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	<title>...ou barbárie.</title>
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		<title>...ou barbárie.</title>
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		<title>O amor no tempo da madureza</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Jan 2012 14:56:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bárbara Araújo Machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Barbárie prosaica]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
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		<description><![CDATA[Ontem fui ao show do Chico Buarque aqui no Rio, um dos muitos que ele tá fazendo nessa turnê do novo álbum, &#8220;Chico&#8221;, de 2011. Durante o show, me peguei agradecendo a deus pela existência da Thais Gulin, sua nova namorada e musa inspiradora óbvia das últimas composições. Cheguei a comentar com minha mãe &#8211; [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=949&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Ontem fui ao show do <strong>Chico Buarque</strong> aqui no Rio, um dos muitos que ele tá fazendo nessa turnê do novo álbum, &#8220;Chico&#8221;, de 2011. Durante o show, me peguei agradecendo a deus pela existência da <strong>Thais Gulin</strong>, sua nova namorada e<a href="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2012/01/chicoetais.png"><img class="alignright size-medium wp-image-950" title="chicoetais" src="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2012/01/chicoetais.png?w=300&#038;h=210" alt="" width="300" height="210" /></a> musa inspiradora óbvia das últimas composições. Cheguei a comentar com minha mãe &#8211; <em>chiquete</em> apaixonada desde novinha &#8211; que <strong>esse álbum seria um dos melhores que ele já fez</strong>, do que ela discordou, lembrando de todas as coisas tão mais geniais que ele já compôs na vida. Talvez ela tenha razão, mas o fato é que esse álbum tem uma doçura que o distingue como conjunto do resto da obra do Chico. Não só porque é um disco de um homem apaixonado, mas porque<strong> é um disco de velhinho</strong>. Chico está com 67 anos, Thais tem 31. Esse texto não pretende fazer uma análise do álbum, coisa que o meu amigo Ivan Martins já fez muito bem <a href="http://diasmartins.net/ivan/2011/08/o-novo-do-chico/">aqui</a>. Eu quero falar sobre outra coisa: sobre amor. E sobre velhinhos.</p>
<p style="text-align:justify;">Hoje acordei cantando as músicas do novo álbum, claro, mas também pensando no <strong>Drummond</strong>. Drummond foi casado durante a maior parte da vida, mas paralelamente a isso manteve um namoro com Lygia Fernandes, companheira de trabalho, desde os 49 anos até sua morte. <strong>Lygia era vinte e cinco anos mais nova que Drummond</strong>, e foi ela a responsável por sua teorização poética em cima do &#8220;amor do tempo da <a href="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2012/01/lygia.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-951" title="lygia" src="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2012/01/lygia.jpg?w=195&#038;h=300" alt="" width="195" height="300" /></a>madureza&#8221;, como ele chamou &#8211; ou, como eu chamo aqui, do <strong>amor de velhinho</strong>. É esse tipo de amor que veio surpreender o Chico: &#8220;não sei para que outra história de amor a essa hora&#8221;. É engraçado como as canções, além de falarem sobre encanto e a surpresa com o amor no tempo da madureza, enredam uma <strong>perspectiva marcadamente de velhinho em comparação com a juventude da amada</strong>. Não só em versos como &#8220;meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora&#8221;, de <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZRLayH21Gnk&amp;feature=relmfu">Essa Pequena</a></em>, mas em expressões jovens como o &#8220;tipo assim&#8221;, em <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=1gC2vXQxTRg">Tipo um baião</a></em>, ou o &#8220;dar mole&#8221; em <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=M7Ej1bSIMzs&amp;feature=relmfu">Se eu soubesse</a></em>. Toda vez que eu ouço &#8220;Não dava mole à tua pessoa&#8221; me brota um sorriso incontrolável. <em><strong>Dar mole a tua pessoa</strong></em> é bem o símbolo do entrelaçamento encantador entre a coisa jovem com a coisa rebuscada e &#8220;antiga&#8221;, a coisa Chico Buarque.</p>
<p style="text-align:justify;">O &#8220;Chico&#8221; tocando no <em>player</em> e eu revirando os livros do Drummond.<strong> O amor no tempo da madureza</strong> pode virar uma coisa só linda e doce nos versos dos mestres, mas <strong>na vida real e dura é alvo de um olho grande danado</strong>. Se é amor de homem por uma mulher mais nova é nojento: ele, um velho tarado, ela, uma mercenária. De amor de mulher mais velha por homem mais novo então, nem se fala. Até do amor entre os velhinhos o povo desconfia. <strong><em>Você não está mais na idade de sofrer por essas coisas!</em></strong> Drummond responde:</p>
<p><em>Há então a idade de sofrer</em><br />
<em>e a de não sofrer mais</em><br />
<em>por essas, essas coisas?</em></p>
<p><em>As coisas só deviam acontecer</em><br />
<em>para fazer sofrer</em><br />
<em>na idade própria de sofrer?</em></p>
<p><em>Ou não se devia sofrer</em><br />
<em>pelas coisas que causam sofrimento</em><br />
<em>pois vieram fora de hora, e a hora é calma?</em></p>
<p><em>E se não estou mais na idade de sofrer</em><br />
<em>é porque estou morto, e morto</em><br />
<em>é a idade de não sentir as coisas, essas coisas?</em></p>
<p>(Essas coisas &#8211; C.D.A.)</p>
<p style="text-align:justify;">Chico Buarque está vivo. Se ele soubesse, não andava na rua, não tinha amigos, não bebia&#8230; não dava mole à sua pessoa. Mas fez tudo isso, graças aos céus, e nos deu de presente um álbum maravilhoso, uma turnê generosa, novos sorrisos e alguma lágrima.  Então <strong>parem de criticar o amor dos velhinhos e torçam pra que possam ter o seu</strong>. Um beijo e um obrigada à Thais e à Lygia, que entraram na vida dos meus poetas no tempo da madureza pra enfeitar suas vidas, embaralhar seus dias e dar a eles uma perspectiva tão nova e tão mais rica sobre o amor.</p>
