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Discurso de oradora da formatura da turma de 1.2011 – História UFF

4 out

A universidade é um período muito interessante da nossa vida. Que a gente cresce, vai se adultizando, mas que também é o auge da juventude. As maiores loucuras, as melhores aventuras e ao mesmo tempo, o descobrimento – ou melhor, a escolha – do que diabos você vai fazer com a sua vida. Todo mundo acha que ser estudante universitário é mole. “Aproveita!”, eles nos dizem. Mal sabem eles do delicado equilíbro que temos que segurar, como se fosse uma bandeja com uma garrafa em cima (de Itaipava, que é mais barato). Ao mesmo tempo que nós temos que cumprir a tarefa de sermos jovens, de sermos livres, de sermos tudo que todo mundo tem saudade de ser, temos que começar a construir as nossas vidas. É um equilíbrio delicadíssimo, que um dia chega ao pico: o dia da formatura. Tudo bem, todo mundo feliz, já entregou a monografia… Mas agora começa a vida. Agora não dá mais pra adiar, começou. E aí, meu amigo, é desespero total. Quem não sentiu, quem não sente aquela ansiedade da incerteza, da vida inteira pela frente, pra que acabaram de dar a largada? Talvez fosse mais tranqüilo se você tivesse feito Direito, já era efetivado no escritório ou então tinha passado num concurso e… Provavelmente a sua família inteira já te falou isso, então não vou falar de novo. Aliás, eu vou falar muito pelo contrário. Vou falar pros pais: Pais, a gente fez História. A gente se formou em História. Eu não sou mais só o revolucionariozinho nos almoços de domingo em família, eu sou um revolucionariozinho formado em História. E sabe o que eu vou fazer com isso? Sabe? Tem gente que ainda não sabe responder essa pergunta, é verdade. Mas acho que muitos sabem. É difícil entrar e sair da História e não se tornar professor.

Reza a lenda que a gente sai cheio de sonhos transformadores da licenciatura e logo, logo se decepciona no exercício do magistério. “Reza a lenda” nada, eu já li isso em uma porção de textos e já ouvi de muitas bocas. Mas eu espero profundamente que não. Eu espero profundamente que a gente consiga encarar a realidade de frente, dê um tropeço ou outro, mas que possamos transpor toda a dificuldade ainda carregando no coração os nossos sonhos. O caminho da História não é um dos mais fáceis de todos. É um dos mais difíceis, mas também é um dos mais bonitos. E é por isso que a sua família deve se orgulhar de você não ter feito Direito (se alguém tiver feito Direito, sem ofensas). Numa simplificação grosseira, eu posso afirmar que História é o estudo das transformações no tempo. A disciplina da História tem a ver intimamente com a palavra transformação. E não importa o que certos Fukuyamas da vida possam ter dito, a História não acabou, e o presente é um momento histórico passível de transformação. Só que transformação, meus amigos, só se faz com sonho. E, pra nossa sorte, sonho é a especialidade máxima da juventude. Independente do caminho que cada um escolha daqui pra frente, estamos formados em História. E isso significa que não importa o quanto o presente pareça engessado, o quanto o mundo pareça triste… Como disse o poeta russo Maiakowski, “o mar da História é agitado” e havemos de atravessá-lo, cortando as ondas, se continuarmos tendo como combustível nossos sonhos.

O pior machista é aquele que não quer ver?

9 out

Vou dizer pra vocês que tem uns três ou quatro rascunhos aqui de quase-voltas à ativa do blog. Vamos ver se esse vai tirar a sorte grande e receber o clique no botão “publicar”!

Eu teria falado de stress, da Cássia Eller e de outras coisas. Mas já que o destino chama, vou falar do pilar mais forte desse domínio internético (depois da poesia, quantitativamente): feminismo.

Sabe o que é? É que esse assunto nunca fica velho. Não fica, porque quando a gente perde o foco nos preconceitos de gênero, quando a gente fala de política, de futebol… lá estão os ditos cujos pra te chamar de volta à pentelha realidade. Felizmente, esses chamados serviram pra reavivar em mim (decisivamente?) a vontade de usar o blog. Nem bem vontade, aliás, mas necessidade, importância.

A blogosfera é uma coisa fascinante. Estar envolvido nela, aliás, consome mais tempo e energia do que os que estão de fora podem imaginar. Porque são milhares de pessoas com milhares de domínios fascinantes falando sobre as coisas mais interessantes do mundo (Lógico que também tem um monte de lixo, mas em geral só se “perde” tempo com o que interessa, né). E não se trata simplesmente de entretenimento. A internet é um instrumento político muito poderoso. Os críticos da tecnologia que me dêem licença (incluindo as vovós preocupadas como a minha e provavelmente a sua), mas se você não usa esse instrumento politicamente… na moral, tá ficando pra trás. Quem me fez atentar pra isso, com palavras mais eruditas e um discurso bem mais completo, foi um mexicano chamado Guillermo Orozco, numa conferência sobre Educação, Cultura e Mediações Tecnológicas. Fica o crédito e o agradecimento do nosso ressurgente blog insurgente (que ele nunca vai ver, mas tá tranquilo!).

Voltando ao assunto anunciado, vou contar uma historinha. Era uma vez um curso de História onde realiza-se um campeonato de futebol intitulado Copa Histórica Ciro Flamarion Cardoso*. Aí na edição desse ano, a comissão organizadora impediu que meninas se inscrevessem na Copinha. Aí as meninas e alguns meninos ficaram injuriados e divulgaram na internet uma reunião para debater o que poderia ser feito em relação ao assunto. Ora, pela internet o assunto se difundiu e outras meninas e al guns meninos também ficaram injuriados. E reclamaram.

Realmente, o Ciro não é muito fã das feministas.

Pois certos meninos ficaram injuriados foi com essas reclamações. Eles se sentiram acuados pelas manifestações em repúdio ao ocorrido e partiram pras justificativas: “Não sou machista…

… mas futebol é um esporte de contato, as meninas são frágeis, vão se machucar.

… concordo que as meninas devam jogar. Elas podem organizar uma Copa feminina!

… só estou alertando às meninas que a competição é séria, não é brincadeira. Elas não tem malícia suficiente para jogar futebol sério, que pode machucar.

… acho que a manifestação é válida, só acho que falar que tudo é machismo é muito anos 60!

E a melhor de todas, que merece menção honrosa:

… não estou dizendo que as mulheres são frágeis, só que é impensável nessa sociedade um homem machucar uma mulher, mesmo se for sem querer! Porque se isso acontecer, sempre há consequências!

Ahh, então é medo de ser enquadrado na Lei Maria da Penha!

Bom, contei essa historinha com fins meramente ilustrativos de algumas questões importantes. Primeiro eu pensei em dizer que o pior tipo de machista é aquele que não quer ver, tipo o ditado do cego. Mas não sei dizer se é pior isso ou bater no peito pra dizer que bate em mulher. A questão é similar àquela abordada no brilhante post da Mari, falando da galera que nega o marxismo a todo custo e consegue ser mais deplorável do que um cara que se assume orgulhosamente sua condição de direitista. O problema é que ninguém quer realmente responder àquela antiga pergunta publicitária: onde você guarda o seu preconceito?

Só que assim… preconceito não se guarda. Preconceito é necessariamente ativo, necessariamente fere. Você pode ser o cara mais legal do mundo, o mais gente boa, o mais politizado… mas foi só desviar o olhar, amigo, foi só fechar a cara que o alvo do teu preconceito sentiu. E antes fosse só isso.

Ninguém gosta de ouvir que é machista, que é racista, que é elitista… Então as pessoas tendem a ficar extremamente na defensiva. Ou então na ofensiva mesmo, achando que todo esse meu papo é muito chato, coisa de mulher mal amada, mal comida, etc. Feminista então, acho que é o treco mais chato do universo. Coisa ultrapassada! Ninguém gosta, só serve pra estragar a piada e implicar com a conversa.

Ainda assim, compensa. Eu tenho certeza que as pessoas que impediram as meninas de se inscreverem na Copinha, com as melhores das intenções do universo!, tiveram que minimamente refletir sobre o ocorrido. E isso serve. Serve inclusive pra eu voltar com esse bloguinho querido. A discussão tá rolando. Quero ver se as meninas não vão jogar essa Copinha! Ou o machismo enrustido cede, ou o machismo se proclama e aí vamos para a batalha campal! =)

Mas tem que ver essa parada aí da lei Maria da Penha…

Hahaha.

