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Encontro Nacional das Blogueiras Feministas e o otimismo na mala.

24 out

Mudei o layout, geeente! Brigada, Nessa Guedes, por me dar a dica simples, mas preciosa dos menus! =) Agora é vermelhou o curral, chalalalaláááá

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Como eu espero que alguns de vocês saibam, nesse fim de semana aconteceu no Instituto Rosa Luxembourg, em Pinheiros, São Paulo, o I Encontro Nacional das Blogueiras Feministas. O grupo, que nasceu como uma lista de e-mails para reunir o que pareciam ser as poucas feministas presentes na blogosfera, se desenvolveu e se afirmou, no encontro, como um coletivo político suprapartidário (mas de esquerda, tá? não sou eu quem fala, é a Simone de Beauvoir quem diz!) super plural e promissor.

“Promissor” não no sentido de que é ainda uma idéia promissora, porque nesse um ano, mesmo sem muitas de nós nos conhecermos pessoalmente – o que felizmente mudou -, o Blogueiras Feministas ganhou proporções muito bacanas e atuou pra caramba na luta pela igualdade de gênero. Eu não vou conseguir lembrar de tudo (me ajude quem puder), mas as diversas blogagens coletivas, a participação nas Marchas das Vadias em todo o país, a adesão à Frente Naciona de Luta contra a Criminalização da Mulher e pela Legalização do Aborto, o diálogo com Iriny Lopes e a SPM foram algumas das ações de sucesso citadas dessa nossa caminhada bonitona. A “promessa” está no grande otimismo que todas as participantes do encontro parecem ter levado na mala (incluo aqui as que não participaram presencialmente, mas que acompanharam por streaming), que nos deu um gás incrível pra criar novas estratégias de luta e aumentar o nosso raio de ação.

Pra mim, foi uma experiência completamente nova. Nunca havia participado de uma lista de e-mails que não fosse de algum grupo já consolidado na vida real – e certamente de nenhuma lista com essa dimensão (hoje somos cerca de 420 pessoas!). Embora já fosse claro que o Blogueiras não fosse mais simplesmente uma lista há muito tempo, foi só no encontro que caiu a minha ficha de que, caramba, esse é um coletivo político de fato. Muita gente menospreza a internet como meio de articulação política, sacaneando os “revolucionários de facebook”. Mas negar a importância capital desse mundo de comunicação é querer ser cego. A praça Tahir e a ocupação de Wall Street, para que as redes sociais tiveram importância capital, tão aí pra esfregar na cara dos céticos que a virtualidade também é material, e os movimentos sociais tradicionais precisam se apropriar dela. A internet hoje, além de lugar pra paquerar e jogar fazendinha, é um campo de disputa ideológica que nós precisamos disputar. Foi inclusive uma das nossas deliberações correr atrás de promover oficinas de blogagem pra militância “dinossaura” e pra juventude.

Eu aprendi um milhão de coisas nesse encontro, conheci um monte de gente bacana e tô animadassa. Nada como um sopro revolucionário no nosso rosto pra dar aquela revigorada e fazer querer seguir em frente. Temos muito contra que lutar, é verdade, mas também tem muita gente boa nesse mundo. E tenho a impressão de que não sou só eu que estou com esse óculos revolucionário na vista, mas que as crises também estão fazendo surgir muita movimentação interessante. Vamo que vamo, meu povo! Correr atrás do que eu quero, do que as blogueiras feministas querem: igualdade.

Algumas das mais de 400 blogueiras feministas.

PresidentA. Com A.

5 jan

Eu queria começar dizendo que não sou petista. Eu juro! Hehehe.

Ainda assim, votei na Dilma no segundo turno das eleições e comemorei a vitória discretamente, da mesma forma que sorri no dia 1 de janeiro desse ano, quando lembrei que o Brasil tinha a primeira presidenta mulher.

- QUÊÊÊÊ?!?! PRESIDENTAAA! Não existe “presidenta”, sua burra!!!! Aiiiii!

Então, existe a palavra “presidenta”. Você pode não gostar dela, não usá-la,

Ex-presidentA Bachelet.

achar que ela macula a sagrada Constituição do seu país… Mas ela existe. Pode procurar no dicionário, pode googlar

Ontem minha avó, fiel ouvinte da Rádio Globo, veio me dizer que era um absurdo a tal da Dilma querer ser chamada de presidenta. Vale lembrar que minha vó é uma dessas pessoas que odeia a Dilma só por odiar, só porque a Rádio Globo falou. Enfim, ela me disse que ouviu alguém muito conceituado e importante dizer que a Dilma não poderia ter o título de presidenta porque esse cargo não existia na Constituição. O que tava escrito lá era “presidente”, então ela era presidente e pronto.

A essa pessoa tão distinta e culta faltou considerar que a Constituição não é um documento portador da verdade absoluta e isenta sobre a nação. Ela foi escrita por gente, ela é um produto histórico e, assim, está recheada com diversas ideologias e preconceitos vigentes na nossa sociedade. Eu digito isso e me sinto meio boba, porque parece tão óbvio, tão repetitivo, tão raso. Mas não é! PUTZ! Nego é mongol! Que inferno, mané!

 

PresidentA Kirchner.

Tudo bem, tudo bem… nem tão mongol assim. Gente que manda essas asneiras em geral não é nada burro. Taí o artigo do Alberto Dines pra provar (tudo bem que ele já tá meio gagá, mas vamos lá). Além de mandar esse mesmo argumento sobre a redação da Constituição, ele ainda argumenta que reivindicar a palavra “presidenta” é ir contra a luta feminista. Realmente, pra conseguir escrever um texto aparentemente coerente que defenda essa idéia, tu deve ter que ser muito inteligente! Nas ciências humanas a gente descobre que é possível “provar” qualquer merda se você tem uma redação minimamente aceitável.

Mas graças aos céus nós também não somos mongóis. Sabemos que a palavra “presidenta” não apenas é correta na língua portuguesa (e se não fosse, sinceramente, e daí?), mas está aí pra marcar o fato de que o cargo de Presidente da República é agora ocupado por uma mulher. UmA. Mulher.

A gramática da língua portuguesa é toda machista, nunca vi nenhum desses paladinos da verdade e da justiça reclamarem. Agora que só essa palavrinha foi proferida pra marcar uma conquista das mulheres nesse país, fudeu. Crime constitucional!

Eu não sou petista. E não apóio a Dilma pelo fato de ela ser uma mulher, como um amigo meu esses dias veio argumentar. Mas eu sou feminista, e não posso fechar os olhos para o fato de que o Brasil tem uma mulher na presidência. E isso incomoda muito, incomoda demais. Desde que o nome Dilma foi lançado pra concorrer ao cargo, começaram os ataques, esses sim pelo fato de ela ser uma mulher. A roupa da Dilma. O rosto da Dilma. A idade da Dilma. O divórcio da Dilma. A plástica da Dilma. O guarda-roupas da Dilma. A vice-primeira-dama da Dilma.

A presidenta Dilma. Com A.

E olha que hoje só é dia 5 de janeiro.

A culpa é de quem?

7 abr

Ontem o Rio de Janeiro sofreu sua pior tempestade dos últimos 44 anos. Na verdade parece ter sido pior que a de 1966, mas acho que os jornalistas não encontraram em seus arquivos milimetragens anteriores e a comparação ficou nisso mesmo. A mídia, como de costume, se banqueteou em tragédias e declarações infames de autoridades. Hoje a cidade acordou totalmente devastada, física e emocionalmente. Foram 100 mortos. Mas se há uma brecha azul no céu, não há tempo a perder: os trabalhadores já correm atrás da produtividade perdida.

O dia seguinte me assusta, talvez até mais do que a ininterrupta chuva torrencial e os ventos uivantes que mal nos deixaram dormir. O medo está calcado nas declarações de prefeitos, governador e presidente da república, que parecem aproveitar a calamidade pra pavimentar e fortalecer um grande projeto de remoções de moradores de favelas.

As remoções não são idéia nova. Falar dela lembra a muitos de décadas passadas, depoimentos de pessoas idosas, sofrimentos antigos. Acontece que a questão não é tão essa: as remoções não são coisa antiga. Elas estão mais presentes do que nunca e parecem ganhar cada dia mais força nos governos atuais.

Ontem ouviu-se repetidamente o seguinte diagnóstico: a culpa das mortes dos moradores de áreas de riscos, que foram maioria dentre os números gerais, é da insistência destes nas ocupações irregulares. Isso mesmo: a culpa dos mortos é deles mesmos. É fruto da ignorância desses pobres que não arredam o pé dos seus casebres caindo aos pedaços. Cabral só falava nisso. E jogava a responsabilidade para Paes, oferecendo toda a ajuda do governo do estado para resolver essa situação. O próprio Lula ontem comentou que já tinha tentado pessoalmente remover moradores de áreas de risco e, não adianta, eles não querem por nada sair de lá!

Não é um projeto de urbanização massivo nas favelas, não é infra-estrutura, não é planejamento urbano, não é nada disso: tem que “controlar as ocupações irregulares”, tem que “remover os moradores”. Enfim, tem mais é que acabar com as favelas. Principalmente quando elas fizerem os desfavor de se enfiarem em áreas de alta especulação imobiliária, como a Rocinha e o Santa Marta.

As autoridades estão cimentando seu discurso facista com as mortes de ontem. E esse discurso encontra cada vez mais eco na mídia e na cabeça dos eleitores. Como será o amanhã? Que recuperação da cidade será essa? O Rio de Janeiro pra Comitê Olímpico ver? Veremos o resultado após os comerciais. Plim-plim.

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