<p><em>Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos</em><br />
<em>e outros acrescento aos que amor já criou.</em><br />
<em>Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso</em><br />
<em>e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.</em></p>
<p>(Campo de Flores &#8211; C.D.A.)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oubarbarie.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oubarbarie.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oubarbarie.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oubarbarie.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oubarbarie.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oubarbarie.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oubarbarie.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oubarbarie.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oubarbarie.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oubarbarie.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oubarbarie.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oubarbarie.wordpress.com/949/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oubarbarie.wordpress.com/949/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oubarbarie.wordpress.com/949/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=949&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>10 anos sem Cássia Eller</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Dec 2011 02:43:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bárbara Araújo Machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Barbárie prosaica]]></category>
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		<description><![CDATA[Faz muito tempo que eu tenho vontade de escrever um texto sobre Cássia Eller. E hoje, quando me dei conta de que fazem 10 anos da morte dela, me veio tanta coisa na cabeça que a vontade emergiu com força suficiente pra transformar-se em um post. Cássia foi, pra mim, a grande perda artística da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=939&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Faz muito tempo que eu tenho vontade de escrever um texto sobre Cássia Eller. E hoje, quando me dei conta de que <a href="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/12/cassia.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-940" title="cassia" src="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/12/cassia.jpg?w=128&#038;h=300" alt="" width="128" height="300" /></a>fazem 10 anos da morte dela, me veio tanta coisa na cabeça que a vontade emergiu com força suficiente pra transformar-se em um post. <strong>Cássia foi, pra mim, a grande perda artística da minha geração</strong>. Também tivemos a perda dos <strong>Mamonas Assassinas</strong>, que pra muitos pode ter sido mais significativa &#8211; pra mim também é bastante &#8211; , mas eu particularmente sinto um aperto muito grande no peito ao pensar em Cássia Eller.</p>
<p style="text-align:justify;">Minha <strong>educação musical</strong> em casa se deu por duas frentes: minha mãe, com a <strong>MPB</strong>, e meu tio, com o<strong> rock &#8216;n roll</strong>. Cássia figurava nas coleções de discos dos dois. Meus pais se separaram quando eu ainda era bem pequena, e uma memória muito viva que tenho é de<strong> brincar com minhas bonecas enquanto minha mãe ouvia comigo seus discos de MPB</strong>. Leila Pinheiro, Marisa Monte, Ney Matogrosso, Chico, Caetano&#8230; e, é claro, Cássia. Eu, com meus 7 anos, sabia todas as letras de cor. É engraçado me imaginar com essa idade cantando distraída <em>&#8220;Quem sabe ainda sou uma garotinha&#8221;</em> enquanto <a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/03/30/mulan-vou-fazer-de-voce-um-homem/">arrumava minhas Barbies</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois, entrando na adolescência, todas aquelas letras profundamente poéticas <strong>foram sendo redescobertas por mim</strong>; até hoje ainda me surpreendo com a beleza de algumas canções que já são velhas conhecidas. Com todos os favoritos da minha mãe (que se tornaram os meus) foi assim, mas Cássia tem alguma coisa&#8230; especial. <strong>O timbre mágico</strong> que povoa minhas lembranças infantis e, porque não dizer, quase toda minha vida, a personalidade magnética e meio bicho do mato ao mesmo tempo&#8230; Acho que <strong>criei uma imagem de Cássia Eller</strong> que se entrelaçou na minha própria história. E quando ela se foi tão de repente, tudo que pude fazer foi <strong>guardá-la junto com Drummond e alguns outros no meu panteão pessoal</strong>.</p>
<p style="text-align:justify;">Assim, quando a saudade dela aperta &#8211; sim, eu sinto <em>saudade</em> da Cássia Eller -, tenho um lugar dentro de mim para visitar.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/12/29/10-anos-sem-cassia-eller/"><img src="http://img.youtube.com/vi/gh_FQyy-ghU/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oubarbarie.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oubarbarie.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oubarbarie.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oubarbarie.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oubarbarie.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oubarbarie.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oubarbarie.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oubarbarie.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oubarbarie.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oubarbarie.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oubarbarie.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oubarbarie.wordpress.com/939/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oubarbarie.wordpress.com/939/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oubarbarie.wordpress.com/939/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=939&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>2012: como se fosse o último.</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Dec 2011 20:19:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bárbara Araújo Machado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[2012 ficou famoso como o ano em que o mundo acaba, segundo o calendário maia. Sobrevivemos a muitas ameaças de apocalipse ao longo do tempo e acredito que dessa vez não será diferente. Mas fica sempre essa atmosfera de fim do mundo, mesmo que de brincadeirinha. E é por isso que eu desejo que você [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=930&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">2012 ficou famoso como o ano em que o mundo acaba, segundo o calendário maia. <strong>Sobrevivemos a muitas ameaças de apocalipse ao longo do tempo</strong> e acredito que dessa vez não será diferente. Mas fica sempre essa atmosfera de fim do mundo, mesmo que de brincadeirinha. E é por isso que <strong>eu desejo que você viva 2012 como se fosse o último ano da sua vida</strong>. Só que a minha filosofia de <em>carpe diem</em> tem suas especificidades, então lá vou eu explicar.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>O que você faria</strong> <strong>se só tivesse mais um ano de vida?</strong> Mais uma semana, um dia? Em geral, as respostas que brotam na cabeça diante desse tipo de pergunta são uma lista de tudo que você sempre quis fazer, mas ainda não fez. Uma correria,<strong> uma urgência de cumprir tudo o que você adiou até hoje</strong>, por preguiça ou por medo das consequências. Falar umas verdades pra aquele cara, beijar aquela menina, pular de bungee jumping, correr pelado na chuva cantando, aprender a tocar gaita, conhecer Macchu Picchu, pular de bungee jumping pelado na chuva em Macchu Picchu enquanto toca gaita&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Não que essas coisas todas não devam ser feitas, realizar sonhos é fundamental. Mas esse desespero que acompanha a urgência de cumprir obrigações, ter que dar tempo de fazer tudo antes do apocalipse, pode te fazer perder as coisas realmente importantes. &#8220;<strong>Obrigação&#8221; e &#8220;carpe diem&#8221; devem estar em campos semânticos diferentes</strong>. Aproveitar 2012 como se fosse o último não é correr. Pra isso já houve todos os outros anos, com suas obrigações e prazos. Viver um ano, um dia como se fosse o último é <strong>sorver cada gota do sabor de cada coisa</strong>. Apreciar o tempo livre de preguiça no sofá num dia chuvoso de domingo. Experimentar o gosto da hesitação, do medo, das vontades reprimidas&#8230; e então a delícia de seguir um impulso, ir lá e fazer.  É se arrepender também, por que não? Errar, ficar puto, aprender, tentar outra vez e se ferrar de novo, às vezes. Cada situação tem um gosto particular que deve ser apreciado. Inclusive a tristeza, a solidão, a inércia. <strong>Eu não quero viver meu último ano numa eterna rave</strong>, numa alegria vidrada, ação 24 horas por dia. Quero chorar olhando pela janela do ônibus, lembrando daquele dia. Sentir o gosto da lágrima na minha boca e esquecer da lembrança, porque a lágrima é salgada e me faz pensar sobre isso. <em>Because the sky is blue, it makes me cry</em>.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Viver 2012 como se fosse o último ano da sua vida não é viver com pressa</strong>. É viver com gosto, com gostos, lembrando que a vida é sabor tutti-fruti e, se agora tá com gosto de &#8220;eca&#8221;, daqui a pouco pode ter gosto de algodão doce, e vice-versa. Prove cada momento com a atenção que lhe é devida, porque se você optar pelo desespero de viver, <strong>cada segundo que você não estiver saltando de bungee jumping vai lhe parecer um desperdício de vida</strong>. E, nessa percepção, toda a vida que estiver ao seu redor num momento aparentemente ordinário, essa sim será desperdiçada. Aproveite os momentos calmos, os momentos de alegria extrema, os engraçados, os tristes e os tediosos. Isso se chama <strong>equilíbrio</strong> &#8211; conceito que pode parecer clichê, mas que vale evocar nessa nossa geração Rivotril.</p>
<p style="text-align:justify;">Viva 2012 como se fosse o último. E, no mais,<strong> boa sorte</strong>, pra que os momentos doces superes os amargos. <img src='http://s0.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p><a href="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/12/manos.jpg"><img class="size-medium wp-image-932 aligncenter" title="manos" src="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/12/manos.jpg?w=243&#038;h=300" alt="" width="243" height="300" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oubarbarie.wordpress.com/930/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oubarbarie.wordpress.com/930/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oubarbarie.wordpress.com/930/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oubarbarie.wordpress.com/930/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oubarbarie.wordpress.com/930/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oubarbarie.wordpress.com/930/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oubarbarie.wordpress.com/930/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oubarbarie.wordpress.com/930/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oubarbarie.wordpress.com/930/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oubarbarie.wordpress.com/930/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oubarbarie.wordpress.com/930/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oubarbarie.wordpress.com/930/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oubarbarie.wordpress.com/930/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oubarbarie.wordpress.com/930/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=930&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Lalalaiá&#8230; laiá!</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Dec 2011 18:11:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bárbara Araújo Machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Barbárie prosaica]]></category>
		<category><![CDATA[lista]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
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		<description><![CDATA[Há um antigo provérbio chinês que assim professa: &#8220;Tédio? Lista é remédio&#8220;. Na verdade eu tenho um montão de coisa pra fazer, mas ói eu aqui de novo trazendo uma lista musical com 10 itens pra vocês! Isso se tornará um hábito? Se tornará uma categoria no Ou Barbárie? Só o futuro dirá. O fato é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=904&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Há um antigo provérbio chinês que assim professa: &#8220;<strong>Tédio? Lista é remédio</strong>&#8220;. Na verdade eu tenho um montão de coisa pra fazer, mas ói eu aqui <a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/10/22/musica-sensual-brasileira/">de novo</a> trazendo uma lista musical com 10 itens pra vocês! Isso se tornará um hábito? Se tornará uma categoria no Ou Barbárie? Só o futuro dirá. O fato é que hoje é o <strong><a href="http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=28834">dia nacional do samba </a></strong>(e também aniversário do meu querido Colégio Pedro II, onde todo mundo é bamba) e eu resolvi montar uma lista com <strong>10 sambas que contenham um dos maiores pilares constitutivos do nosso querido samba: o &#8220;laiá&#8221;</strong> (não confundir com &#8220;iaiá&#8221;, outro elemento fundamental). Ao que você pode retrucar: &#8220;Pô, TODOS os sambas, né, minha filha?&#8221;, mas eu selecionei aqui algumas canções cujo laiá tenha sido marcante e que&#8230; ah, que eu tenha conseguido lembrar (depois de pedir ajuda dos universitários, João Pedro e Larissa). Laiá laiá&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>1. Meu laiá raiá – Arlindo Cruz</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Abrimos com uma música em que o laiá já chega chegando no título, que beleza! O destaque merecido a um elemento tão fundamental.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/12/02/lalalaia-laia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/6xktMFPhCYg/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>2. Essa melodia – Jamelão (Marisa Monte)</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Essa foi a canção responsável pela idéia de fazer a lista. Uma salva de palmas virtuais à ela por causa disso! *CLAP*. Marisa Monte e Velha Guarda da Portela juntos são luz, raio, estrela e luar, né? Lindo demais.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/12/02/lalalaia-laia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/WbLC3cMo3mc/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>3.  Malandro &#8211; Jorge Aragão</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Nessa &#8220;pesquisa&#8221; eu me dei conta que o Jorge Aragão talvez seja o sambista que mais utilizou o artifício do laiá em toda a história do samba. TODAS as músicas dele têm um seguimento de laiá, mas essa talvez seja uma das mais marcantes.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/12/02/lalalaia-laia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/cABwct_4dro/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>4. Vou festejar &#8211; Jorge Aragão (Beth Carvalho)</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Em geral, eu tento evitar repetir nomes, mas dessa vez não deu. Esse samba é por demais histórico. Obrigatório em todo bloco de carnaval, em toda roda de samba, em toda forra por dor de corno e até pra xingar a torcida do time adversário, possui um dos laiás mais vibrantes de todos.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/12/02/lalalaia-laia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/VPWRrmyfZ6w/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>5. Martim Cererê – Zé Catimba (Zeca Pagodinho)</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Eu juro que tem laiá nessa música, mesmo que o seu parente <em>lauê</em> seja predominante. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=zabpVsheaSo&amp;feature=related">Aqui</a> tem um vídeo bem bacana do Zé Catimba contando pro LYMDO do Diogo Nogueira como o seu papis interferiu na composição. No vídeo a seguir só tem um trecho da música, mas só esse o youtube deixava incorporar (<em>Dona Esponja já incorporou! </em>) . Se quiserem ouvir toda, no próprio youtube tem a versão integral.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/12/02/lalalaia-laia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/OvcJU-JJza0/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>6.</strong> <strong>Fogo de saudade – Sombrinha (Revelação)</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Essa é em homenagem ao evento off do dia, o #pagoday! Adoro essa música e todo seu quê brega, sofredor e sofisticado ao mesmo tempo. E é graças a ela o grupo Revelação pôde figuram nesta bela lista!</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/12/02/lalalaia-laia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/zYC89THwUWU/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>7.  Silêncio, tamborim &#8211; Candeia</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Essa foi contribuição do meu amigo candeiéte, o João. Eu nem conhecia essa coisa linda que vem pra sofisticar o nosso humilde top 10 (que não é top, porque não hierarquiza! hehe)</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/12/02/lalalaia-laia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Q4L7z7bFHA0/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>8. Minha festa – Nelson Cavaquinho (Clara Nunes)</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Essa música é tão linda que eu quero parar a lista aqui. Mas não vou, porque as próximas são tão espetaculares quanto. Um trizilhão de gente já a gravou, mas mando essa versão da guerreira, porque&#8230; precisa explicação?</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/12/02/lalalaia-laia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/gpN0DQG6CvM/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>9. O show tem que continuar – Fundo de quintal</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Esse é certamente um dos laiás mais famosos de todos, que a galera canta com os bracinhos pro alto naquele <em>feeling</em> sambista lindão. Aliás, é uma das músicas que não pode faltar em qualquer roda de samba que se preze.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/12/02/lalalaia-laia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/-logalWwJ88/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>10. Poder da Criação – João Nogueira e Paulo César Pinheiro (Diogo Nogueira)</strong></p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;E o povo começa a cantar: la laiá la laiá&#8221; &#8211; eis o resumo do samba, eis a importância do laiá.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/12/02/lalalaia-laia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/iPSxLBqaPvk/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;">Com isso, ficamos por aqui. Quero ver todo mundo indo pra rua que não é sempre que o dia do samba cai numa sexta feira. Hoje é dia de laiá!</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>ADENDO</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Acabei de publicar o post e o <a href="http://www.rascunhoantipoda.blogspot.com/">Fábio</a> me lembrou de uma que eu quase me joguei da janela por ter esquecido. Não só é uma das minhas músicas preferidas, como é de lei nas melhores rodas de samba, conhecida como o samba das cabrochas nos ensaios do Escravos da Mauá E TEM ATÉ COREOGRAFIA. Por tantos e mais outros motivos nobres, nossa lista de dez itens ganha um item a mais!</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>11. Mas quem disse que eu te esqueço &#8211; Dona Ivone Lara</strong></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/12/02/lalalaia-laia/"><img src="http://img.youtube.com/vi/ux2vVx3mw2c/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oubarbarie.wordpress.com/904/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oubarbarie.wordpress.com/904/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oubarbarie.wordpress.com/904/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oubarbarie.wordpress.com/904/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oubarbarie.wordpress.com/904/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oubarbarie.wordpress.com/904/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oubarbarie.wordpress.com/904/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oubarbarie.wordpress.com/904/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oubarbarie.wordpress.com/904/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oubarbarie.wordpress.com/904/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oubarbarie.wordpress.com/904/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oubarbarie.wordpress.com/904/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oubarbarie.wordpress.com/904/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oubarbarie.wordpress.com/904/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=904&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Consciência Negra</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 17:04:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bárbara Araújo Machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Barbárie prosaica]]></category>
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		<category><![CDATA[Desigualdade]]></category>
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		<category><![CDATA[Violência]]></category>

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		<description><![CDATA[O guest post sobre o dia da consciência negra aqui no Ou Barbárie sai com um pequeno atraso porque eu deixei o pedido muito pra cima da hora. Mesmo assim, meu amigo Rael Fizson conseguiu rapidamente escrever esse texto forte, emocionante e, sobretudo, importante . O Rael é professor de História do estado do Rio, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=892&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>O guest post sobre o dia da consciência negra aqui no Ou Barbárie sai com um pequeno atraso porque eu deixei o pedido muito pra cima da hora. Mesmo assim, meu amigo <strong>Rael Fizson</strong> conseguiu rapidamente escrever esse texto forte, emocionante e, sobretudo, importante . O Rael é professor de História do estado do Rio, mestrando em História pela UFF, flamenguista e namorado da <a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/06/01/masculino-versus-feminino-psicanalise-senso-comum-ou-fluidez/">Lalá, psicanalista e minha BFF</a>. Vamos ao texto!<br />
</em></p>
<p style="text-align:justify;">*</p>
<p style="text-align:justify;">Ao contrário do que diz nosso senso comum, <strong>nem todos em nosso país são d</strong><strong>e</strong><a href="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/11/conciencia.jpg"><img class="alignright  wp-image-893" title="conciencia" src="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/11/conciencia.jpg?w=229&#038;h=164" alt="" width="229" height="164" /></a><strong>scendentes de africanos</strong>. Com o fim do comércio atlântico e o fim legal da escravidão, vieram medidas que proibiam a entrada de africanos (mesmo que livres!) e estimulavam a entrada de imigrantes europeus em solo brasileiro.  Durante o século XX, o desenvolvimento industrial, urbano, imigrações e migrações, tornaram o Brasil em muitíssimos aspectos completamente diferente dos séculos anteriores. Hoje encontramos muitas famílias que diferem do <strong>tipo ideal brasileiro</strong> inventado em meados do século XIX, mas consagrado por <strong>Gilberto Freire</strong> (a famosa mistura entre o negro, o índio e o europeu).</p>
<div id="attachment_894" class="wp-caption alignleft" style="width: 236px"><a href="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/11/joaquim.jpeg"><img class=" wp-image-894" title="joaquim" src="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/11/joaquim.jpeg?w=226&#038;h=150" alt="" width="226" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Ministro Joaquim Barbosa</p></div>
<p style="text-align:justify;">Muita coisa mudou. Entretanto, uma das permanências históricas que podemos traçar com segurança é a <strong>relação entre classe social e cor de pele</strong>. Óbvio que, na prática, há sempre grupos e indivíduos que garantem a exceção. Podemos citar hoje um Pelé, um Joaquim Barbosa (ministro do STF). Lá no século, XIX, o maior comerciante luso-brasileiro de escravos era o rico e poderoso Francisco Felix de Souza, pardo e escravo até os 17 anos. Seja como for, o que interessa é que, para além das exceções que confirmam a regra, o que valia para o passado vale para os dias de hoje: a relação, o estereótipo, <strong>preto-pobre e rico-branco</strong> permanece. O “<strong>racismo científico</strong>” já não existe, mas o racismo, puro e simples, ainda está aí.</p>
<p style="text-align:justify;">Falemos do racismo que até o início do século XX tinha o status de “científico”. Pois era a ciência que acreditava e difundia certas visões dos seres humanos divididos em raça, cada qual com suas características e devidamente hierarquizados: <strong>o branco no topo e o negro na base</strong>. Portanto, mesmo que nem todos os negros fossem escravos lá no passado (e nem todos eram) e nem todos sejam pobres nos dias de hoje, <strong>todos ficaram e ficam estigmatizados</strong>. Percebam a coloração das pessoas que trabalham num canteiro de obras qualquer e compare com a das pessoas que freqüentam um restaurante no Leblon. Logo se estabelece a tal relação entre cor e classe social. <strong>Condoleezza Rice</strong> (Secretaria de Estado americana no Governo Bush Jr., negra e conservadora, como só pode ser um alto funcionário daquele fatídico governo) teve a seguinte percepção da sociedade brasileira – um pouco esquematizada e superficial demais, eu sei, mas vale a pena:</p>
<p style="text-align:justify;padding-left:90px;"><em> “Durante a visita eu me surpreendi com a divisão racial no Brasil. <strong>Os brasileiros sempre sustentaram que não têm problema racial</strong>. Pareceu-me que <strong>nos serviços braçais ficam os africanos</strong> (com a pele escura); <strong>nos serviços, os mulatos</strong> (birraciais); e <strong>os funcionários do governo têm ascendência europeia/portuguesa</strong>. O Brasil foi o país mais parecido com os Estados Unidos na sua composição étnica, mas parece ter tirado pouco proveito da revolução pelos direitos civis que mudou a face da política e da sociedade americanas.”</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Consciência é “conhecimento”</strong>, é a “capacidade que o homem tem de conhecer valores e mandamentos morais e aplicá-los nas diferentes situações”. Portanto, creio que seria correto afirmar que ter “consciência negra” é ter conhecimento da história do negro no Brasil, da história das relações raciais em nosso país, das condições que essa parte da população brasileira esta submetida em nossos dias e <strong>aplicar tais conhecimentos para ati</strong><strong>ngir o objetivo que qualquer pessoa com </strong><strong>pensamento humanista tem</strong>: a libertação moral e material de homens e mulheres, a justiça social, econômica e política.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Os grandes jornais cariocas parecem ter ignorado solenemente o “Dia da Consciência Neg</strong><a href="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/11/nc3a3osomosracistas.jpeg"><img class="alignright  wp-image-897" title="nãosomosracistas" src="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/11/nc3a3osomosracistas.jpeg?w=134&#038;h=201" alt="" width="134" height="201" /></a><strong>ra”</strong>. Olhando alguns <em>sites</em>, as referências são pouquíssimas e, de modo geral, são a festas, a shows, a “representantes da cultura negra”. Vemos na cobertura de nossa grande mídia duas tendências que representam bem certa visão difundida sobre o tema:</p>
<p style="text-align:justify;">1) <strong>O racismo não é um problema no Brasil</strong>, politicamente não há o que se comentar. Por isso parece haver um grande silêncio sobre o “Dia da Consciência Negra” em geral e sobre a temática do negro no passado e no presente. Para que falar disso, né? <strong>Seria dividir o Brasil entre negros e brancos. Seria estimular uma divisão que não existe no Brasil</strong>, apenas nos EUA e na África do Sul, correto?</p>
<p style="text-align:justify;">2) <strong>Falar de negro no Brasil é falar apenas de cultura</strong> (em seu sentido mais estrito, claro). Portanto, o Dia da Consciência Negra, para o <em>status quo</em> brasileiro, não é dia de reflexão, de conhecimento sobre o negro. <strong>Não é dia de Consciência. É dia de música e de acarajé.</strong> Isso me lembra aquela <a href="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/11/acaraje.jpeg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-898" title="acaraje" src="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/11/acaraje.jpeg?w=150&#038;h=111" alt="" width="150" height="111" /></a>velha história: negro só pode ser artistas ou esportistas. Por que projetos sociais não buscam nas favelas engenheiros, médicos, arquitetos, historiadores, físicos? Absolutamente nada contra artistas e esportistas&#8230; mas o foco quase que absoluto nessas duas áreas expõe um pressuposto implícito de que<strong> pobre/negro só é capaz de se desenvolver se for para música ou para o esporte</strong>. Afinal, o “sangue africano” é propício ao <em>swing</em>, a improvisação, ao ritmo, ao gingado&#8230; não à disciplina, à racionalidade, não é mesmo?</p>
<p style="text-align:justify;">Ter “consciência negra” é ter consciência da contribuição dos indivíduos de cor negra, na maior parte da história do Brasil sob os grilhões da escravidão, deram a este país. É ter consciência de que <strong>vivemos numa sociedade de classes e branca onde o dominado é, na maioria das vezes, pobre e preto</strong>. Onde essa dominação se dá também ao nível ideológico através de certa “ideologia do branqueamento” que ensinou ao negro, como já disse <strong>Malcolm X</strong>, a odiar seu cabelo, odiar sua pele, odiar seu nariz&#8230; a se odiar como pessoa, como negro! É ter consciência de que em nossa sociedade de classes a cor da pele exerce papel fundamental na hierarquização. A cor da pele impede ou garante a aquisição de determinado emprego, a cor da pele aumenta ou diminui as chances de ser parado numa blitz, de ser suspeito de um crime. <strong>“Só quem é cego não vê”</strong>.</p>
<div id="attachment_899" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/11/consciencia_negra_olinda-300x2002.jpg"><img class="size-full wp-image-899" title="consciencia_negra_olinda-300x200" src="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/11/consciencia_negra_olinda-300x2002.jpg?w=490" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Imagem de divulgação do Dia da Consciência Negra em Olinda - PE. Arte: Anizio Silva/Pref.Olinda</p></div>
<p style="text-align:justify;">Aproveitemos o Dia da Consciência Negra para lembrar que <strong>o Brasil não é uma “Democracia Racial”</strong>, o racismo existe e há uma intrínseca relação entre classe social e cor de pele. Para se atingir objetivos como a distribuição de qualidade de vida e de poder é inaceitável deixarmos essa perspectiva de lado.</p>
<p style="text-align:justify;">Vale citar duas pequenas frases/refrões que são grandes contribuições a temática, de <strong>Marcelo Yuka</strong> – músico, letrista e um dos grandes cronistas da sociedade carioca da década de 1990:</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=pQpXxHpSfAk&amp;feature=related">&#8220;Todo camburão tem um pouco de navio negreiro</a>&#8221; &amp; <a href="http://www.youtube.com/watch?v=knlgojc6TAo">&#8220;A carne mais barata do mercado é a carne negra</a>&#8220;.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oubarbarie.wordpress.com/892/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oubarbarie.wordpress.com/892/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oubarbarie.wordpress.com/892/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oubarbarie.wordpress.com/892/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oubarbarie.wordpress.com/892/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oubarbarie.wordpress.com/892/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oubarbarie.wordpress.com/892/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oubarbarie.wordpress.com/892/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oubarbarie.wordpress.com/892/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oubarbarie.wordpress.com/892/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oubarbarie.wordpress.com/892/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oubarbarie.wordpress.com/892/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oubarbarie.wordpress.com/892/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oubarbarie.wordpress.com/892/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=892&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>101 anos de Rachel de Queiroz</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Nov 2011 13:43:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bárbara Araújo Machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Barbárie prosaica]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem, dia 17 de novembro, Rachel de Queiroz faria 101 anos. Convidei minha querida amiga Natalia Guerellus, doutoranda em História Social pela UFF, pra fazer um guest post sobre ela aqui no Ou Barbárie. Natalia estuda Rachel há alguns anos e nos presenteou com esse texto maravilhoso. Deliciem-se! * Como membro da Academia Brasileira de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=884&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>Ontem, dia 17 de novembro, Rachel de Queiroz faria 101 anos. Convidei minha querida amiga Natalia Guerellus, doutoranda em História Social pela UFF, pra fazer um </em>guest post<em> sobre ela aqui no </em>Ou Barbárie<em>. Natalia estuda Rachel há alguns anos e nos presenteou com esse texto maravilhoso. Deliciem-se!</em></p>
<p style="text-align:justify;">*</p>
<p style="text-align:justify;">Como membro da Academia Brasileira de Letras, <strong>Rachel de Queiroz</strong> foi velada a 04 de novembro de 2003 no Petit Trianon, situado no Centro do Rio de Janeiro. Teve morte calma e silenciosa aos 92 anos de idade, deitada na rede de seu apartamento no Leblon.</p>
<p style="text-align:justify;">A data do velório coincidia com o 04 de novembro de 1977, data em que fora recebida na instituição carregando nas costas a importância de ser <strong>a primeira mulher a adentrar a tradicional Casa de Machado de Assis</strong>.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao longo do velório toma a palavra o acadêmico Alberto da Costa e Silva: “Cabe-me dizer o adeus em nome da Academia a Rachel de Queiroz. Como se fosse possível dizer adeus a Rachel de Queiroz”. E segue em tom de brincadeira: “Dela soube pela primeira vez nos distantes anos de 1937, ou 1938. Quando menino via minha mãe a ler <em>O Quinze</em> e a comentar com minha avó sobre <strong>aquela moça que rompia todas as convenções da pequenina e provinciana Fortaleza</strong> de minha infância e ia sozinha aos cafés e falava publicamente mal do governo”.</p>
<p style="text-align:justify;">De fato, romper barreiras foi marca da trajetória biográfica de Rachel de Queiroz desde cedo: <strong>primeiro livro publicado aos dezenove anos</strong>; contemplada com o primeiro Prêmio Graça Aranha em 1931; <strong>dois casamentos em menos de dez anos</strong> e ainda na década de 1930 – lembrando que a lei que permitiu divórcio só foi aprovada décadas depois; membro do Partido Comunista e, posteriormente, de grupos trotskistas em São Paulo; tradutora de dezenas de romances; profissional das letras já nos anos 40; contratada por décadas pela José Olympio Editora; cronista exclusiva do <em>O Cruzeiro; </em><strong>defensora polêmica da Revolução de 64</strong>; membro do Conselho Federal de Cultura desde sua fundação; representante do Brasil na ONU; mais de três mil crônicas publicadas ao longo da vida; intelectual ativa, amiga dos mais importantes nomes da cultura e da política brasileira do século XX. Ufa!</p>