 

* Adendo: O prof. Ciro Flamarion nada tem a ver com esse episódio! Nem imaginei que meu texto poderia ter deixado essa interpretação em aberto, mas aparentemente deixou, então é importante esclarecer. A copinha é um evento informal organizado por alguns alunos da História, que deram o nome do Ciro à ela como homenagem, já que ele é o grande nome do departamento. Como marxista ferrenho, ele declarou algumas vezes que não é muito fã das teorias de gênero e do feminismo acadêmico, por isso a piadinha na legenda da foto dele.

A cereja no bolo dos Unibandidos

8 nov

Petição contra o que houve na Uniban: http://www.petitiononline.com/unitalib/petition.html Assinem!

*

Nos últimos dias, o calor carioca voltou com tudo. Mais que  isso:  tem com certeza uma bela pitada de aquecimento global nisso, porque eu tô até desanimada de tão sufocante que tá a atmosfera. O vento do meu ventilador tá quente, a água da bica tá quente, minha cabeça tá quente… quente, quente, quente. Sexta feira, eu fui apresentar um trabalho num colóquio sobre Educação, Cidadania e Exclusão na UERJ (aliás, desrespeito total do evento com os trabalhos dos estudantes, colocados num lugar e horário nada a ver, já que ninguém tá nem aí pro conhecimento procalorduzido pela graduação mesmo). O semblante das pessoas que eu encontrei pelo caminho, principalmente no metrô, voltando pra casa, era deprimente. Sabe quando as pessoas tão literalmente derretendo? Aquela expressão de pré-desmaio, as milhares de  gotinhas pelo rosto, roupas abafadas, nenhuma circulação de um ventinho que fosse…  Parafraseando uma moça no metrô, se na Terra é assim, mermão, imagina no inferno!

Bom, o fato é que, depois da bizarrice ocorrida na Uniban, eu não pude deixar de notar as roupitchas que o pessoal tem usado por aí. Calor saiados infernos = roupas frescas. Muita mulher de saínha e top, muito homem sem camisa. Nada mais natural, certo? Eu, se pudesse, tinha tirado a roupa  toda e me enfiado dentro de um freezer. Aí eu andava pela rua pensando: “Imagina essas pessoas no interior de São Paulo… iam ser linchadas, uma por uma“. Eu não tenho o costume de usar roupas muito curtas, pelo motivo simples de que as acho desconfortáveis, na maior parte das vezes. Mas… oi? Calor dos infernos? Eu arregaço manga, levanto saia, o que preciso for pra não fritar. Mas agora eu faço isso e penso: “Tem gente que agrediria por isso“. Eu não sou o melhor exemplo de alguém que usa o que se poderia chamar de “roupas provocantes”. Mas eu moro no Rio, sinto calor e  tô cagando e andando pra o que as pessoas pensam sobre as dimensões da minhas roupas. Inclusive , tô  mais pro problema contrário: se uma menina usa roupa larga, deixa de depilar a perna durante uma semana, corta o cabelo de um jeito diferente… Cuidado com a lésbica! Ela pode te pegar!

Bom… tô cagando e andando pra essas coisas em termos. Porque, olharem torto pra você na rua já é suficientemente ruim. Seja por um problema na sua aparência impecável de menininha, seja um olhar pra sua bunda combinado a alguma cantada grosseira. Mas agora tem mais essa (sempre teve, pessoal, só que agora tá na mídia): é possível ser agredida, encurralada, desmoralizada e… tcharããããnz! Jubilada da universidade que você estuda! Porque a má publicidade pra fabriqueta de diplomas foi toda culpa sua, e não dos ogros malditos que deram uma de puritanos enraivecidos pra cima de você. Ah, cara, pera aí! Pára o mundo que eu quero descer!

Agora, a cereja da cereja do bolo: a nota publicitária da Uniban para esclarecer a expulsão:

uniban

É uma pérola, não é? Traduzindo a linguagem burocrática para o bom português, esse documento aí também tá gritando “Puta! Puta!” junto com o bando de ogros desgovernados. Afinal, foi a Geysi que teve desrespeito “aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade”, não a turba enraivecida. E a mídia? Detonou a Uniban! Nada a ver! Tinha mais é que ter caído em cima da puta!

Nem tenho muito estômago pra falar muito mais sobre esse episódio, jogo a bola pra vocês. Porque o que ele me traz é um asco imediato, mas também mais uma coisa: me dá medo. E não é só medo do montro social em que eu me encontro inserida, mas medo físico do que diabos pode acontecer comigo um dia, com as minhas amigas, minhas pessoas queridas… Medo de gente, medo da condição feminina uniban292x280que acarreta muita coisa numa sociedade machista tão contraditória e esquizofrênica. Mas, enquanto a gente pode, a gente grita, a gente vai pra cima. Vamos tentar dar uma força pra Geyse, porque essa história não pode acabar assim. Há uma petição on-line em repúdio à atitude da Uniban: http://www.petitiononline.com/unitalib/petition.html. Às vezes redes de solidariedade podem funcionar de alguma forma, sei lá. Eu sei que estou triste. E com muito calor.

Fim do lero-lero: dei aula.

1 out

Mudança é aquele negócio: você passa dias tirando caixa de uma casa pra levar pra outra e no final não tá com mais nenhuma vontade de abrir nenhuma, de arrumar nada. Eu deixei as caixas fechadas aqui no blog e fiquei com uma certa preguiça de voltar – a verdade é que eu meio que esqueci, hehe. Que se abra a primeira caixa! Vejamos o que tem dentro.

Parece que ultimamente a vibe de ser professora tem estado em pico dentro de mim. Sabe quando o futuro parece a dois passos de distância? Tenho mais que pensado sobre isso, tenho sentido, tenho me preparado. Outra coisa que vem se delineando é o meu possível tema de monografia. Ontem escrevi um email pedindo bibliografia a um professor e mó simpatizei com ele (com o tema, não com o professor)! Mas minha vó diz que certas coisas é melhor não falar antes que esteja certo. Beleza então, vó.

Acontece que dei minhas primeiras aulas para mais que uma pessoa ao mesmo tempo. Na verdade, pra duas turmas de mais ou menos 30 pessoas. Turmas de licenciatura da UFF, curso de Didática. Eu deveria falar sobre ensino das chamadas relações étnico-raciais na escola, leis, livros didáticos. Sei que no fim da última aula uma das últimas palavras pronunciadas foi “utopia”. E nem fui eu que falei. Vamos lá.

Quinta feira passada foi o primeiro dia. Eu fiquei tão enjoada de nervoso que não comi nada o dia inteiro. Nunca tinha pensado nos efeitos biológicos de dar aula; já tinha pensado que eu ia chorar, me descabelar, etc., mas não que ia passar mal. Mas isso é mais pro fim da história. Cheguei na sala e a professora estava lá, me apresentou e foi embora. Ficamos eu e um monte de gente que, se não da minha idade, mais velhos que eu. Puxei de primeira meu trunfo: “Gente… eu tô muito nervosa. Então sejam compreensivos, tá?”, acho que funcionou. A conversa fluiu e as pessoas participaram. Foi bem legal, saí de lá feliz. Só uma reclamaçãozinha de uma menina quando pedi que lessem um texto pra próxima aula: “SEIS páááginas???”. Mas ela era de matemática, e nem pareceu gostar muito de mim. Relevei.

No mesmo dia, a segunda turma. Enquanto a primeira tinha uma maioria de pessoas de história, a segunda se dividia entre pessoal de matemática e de biologia, mais três meninas da psicologia e uma de enfermagem. E a despeito da minha solidão de área ali, essa turma foi absolutamente fantástica! A ponto de o debate se acalorar tanto que eu tive que pedir encarecidamente que voltássemos ao foco, já que eu falo baixo, estava nervosa e não tinha como competir com eles, hehe. Mas foi muito irado.

Terça feira: segunda aula. Como minha experiência de aluna me avisou que por motivos quaisquer quase ninguém teria lido o texto que pedi, resolvi passar alguns trechos do meu querido Escritores da Liberdade, que poderiam suscitar discussões importantes relacionadas as relações culturais na escola. Minha idéia original era lermos as diretrizes curriculares nacionais (insira aqui o comprido nome do documento) e debatermos, mas isso acabou não rolando. Aliás, acho que um post sobre essa história toda pode ser uma boa. Digam o que acham, por favor.

