Eu queria começar dizendo que não sou petista. Eu juro! Hehehe.
Ainda assim, votei na Dilma no segundo turno das eleições e comemorei a vitória discretamente, da mesma forma que sorri no dia 1 de janeiro desse ano, quando lembrei que o Brasil tinha a primeira presidenta mulher.
- QUÊÊÊÊ?!?! PRESIDENTAAA! Não existe “presidenta”, sua burra!!!! Aiiiii!
Então, existe a palavra “presidenta”. Você pode não gostar dela, não usá-la,
achar que ela macula a sagrada Constituição do seu país… Mas ela existe. Pode procurar no dicionário, pode googlar…
Ontem minha avó, fiel ouvinte da Rádio Globo, veio me dizer que era um absurdo a tal da Dilma querer ser chamada de presidenta. Vale lembrar que minha vó é uma dessas pessoas que odeia a Dilma só por odiar, só porque a Rádio Globo falou. Enfim, ela me disse que ouviu alguém muito conceituado e importante dizer que a Dilma não poderia ter o título de presidenta porque esse cargo não existia na Constituição. O que tava escrito lá era “presidente”, então ela era presidente e pronto.
A essa pessoa tão distinta e culta faltou considerar que a Constituição não é um documento portador da verdade absoluta e isenta sobre a nação. Ela foi escrita por gente, ela é um produto histórico e, assim, está recheada com diversas ideologias e preconceitos vigentes na nossa sociedade. Eu digito isso e me sinto meio boba, porque parece tão óbvio, tão repetitivo, tão raso. Mas não é! PUTZ! Nego é mongol! Que inferno, mané!
Tudo bem, tudo bem… nem tão mongol assim. Gente que manda essas asneiras em geral não é nada burro. Taí o artigo do Alberto Dines pra provar (tudo bem que ele já tá meio gagá, mas vamos lá). Além de mandar esse mesmo argumento sobre a redação da Constituição, ele ainda argumenta que reivindicar a palavra “presidenta” é ir contra a luta feminista. Realmente, pra conseguir escrever um texto aparentemente coerente que defenda essa idéia, tu deve ter que ser muito inteligente! Nas ciências humanas a gente descobre que é possível “provar” qualquer merda se você tem uma redação minimamente aceitável.
Mas graças aos céus nós também não somos mongóis. Sabemos que a palavra “presidenta” não apenas é correta na língua portuguesa (e se não fosse, sinceramente, e daí?), mas está aí pra marcar o fato de que o cargo de Presidente da República é agora ocupado por uma mulher. UmA. Mulher.
A gramática da língua portuguesa é toda machista, nunca vi nenhum desses paladinos da verdade e da justiça reclamarem. Agora que só essa palavrinha foi proferida pra marcar uma conquista das mulheres nesse país, fudeu. Crime constitucional!
Eu não sou petista. E não apóio a Dilma pelo fato de ela ser uma mulher, como um amigo meu esses dias veio argumentar. Mas eu sou feminista, e não posso fechar os olhos para o fato de que o Brasil tem uma mulher na presidência. E isso incomoda muito, incomoda demais. Desde que o nome Dilma foi lançado pra concorrer ao cargo, começaram os ataques, esses sim pelo fato de ela ser uma mulher. A roupa da Dilma. O rosto da Dilma. A idade da Dilma. O divórcio da Dilma. A plástica da Dilma. O guarda-roupas da Dilma. A vice-primeira-dama da Dilma.
A presidenta Dilma. Com A.
E olha que hoje só é dia 5 de janeiro.

















duzido pela graduação mesmo). O semblante das pessoas que eu encontrei pelo caminho, principalmente no metrô, voltando pra casa, era deprimente. Sabe quando as pessoas tão literalmente derretendo? Aquela expressão de pré-desmaio, as milhares de gotinhas pelo rosto, roupas abafadas, nenhuma circulação de um ventinho que fosse… Parafraseando uma moça no metrô, se na Terra é assim, mermão, imagina no inferno!
dos infernos = roupas frescas. Muita mulher de saínha e top, muito homem sem camisa. Nada mais natural, certo? Eu, se pudesse, tinha tirado a roupa toda e me enfiado dentro de um freezer. Aí eu andava pela rua pensando: “Imagina essas pessoas no interior de São Paulo… iam ser linchadas, uma por uma“. Eu não tenho o costume de usar roupas muito curtas, pelo motivo simples de que as acho desconfortáveis, na maior parte das vezes. Mas… oi? Calor dos infernos? Eu arregaço manga, levanto saia, o que preciso for pra não fritar. Mas agora eu faço isso e penso: “Tem gente que agrediria por isso“. Eu não sou o melhor exemplo de alguém que usa o que se poderia chamar de “roupas provocantes”. Mas eu moro no Rio, sinto calor e tô cagando e andando pra o que as pessoas pensam sobre as dimensões da minhas roupas. Inclusive , tô mais pro problema contrário: se uma menina usa roupa larga, deixa de depilar a perna durante uma semana, corta o cabelo de um jeito diferente… Cuidado com a lésbica! Ela pode te pegar!
que acarreta muita coisa numa sociedade machista tão contraditória e esquizofrênica. Mas, enquanto a gente pode, a gente grita, a gente vai pra cima. Vamos tentar dar uma força pra Geyse, porque essa história não pode acabar assim. Há uma petição on-line em repúdio à atitude da Uniban: 
Andaram dizendo: