A universidade é um período muito interessante da nossa vida. Que a gente cresce, vai se adultizando, mas que também é o auge da juventude. As maiores loucuras, as melhores aventuras e ao mesmo tempo, o descobrimento – ou melhor, a escolha – do que diabos você vai fazer com a sua vida. Todo mundo acha que ser estudante universitário é mole. “Aproveita!”, eles nos dizem. Mal sabem eles do delicado equilíbro que temos que segurar, como se fosse uma bandeja com uma garrafa em cima (de Itaipava, que é mais barato). Ao mesmo tempo que nós temos que cumprir a tarefa de sermos jovens, de sermos livres, de sermos tudo que todo mundo tem saudade de ser, temos que começar a construir as nossas vidas. É um equilíbrio delicadíssimo, que um dia chega ao pico: o dia da formatura. Tudo bem, todo mundo feliz, já entregou a monografia… Mas agora começa a vida. Agora não dá mais pra adiar, começou. E aí, meu amigo, é desespero total. Quem não sentiu, quem não sente aquela ansiedade da incerteza, da vida inteira pela frente, pra que acabaram de dar a largada? Talvez fosse mais tranqüilo se você tivesse feito Direito, já era efetivado no escritório ou então tinha passado num concurso e… Provavelmente a sua família inteira já te falou isso, então não vou falar de novo. Aliás, eu vou falar muito pelo contrário. Vou falar pros pais: Pais, a gente fez História. A gente se formou em História. Eu não sou mais só o revolucionariozinho nos almoços de domingo em família, eu sou um revolucionariozinho formado em História. E sabe o que eu vou fazer com isso? Sabe? Tem gente que ainda não sabe responder essa pergunta, é verdade. Mas acho que muitos sabem. É difícil entrar e sair da História e não se tornar professor.
Reza a lenda que a gente sai cheio de sonhos transformadores da licenciatura e logo, logo se decepciona no exercício do magistério. “Reza a lenda” nada, eu já li isso em uma porção de textos e já ouvi de muitas bocas. Mas eu espero profundamente que não. Eu espero profundamente que a gente consiga encarar a realidade de frente, dê um tropeço ou outro, mas que possamos transpor toda a dificuldade ainda carregando no coração os nossos sonhos. O caminho da História não é um dos mais fáceis de todos. É um dos mais difíceis, mas também é um dos mais bonitos. E é por isso que a sua família deve se orgulhar de você não ter feito Direito (se alguém tiver feito Direito, sem ofensas). Numa simplificação grosseira, eu posso afirmar que História é o estudo das transformações no tempo. A disciplina da História tem a ver intimamente com a palavra transformação. E não importa o que certos Fukuyamas da vida possam ter dito, a História não acabou, e o presente é um momento histórico passível de transformação. Só que transformação, meus amigos, só se faz com sonho. E, pra nossa sorte, sonho é a especialidade máxima da juventude. Independente do caminho que cada um escolha daqui pra frente, estamos formados em História. E isso significa que não importa o quanto o presente pareça engessado, o quanto o mundo pareça triste… Como disse o poeta russo Maiakowski, “o mar da História é agitado” e havemos de atravessá-lo, cortando as ondas, se continuarmos tendo como combustível nossos sonhos.











Andaram dizendo: