Puxa, mas que surpresa, eu… eu nem preparei um discurso!
rdismo e, de quebra, ainda dialoga comigo; aos meus amigos, que votaram de computadores diferentes e aos que esqueceram de votar; à rapêize que conheceu o blog através do concurso (e, principalmente, a que gostou, hehe); às blogueiras geniais que eu conheci e que agora preenchem meu tempo vazio nesse mundo de bytes com leituras que me dão muito o que pensar [Juro que já tô no fim, não toca a música ainda!]; à Raquel, que me deu aula semestre passado e que rendeu muito do que eu tenho escrito por aqui eeeeee finalmente e obviamente, à Lola, por ter feito esse concurso super bacana, ajudado a criar novas redes virtuais de blogueira/os e ainda ter posto um link pro Ou Barbárie no Blogroll dela.
(aliás, eu só aprendi o que é “blogroll” com esse concurso! é aquela listinha de blogs ali na coluna do lado, tá, gente?)
Quero aproveitar o tópico pra falar um pouco mais sobre o assunto do post que concorreu. Recebi comentários interessantes ao longo do concurso, que me fizeram querer trabalhar um pouco mais aquelas idéias por aqui. Vamos lá.
Quando se coloca uma idéia de uma fluidez maior em vez de dois extremos bem definidos – masculino x feminino – isso é um pouco
assustador. É assustador em primeiro lugar porque os respectivos papéis sociais parecem tão claros (e fixos) mal a gente abre os olhos! Menino-carrinho e menina-boneca. E se o menino gosta de boneca, meu amigo, então ele não é menino. É “mulherzinha”, “bichinha”, etc. A questão é: dois aparelhos reprodutivos diferenciados não podem determinar comportamento esperado. Só que dizer isso, ainda mais quando se fala em sexualidade, faz muita gente sair correndo e gritando (ou, pior, ficar xingando e agre
dindo). Mesmo essa idéia do binômio fisiológico homem x mulher é bastante recente, se a gente pensar em termos históricos. O Thomas Lacqueur diz que essa noção bussexuada que a gente tem hoje data do século XVIII, ficando ainda mais rígida no século XIX, quando a medicina pintava em cores de montro a figura da mulher. Antes disso, até mil seiscentos e muito, mesmo o corpo biológico era visto com alguma fluidez, sendo a diferença dada em grau . [Esse livro do Laqueur - Inventando o sexo: corpo e gênero dos gregos a Freud - tá traduzido pra português, mas eu nunca tive tempo de ler. Li uma porção de gente falando sobre ele só. E creio que valha a pena!]
Mas há ainda mais que esse primeiro nível de susto. Porque mesmo nós, os superesclarecidos (ham-ham) ficamos é super-confusos na hora de trabalhar com a idéia da diferença. Afinal, é na diferença que se estabelece muitas vezes a força dos movimentos sociais. Se não queremos só bater nas teclas feminista e gay, o movimento negro é o exemplo perfeito. Como pleitear a merecida igualdade através da afirmação da diferença? Somos negros e não brancos. Somos oprimidos, não opressores. Questão antiga, maleável e delicada: Como ser diferente e ser igual?
É aí que a grande Joan Scott entra na jogada, com uma colocação que faz a gente se sentir bobo de tão esclarecedora:
“o verdadeiro antônimo da igualdade é a desigualdade, não a diferença, e o da diferença é semelhança, não igualdade”


Andaram dizendo: