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A Polícia vai à escola.

7 dez

Último trabalho da faculdade entregue = Novo Post! (um pouco relacionado à coisas faculdadescas, é claro)

Durante esse ano, por causa do meu trabalho de monitoria na faculdade de Educação da UFF, acabei participando de uma pesquisa na qual precisei fazer observação de uma turma de 5º ano num colégio estadual de Niterói, o IEPIC (espero que ninguém me processe ou algo do tipo por dizer qual foi o colégio, minha orientadora no projeto falava sempre que devemos manter o sigilo nesse casos, mas… ahn, nem vou manter). Não se preocupem, crianças, não falarei do cotidiano da escola nem da turma, mas de um episódio que a sorte me fez presenciar e que muito me incomodou.

Eu costumava ir ao colégio às terças feiras pra assistir as aulas de história, mas um dia, por algum motivo que não me lembro, acabei indo na quinta. A professora tinha esquecido de me dizer, mas toda quinta feita a polícia militar tinha 1 hora de aula com a turma, e só depois ela começava a aula de história. Ahm… Quê?! A PM tem 1 hora semanal com uma turma de 4ª série??? Pra fazer o que, meu deus?

Mais tarde, o diretor da escola me informou que o IEPIC é considerado uma área de risco social e, portanto, todos os procedimentos burocráticos do colégio tem que passar não só pelo crivo do governo do estado do Rio, mas pela autorização da PM. A Rafaela, uma menina muito fofa da turma, já tinha me contado sobre um episódio em que pessoas armadas haviam invadido a escola e que tinha sido uma tensão só. Mas voltemos ao episódio da quinta feira.

Pois bem. Entrei na sala de aula, sentei no fundo da sala como sempre e esperei. Entrou uma PM - mulher é claro, que lugar de mulher é cuidando de criança – muito bonita e simpática, com quem eu já tinha cruzado no colégio outras vezes. Ela estava fardada e, a título de observação, um policial militar fardado está necessariamente armado. Ela distribuiu para as crianças uma apostila da PMERJ toda ilustrada e legalzinha, que, pelo que eu folheei, continha historinhas, passa-tempos e exercícios ensinando às crianças a como não ser um traficante, digo, a como ser um cidadão de bem.

Como todo mundo sabe, toda criança pobre e/ou negra e/ou favelada tem um destino iminente: se tornar bandido. E todo mundo sabe também que bandido na favela = traficante. Ora, a PMERJ, inteligentemente, resolveu cortar o mal pela raiz! Mostrar às crianças, através de uma cidadã pedagogia da repressão, o que elas podem tentar fazer pra se converterem em cidadãos do bem! Porque, assim, é claro que não é isso que vai efetivamente salvá-los, mas talvez, com sorte, daqueles 20 alunos, 3 ouçam a PM e só 17 se tornem traficantes.

Era engraçado ver como, ao contrário do comportamento que as crianças tinham com a professora, que fazia uma linha dura e as repreendia com frequência, a hora com a policial militar era o momento que eles tinham pra não prestar a mínima atenção, pra zoar um pouquinho. E a PM, coitada, sem nenhum controle da turma e, duvido muito que com uma formação pedagógica no curso da PM, ficava falando sozinha lá na frente. Como é que dá pra salvar os pequenos marginais nessas condições? Dificulta, né, gente?

Conversei com amigos sobre essa experiência e um deles me falou sobre um colégio em São Paulo que também tinha essa relação com a polícia. Uma viatura ficava parada na porta da escola e, quando alguém fazia alguma besteira, se comportava mal, os professores mandavam os alunos não mais pra direção, mas pra se entender com a PM armada, que os ameaçava de tudo quanto é jeito. “Aqui dentro não posso te fazer nada, mas lá fora…”! Bonito de se ver.

Fui procurar no site da PM alguma coisa sobre algum projeto de educação de proto-marginais de menó, mas não tinha nada específico. A única coisa que havia era, numa listagem de atribuições da Polícia Militar, o dever de atuar “no apoio a órgãos públicos, estaduais e municipais, em atividades como ações junto à população de rua e trato com crianças e adolescentes em situação de risco social“. E que trato é esse que o Estado Policial tem com os jovens “em situação de risco social”? Considerá-los marginais a priori, bandidos em potencial, com o código genético propenso à barbárie. E dentro dos muros da escola, isso é feito com apostilinha e professora-militar, mas fora, é feito com porrada.

