidade humana, onde não existem apenas homens que gostam de mulheres e vice-versa, homens que gostam de homens e mulheres que gostam de mulheres. Diz Carla: “existem mil e um ordenadores e arranjos possíveis no campo da sexualidade e, principalmente, uma infinidade de arranjos possíveis para um casal”. Eliane Brum, por sua vez, finaliza o texto de forma muito interessante, depondo que “cheguei a conclusão de que essa definição diz muito pouco sobre a complexidade do que somos. Está na hora de criar nomes mais fluidos, acho eu. Se alguém me perguntar se sou homo ou hetero, vou dizer: ‘Sou uma mulher às vezes masculina, às vezes feminina, que gosta de homens às vezes femininos, às vezes masculinos’ “.

Pois muito bem, tudo muito bacana e progressista. Tenho certeza que só até aí já teve um monte de gente fazendo careta e reafirmando para si mesmo uma série de posicionamentos sobre o assunto. Acontece que, pra mim, as pequenas caretinhas que fiz enquanto lia o texto foram provocadas pelo fato de que, o tempo todo, são utilizadas as categorias “homem” e “mulher”, “masculino” e “feminino”. O próprio casal afirma: “Somos mulheres e entendemos que, na vida, se é homem ou mulher. Para depois, a partir das determinações discursivas da época em que se vive, assim como a partir das marcas infantis, e assim como dos ‘bons encontros’ na vida, cada um vai se referenciando a partir do masculino ou do feminino enquanto posição psíquica”. Está delimitado: na relação, Carla é a ‘mulherzinha’, que gosta de bolsas e sapatos, é delicada e se sente atraída pelo “masculino”. Já Michele ocupa a posição de homem na relação, ou, como define ela mesma, a de “mulher masculina”. Eliane Brum deixa claro: “entendendo tanto o feminino quanto o masculino nas definições tradicionais inscritas na cultura”.

É aí que mora o perigo: relativiza-se o rótulo de “homossexual” e “heterossexual” por não darem conta da realidade. Mas a realidade fica coberta facilmente com os rótulos propostos de “homem masculino”, “homem feminino”, “mulher masculina” e “mulher feminina”? Quanto mais a sigla do movimento gay – atualmente LGBTTTS – vai ter que aumentar para que se consiga entender que não cabe rotular a sexualidade humana? A necessidade de enquadramento do desejo e do comportamento é extremamente opressora. É necessário responder à pergunta, e a resposta tem duas grandes possibilidades semânticas: Homem ou Mulher. O máximo do máximo do progresso que temos aqui é algum entrecruzamento nesses dois campos, mas o número de possibilidades é limitado e preciso. A resposta ainda é necessária. Para os outros, e, por isso, para si mesmo. Se chega um homem de cabelo comprido e gestos leves, o ambiente se perturba, as pessoas ficam inquietas. Se surge uma menina de roupas largas e de cabelo bagunçado, ninguém sossega enquanto não ficar declarado em que bloco classificativo colocar… “aquilo”. Isso só no nível da aparência, do comportamento mais superficial. Imagina rotular desejos? Vou me alongar ainda mais se me aprofundar aqui.

Mais tarde, nesse mesmo dia, assisti à uma aula de Psicologia da Educação. Mesmo sendo incoerente e não tendo lido o texto, não pude deixar de associar todo esse bololô de questões ao modelo de aprendizagem do Piaget, às fórmulas de auto-regulação do indivíduo. O que é necessário aqui é a passagem da heteronomia à autonomia: o sujeito precisa parar de se submeter às ordens dos outros – nesse caso à demanda opressora por uma classificação sexual – para a autonomia, à liberdade de transitar pelas possibilidades que de seu interesse forem, com formulações éticas próprias do que cabe ou não cabe a ele mesmo.