A primeira turma foi mais complicada nesse dia. Eu continuava nervosa e, como a turma é grande e a rotatividade também, muita gente que não havia ido na primeira aula foi na segunda, assim como muita gente que foi na primeira não apareceu nessa. Aí ficou aquela coisa, todo mundo meio quieto, meio sem saber qual era a minha, etc. Falei um pouco, passei os trechos do filme, propus o debate. Silêncio. Tentei argumentar sobre a importância do assunto, sobre como não costumamos discuti-lo em sala… Silêncio. Apelei pra novos argumentos: a professora não está aqui, temos a oportunidade de discutir o que julgarmos interessante. Se minha proposta não foi interessante, que conversássemos outras coisas! Mas era legal aproveitar o espaço. Nessa hora, diante do meu desespero/silêncio constrangedor, algumas pessoas começaram a falar. Deu um debatezinho, mas uma parte da turma estava quieta ou dispersa. Num dos meus silêncios, a menina da matemática que reclamou das seis folhas me pergunta: “já acabou?” com algum desdém. “Não, não acabei”. “Não vai ter chamada?!” - tomei esse direto. Sofri o golpe do vai-ter-chamada! Que vacilo, mané. Essa pergunta é mais cruel do que se imagina. “Não, não vai ter chamada… vou dar presença pra todo mundo, quem quiser pode ir embora”. Eles sugeriram que eu passasse mais um pouco do filme, e foi o que fiz. Acho que a menina da matemática ficou meio constrangida e ficou na aula até o fim. Saí meio desanimada de lá.

No intervalo entre as aulas, fui ler um texto no C.A. de história. O pessoal resolver pintar as paredes com várias zoações. Notei que nenhuma pichação era uma citação revolucionária, como costumam ser as de paredes de centros acadêmicos e de grêmios. Zoaram até o pôster do Che. A pós-modernidade naquilo me desanimou, talvez porque eu já estivesse num clima meio acinzentado.

Fui pra segunda turma. Cara, como eles são bacanas! Sorte a minha. Como eu já esperava, o debate comeu solto. Chegava às FARC e eu tinha que puxar de volta. Chegava ao Che e eu tinha que retomar o foco. Santa turma de biologia! hehehe. O debate ficou mais centrado no papel do professor na transformação social, enquanto o tema do racismo ficou sendo transversal. Mas foi bom, foi ótimo. No fim da aula, uma menina muito inteligente e simpática (falha minha não lembrar o nome dela) me perguntou até que ponto o professor é responsável por mudar a realidade dos alunos. Ela disse isso com uma preocupação genuína, argumentando que acha que é papel do professor problematizar a realidade em alguma medida, mas não dar conta da educação total de uma pessoa. Concordei, argumentamos não lembro exatamente o que e eu terminei dizendo que achava que, se no fim de um ano letivo inteiro, de um semestre ou de uma aula, sei lá, se no fim disso nenhum dos seus alunos saísse da sala pensando alguma coisa de modo diferente do que ele pensava antes, aí tinha alguma coisa muito errada. E foi nessa hora que veio. Um menino que não havia falado nada até então disse algo como: “Nós precisamos ter como referência a Utopia. Na prática, problematizar a realidade aos poucos, mas ter como referência a Utopia”. Abri o sorriso. Acho que tá bom de relato já.

Daqui a pouco saio para as últimas aulas. Hoje nem vai ser muito emocionante, vou só monitorar um trabalho lá que eles tem que fazer. Mas vai ser a oportunidade de agradecer pela experiência incrível que eu tive.

Ah, esqueci de dizer que no primeiro dia, como não tinha comido nada o dia inteiro e peguei um ônibus super lotado pra ir pra casa, no maior trânsito, desmaiei e fiz uma pobre moça levantar, passando a viagem toda em pé. Ossos do ofício? hehehe.

Quero mais! :D

(aula, desmaio não)

PS: Sou mongol e não sei colocar fotos no wordpress.

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