Tô escrevendo esse post mais numa de desabafo e de pedido de esclarecimento. Se alguém souber mais sobre esse programa da PMERJ dentro da escola, me ajudará muito contando um pouco mais.  Eu achei um artigo na Fanzine Cartel do Rap, de que participam meus amigos Danilo e Mano Zeu, falando sobre o programa Patrulha Escolar, implementado em 2004 pelo governo Requião em 2004. Infelizmente o artigo não dá maiores informações sobre o programa em si, embora deixe bem explícito o caráter repressivo do programa, que bota a polícia dentro da escola.

Argh, viu.

Usos freireanos (e umas dicas de livros)

15 out

Hoje é dia do professor! Graças a deus tá sol e o pessoal pode descansar feliz na praia, alunos e professores cansadinhos. Como eu só falo de professor e educação nesse blog, uso a desculpa “não poderia deixar de mencionar esta data!” pra ver se tomo vergonha na cara e atualizo isso aqui. Não sei, o wordpress com toda a sua praticidade e beleza me quebrou o costume de postar com alguma regularidade, mas vou ver se volto a pensar nisso como antes. Enfim: bom descanso pros professores, que é o que esse dia realmente é. Espero que recebam os devidos carinho e reconhecimento pelo menos hoje, já que nos outros 364 dias do ano tem gente recebendo 540 reais por mês no estado do Rio pra trabalhar feito um condenado em condições aviltantes, isso quando o salário não atrasa. As minhas saudações solidárias a quem não deixa a peteca cair e continua acreditando na construção de saberes conjunta e na reflexão crítica em sala de aula.

Obviamente eu tô me referenciando no maior educador brasileiro, no mais incrível, mais inteligente, não é um pássaro, não é um avião… dã, pauloé o Paulo Freire. Tem umas coisas que parece que a gente já nasceu sabendo. Eu não me lembro em que momento ouvi esse nome pela primeira vez, de quando associei o nome à pessoa e à obra. Parece que eu sempre soube que Paulo Freire foi um educador crítico brasileiro, vários livros, várias Pedagogia do(a) __. Paulo Freire é uma unanimidade na sociedade brasileira, ou melhor, é um consenso. Eu fico imaginando que nos gabinetes de professores das faculdades de Educação do país inteiro está lá, uma fotinho dele, uma citação dele pregada no mural, um livrinho, alguma coisa. Consenso e onipresente. Tô falando besteira, tá? Tô falando de uma impressão.

Maneiro. Todo mundo ama o Paulo. Todo mundo lê os livros deles, todo mundo acha que ele é demais. O primeiro livro dele que eu li foi o Pedagogia da Autonomia, pequenininho e baratinho, super fácil de achar. Um livro primário, meus professores todos devem ter lido na graduação. “O clima de respeito que npedagogia da autonomiaasce das relações justas, sérias, humildes, generosas, em que a autoridade docente e as liberdades dos alunos se assumem eticamente, autentica o caráter formador do espaço pedagógico” – ahm… não, é absolutamente impossível que certos professores meus tenham lido isso. Não leram! Se leram, riram, viraram a página, fecharam o livro, jogaram no lixo. E eu não estou falando de professores exautos com as péssimas condições de trabalho a que são submetidos, a quem não se pode culpar pela falta de vigor nas aulas. Tô falando de galera com doutorado, professor de faculdade, cheio de “flozô”, como diria minha avó.

O segundo livro que li foi Educação como prática de liberdade. educaEsse livro é lindo. E tem uma questão interessante pelo contexto histórico em que foi escrito – o Francisco Weffort (que escreve uma introdução maravilhosa) e o Paulo estão animadíssimos, em plena luta contra a ditadura. “O mundo não está, o mundo está sendo”; um contexto de mudanças profundas estava armado. Esse livro eu li por indicação de um professor meu, também com pós-doc, mas não tão afetado pelo “flozô”, hehe.

Agora eu tô lendo Medo e Ousadia: o cotidiano do professor, graças ao meu amigo Adolpho (valeu, Adolpho!). Me identifiquei com o título de primeira, hehehe, já que medo não me falta, mas também não falta vontade. Esse livro é mais recente, mas também é muito interessante. Ele é de 1986, mas têm um formato inovador: é a transcrição de um diálogo entre o Paulo e omedoeousadia Ira Shor, um professor universitário norte-americano mais novinho que ele, mas muito preocupado com as reivindicações contra a desigualdade que estavam em alta nesse momento (e ainda estão) – gênero, raça, cultura. É muito legal mesmo, leve de ler por ser uma conversa, mas muito inteligente e bem feito. Também é um livro lindo, cheio de questões práticas, mas também cheio de teor ideológico, revolucionário. “O sonho é um sonho possível ou não? Se é menos possível, trata-se, para nós, de saber como torná-lo mais possível”.

Mas, depois das dicas, volto à questão dos usos. É lógico que os usos de Paulo Freire não se restringem aos professores que professam, mas o desconsideram na prática. Tem um número enorme de professores competentes que fazem usos inteligentes dele, com leituras diferenciadas, mas úteis, críticas também. O que me incomoda muito é que, sob esse falso consenso, há usos muito esquisitos do Paulo. Uma coisa é ler criticamente, outra coisa é distorcer. E outra coisa muito pior é colar uma fotinho do paulo no mural e fazer as maiores atrocidades na prática docente. Como isso é comum! De todo modo, acho que até os mais atrozes não escapam de ler a frasesinha no mural e, quem sabe, refletir minimamente sobre ela. Pelo menos isso.

“O meu discurso sobre a Teoria deve ser o exemplo concreto, prático, da teoria. Ao falar da construção do conhecimento, criticando sua extensão, já devo estar envolvido nela, e nela, a construção, estar envolvendo os alunos”

Paulo_Freirecaricatura

Fim do lero-lero: dei aula.

1 out

Mudança é aquele negócio: você passa dias tirando caixa de uma casa pra levar pra outra e no final não tá com mais nenhuma vontade de abrir nenhuma, de arrumar nada. Eu deixei as caixas fechadas aqui no blog e fiquei com uma certa preguiça de voltar – a verdade é que eu meio que esqueci, hehe. Que se abra a primeira caixa! Vejamos o que tem dentro.

Parece que ultimamente a vibe de ser professora tem estado em pico dentro de mim. Sabe quando o futuro parece a dois passos de distância? Tenho mais que pensado sobre isso, tenho sentido, tenho me preparado. Outra coisa que vem se delineando é o meu possível tema de monografia. Ontem escrevi um email pedindo bibliografia a um professor e mó simpatizei com ele (com o tema, não com o professor)! Mas minha vó diz que certas coisas é melhor não falar antes que esteja certo. Beleza então, vó.

Acontece que dei minhas primeiras aulas para mais que uma pessoa ao mesmo tempo. Na verdade, pra duas turmas de mais ou menos 30 pessoas. Turmas de licenciatura da UFF, curso de Didática. Eu deveria falar sobre ensino das chamadas relações étnico-raciais na escola, leis, livros didáticos. Sei que no fim da última aula uma das últimas palavras pronunciadas foi “utopia”. E nem fui eu que falei. Vamos lá.

Quinta feira passada foi o primeiro dia. Eu fiquei tão enjoada de nervoso que não comi nada o dia inteiro. Nunca tinha pensado nos efeitos biológicos de dar aula; já tinha pensado que eu ia chorar, me descabelar, etc., mas não que ia passar mal. Mas isso é mais pro fim da história. Cheguei na sala e a professora estava lá, me apresentou e foi embora. Ficamos eu e um monte de gente que, se não da minha idade, mais velhos que eu. Puxei de primeira meu trunfo: “Gente… eu tô muito nervosa. Então sejam compreensivos, tá?”, acho que funcionou. A conversa fluiu e as pessoas participaram. Foi bem legal, saí de lá feliz. Só uma reclamaçãozinha de uma menina quando pedi que lessem um texto pra próxima aula: “SEIS páááginas???”. Mas ela era de matemática, e nem pareceu gostar muito de mim. Relevei.

No mesmo dia, a segunda turma. Enquanto a primeira tinha uma maioria de pessoas de história, a segunda se dividia entre pessoal de matemática e de biologia, mais três meninas da psicologia e uma de enfermagem. E a despeito da minha solidão de área ali, essa turma foi absolutamente fantástica! A ponto de o debate se acalorar tanto que eu tive que pedir encarecidamente que voltássemos ao foco, já que eu falo baixo, estava nervosa e não tinha como competir com eles, hehe. Mas foi muito irado.

Terça feira: segunda aula. Como minha experiência de aluna me avisou que por motivos quaisquer quase ninguém teria lido o texto que pedi, resolvi passar alguns trechos do meu querido Escritores da Liberdade, que poderiam suscitar discussões importantes relacionadas as relações culturais na escola. Minha idéia original era lermos as diretrizes curriculares nacionais (insira aqui o comprido nome do documento) e debatermos, mas isso acabou não rolando. Aliás, acho que um post sobre essa história toda pode ser uma boa. Digam o que acham, por favor.

A primeira turma foi mais complicada nesse dia. Eu continuava nervosa e, como a turma é grande e a rotatividade também, muita gente que não havia ido na primeira aula foi na segunda, assim como muita gente que foi na primeira não apareceu nessa. Aí ficou aquela coisa, todo mundo meio quieto, meio sem saber qual era a minha, etc. Falei um pouco, passei os trechos do filme, propus o debate. Silêncio. Tentei argumentar sobre a importância do assunto, sobre como não costumamos discuti-lo em sala… Silêncio. Apelei pra novos argumentos: a professora não está aqui, temos a oportunidade de discutir o que julgarmos interessante. Se minha proposta não foi interessante, que conversássemos outras coisas! Mas era legal aproveitar o espaço. Nessa hora, diante do meu desespero/silêncio constrangedor, algumas pessoas começaram a falar. Deu um debatezinho, mas uma parte da turma estava quieta ou dispersa. Num dos meus silêncios, a menina da matemática que reclamou das seis folhas me pergunta: “já acabou?” com algum desdém. “Não, não acabei”. “Não vai ter chamada?!” - tomei esse direto. Sofri o golpe do vai-ter-chamada! Que vacilo, mané. Essa pergunta é mais cruel do que se imagina. “Não, não vai ter chamada… vou dar presença pra todo mundo, quem quiser pode ir embora”. Eles sugeriram que eu passasse mais um pouco do filme, e foi o que fiz. Acho que a menina da matemática ficou meio constrangida e ficou na aula até o fim. Saí meio desanimada de lá.

No intervalo entre as aulas, fui ler um texto no C.A. de história. O pessoal resolver pintar as paredes com várias zoações. Notei que nenhuma pichação era uma citação revolucionária, como costumam ser as de paredes de centros acadêmicos e de grêmios. Zoaram até o pôster do Che. A pós-modernidade naquilo me desanimou, talvez porque eu já estivesse num clima meio acinzentado.

Fui pra segunda turma. Cara, como eles são bacanas! Sorte a minha. Como eu já esperava, o debate comeu solto. Chegava às FARC e eu tinha que puxar de volta. Chegava ao Che e eu tinha que retomar o foco. Santa turma de biologia! hehehe. O debate ficou mais centrado no papel do professor na transformação social, enquanto o tema do racismo ficou sendo transversal. Mas foi bom, foi ótimo. No fim da aula, uma menina muito inteligente e simpática (falha minha não lembrar o nome dela) me perguntou até que ponto o professor é responsável por mudar a realidade dos alunos. Ela disse isso com uma preocupação genuína, argumentando que acha que é papel do professor problematizar a realidade em alguma medida, mas não dar conta da educação total de uma pessoa. Concordei, argumentamos não lembro exatamente o que e eu terminei dizendo que achava que, se no fim de um ano letivo inteiro, de um semestre ou de uma aula, sei lá, se no fim disso nenhum dos seus alunos saísse da sala pensando alguma coisa de modo diferente do que ele pensava antes, aí tinha alguma coisa muito errada. E foi nessa hora que veio. Um menino que não havia falado nada até então disse algo como: “Nós precisamos ter como referência a Utopia. Na prática, problematizar a realidade aos poucos, mas ter como referência a Utopia”. Abri o sorriso. Acho que tá bom de relato já.

Daqui a pouco saio para as últimas aulas. Hoje nem vai ser muito emocionante, vou só monitorar um trabalho lá que eles tem que fazer. Mas vai ser a oportunidade de agradecer pela experiência incrível que eu tive.

Ah, esqueci de dizer que no primeiro dia, como não tinha comido nada o dia inteiro e peguei um ônibus super lotado pra ir pra casa, no maior trânsito, desmaiei e fiz uma pobre moça levantar, passando a viagem toda em pé. Ossos do ofício? hehehe.

Quero mais! :D

(aula, desmaio não)

PS: Sou mongol e não sei colocar fotos no wordpress.

Todo mundo tem um grande medo.

16 ago
Todo mundo tem um grande medo. Medo de morrer, de não ser amado, de perder, de ser caluniado… sei lá. O meu grande medo é não conseguir ser realmente útil. Não me lembro bem quando, mas parece que já vem de muito tempo essa minha necessidade de empregar a minha vida em alguma coisa que seja minimamente significativa nesse mundo enlouquecido. Pensei, pensei, e resolvi ser professora. Provavelmente porque, do que testemunhei nesse pouco tempo de vida, foram professores (no âmbito das profissões) que vi tocarem mais profundamente corações e mentes de pessoas, contribuindo de verdade pra que elas se desenvolvessem autonomamente. Cara, eu conheci professores incríveis. A tal ponto que talvez eu tenha escolhido essa empreitada numa tentativa meio torta de reproduzir essas histórias, “manter a chama viva”, hehe. Mas ao passo que a minha graduação vai se aproximando perigosamente do seu fim e os devaneios e anseios ameaçam virar realidade palpável… aí, meu amigo, eu fico tensa. E os melhores professores passam de inspiração a um retrato daquilo que eu posso não conseguir ser, não conseguir fazer.
A verdade é que eu sempre acreditei na minha capacidade pra fazer as coisas, quando eu quero mesmo. Mas, diferentemente da minha mãe que acha que tudo que eu fizer na vida com dedicação vai ser o máximo, eu enxergo percalços. E que percalços! Eu tenho me imaginado entrando na sala de aula pela primeira vez… e até eu me tornar a Miss G do Escritores da Liberdade, muitas águas vão rolar. Todos os professores adoram contar como é difícil no começo, como eles chegavam em casa chorando todo dia e pensando em desistir, como eles ainda hoje têm medo de aluno. Opa, ponto pra mim! Eu já tenho medo de todos os meus futuros alunos!Como é que eu, Bárbara Araújo Machado, com essa cara de Zé Ruela, vou conseguir? Porque eu quero muito. A coisa que eu mais odeio nessa vida é fazer as coisas mal feitas (entendam bem: fazer as coisas que importam mal feitas, porque de resto, hehe, não tem problema não). Até eu me tornar a Miss G., a Marisol, o Zé Cláudio e cia., eu vou ficar muito bolada. Vou chorar, vou me descabelar, vou ser infeliz e vou querer morrer.

Ok, aham, eu sei que as coisas não funcionam assim. Não é uma linha ascendente em cujo topo está escrito “parabéns, agora você é uma professora revolucionária bacana e amada!”. Mas, pô, estamos aqui falando sobre um Grande Medo. E grandes medos nem são racionais. Eu sei que eu vou ter dias ruins e dias incríveis. Mas olhando pro Panteão dos professores… Querido gênio da lâmpada, eu quero ser foda assim também! Quero que os meus alunos sintam isso que eu senti, que eu sinto tantas vezes, quando parece que toda a esperança foi pro lixo. Porque educação é isso, cara. É esperança, porque é a visão de possibilidade de transformação das coisas. E eu me acho super expert em Educação, aliás. Só li dois livrinhos do Paulo Freire e assisti àlgumas aulas na FEUFF, mas sou aluna há 20 anos, sempre atenta aos trâmites, processos, dinâmicas.

Foi só depois que eu entrei na faculdade de história que eu aprendi o que diabos história é – ou melhor, o conceito bonitinho para o que deveria ser: o estudo das mudanças no tempo (“,etereologia?”). Ouvi dizer que História é o seguinte: o conhecimento sobre as transformações que a humanidade engendrou ao longo do tempo. E sabe o que isso me faz sentir? Esperança. Importante distinguir: esperança aqui não é do verbo esperar-aguardar. É do verbo acreditar-agir. Possibilidade de mudança.

Miss G. que me aguarde… ou que me guarde, sei lá. O medo é grande, mas a esperança é maior. E ela não morre, mané! Tentam, tentam, e ela não morre. Acaba sempre vindo um professor (lato sensu, por favor) pra me mostrar que  ainda tá rolando. Tem sempre muita coisa em jogo pra se jogar.

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