<p style="text-align:justify;">Mesmo com todo esse currículo, <strong>pouco se sabe ainda hoje sobre a trajetória da jovem jornalista e professora da Escola Normal de Fortaleza ainda nos idos dos anos 1920</strong>, antes mesmo da publicação de seu primeiro e mais conhecido romance, <em>O Quinze </em>(1930).</p>
<p style="text-align:justify;">Somente com a comemoração do <strong>centenário</strong> de seu nascimento em 17 de novembro do ano passado, é que novas fontes foram descobertas e muitos documentos pessoais tem sido catalogados.</p>
<p style="text-align:justify;">Comemoraríamos hoje os<strong> 101 anos de Rachel de Queiroz</strong>. Membro de uma tradicional família cearense, a escritora nunca escondeu a origem pertencente à linhagem dos Queiroz e dos Alencar, famílias de tradição revolucionária e intelectual.</p>
<p style="text-align:justify;">A mãe, dona Clotilde, era uma exímia leitora de literatura nacional e internacional, assinava as <em>Editions Plon</em> e mantinha-se sempre informada sobre os novos escritores do Rio e de São Paulo. <strong>Machado era seu grande ídolo</strong> e passou para a filha o gosto refinado; deste escritor Rachel aprenderia muito bem, por exemplo, a utilizar o recurso da ironia.</p>
<p style="text-align:justify;">O pai, Daniel de Queiroz, seguira a carreira jurídica, comum à elite de sua época. O trabalho possibilitou que, ainda pequena, <strong>Rachel conhecesse diferentes partes do país</strong>, como o próprio Ceará, Rio de Janeiro e Pará. Mas logo Daniel se viu insatisfeito com a prática jurídica, chegou a ensinar Geografia no Liceu até 1915 e, por fim, rendeu-se a sua grande paixão: o cuidado com a terra. Do pai, Rachel aprendeu as lições iniciais de história e geografia e as primeiras letras, além dessa mesma <strong>paixão pela terra</strong> que permaneceria uma das marcas registradas da escrita racheliana.</p>
<p style="text-align:justify;"> Sendo assim, quando entrou para o Curso Normal do Colégio Imaculada Conceição aos dez anos de idade, os conhecimentos das áreas humanas já eram de seu completo domínio. Já Matemática e Ciências, nem pensar. O <strong>Curso Normal</strong> foi o modo de instrução formal que Rachel teve em vida.</p>
<p style="text-align:justify;">Não por acaso, era <strong>uma das mais correntes formas de acesso à educação adotada pelas mulheres</strong> de sua época. Das poucas que sabiam ler e escrever nos anos 1930, não só em Fortaleza, mas também nas grandes capitais como Rio e São Paulo, a maior parte integrava a Escola Normal. Mesmo por isso, se profissionalizavam na área da educação, o que se adequava perfeitamente ao papel republicano da mulher cidadã.</p>
<p style="text-align:justify;">Na escola, Rachel teve contato com as <strong>leituras típicas das mocinhas</strong>, como os livros da <em>Bibliothèque Rose </em>e alguns títulos que circulavam clandestinamente entre as alunas, sem que as freiras soubessem.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas, <strong>sob influência da mãe</strong>, muitas outras foram as leituras de Rachel de Queiroz por esta época, entre os treze e quinze anos. Em carta de 1924 à amiga de toda a vida, Alba Frota, escreveu a autora: “Ultimamente tenho lido muito. Estou me iniciando em romances; mamãe consentiu que eu lesse <em>A Moreninha </em>e <em>Rosa</em>, ambos de Macedo, conhece? Já estou muito adiantada em literatura, não achas? Quem d’antes só lia <em>Histórias de Troncoso</em>!”</p>
<p style="text-align:justify;">Veja-se logo que o gosto refinado estava muito acima da média das moças de seu tempo. Talvez daí o salto dado para o <strong>jornalismo</strong> tenha sido uma opção não tão imprevisível. À mesma época,<strong> muitas outras mulheres já escreviam em periódicos</strong> e eram conhecidas em vários lugares do Brasil, como Maria Eugênia Celso, Maria Lacerda de Moura, Gilka Machado, Cecília Meireles e outras.</p>
<p style="text-align:justify;">Conta a memória de Rachel que sua inserção oficial nos círculos literários da capital cearense deu-se por meio de uma carta sob o pseudônimo de <strong>Rita de Queluz</strong>, enviada à redação do jornal <em>O Ceará. </em>A carta escrita em vinte e sete de janeiro de 1927 referia-se ironicamente ao concurso <em>Rainha dos Estudantes Cearenses, </em>e dirigia-se à vencedora, Suzana de Alencar Guimarães, escritora local do jornal:</p>
<p style="text-align:justify;">“Minha graciosa Majestade:</p>
<p style="text-align:justify;">(&#8230;) Nada mais justo que o ato das classes estudiosas do Ceará, elegendo-a. Mas, agora que vais ter sobre a fronte o diadema real, pergunto-me se são de fato os parabéns que lhe devo dar. Não os acha mal cabidos, dada a atual desvalorização do sangue azul? (&#8230;) É por isso que avento a ideia de lhe mudarem o título: e em vez de ser chamada <em>Sua Majestade Suzana I, Rainha dos Estudantes Cearenses</em>, proclamem-na <em>Chefe do Soviet Estudantal do Ceará</em>”</p>
<p style="text-align:justify;">O engraçado é que a própria Rachel ganharia esse concurso no ano de 1930. Mas, ainda em 1927, não é à toa que a carta tenha feito tanto sucesso na redação de <em>O Ceará. </em>Além do tom jocoso e inteligente, <strong>articulando a idéia de majestade em plena década de 1920 e na vigência do regime republicano</strong>, Rita de Queluz atingiu o coração da redação.</p>
<p style="text-align:justify;">Isto porque <em>O Ceará </em>fora fundado pouco tempo antes por Júlio de Matos Ibiapina, como expressão do chamado à época <em>jornalismo independente</em>, afastando-se dos periódicos mais partidários e opondo-se ferozmente aos periódicos católicos, como o <em>O Nordeste. </em></p>
<p style="text-align:justify;"><em></em>Entre seus membros encontravam-se jornalistas empenhados em <strong>leituras socialistas</strong>, como Djacyr Menezes e Hyder Corrêa Lima, que viriam a ser amigos de Rachel. Foi nessa época que a autora afirma já ter entrado em contato com estas leituras, tendo sido já “comunizada”, antes do contato que teve em 1931 com o Partido Comunista propriamente dito.</p>
<p style="text-align:justify;">A partir desta carta, Rachel foi chamada a participar do periódico, escrevendo crônicas e poemas para a coluna <em>Jazz-Band </em>e firmando contato com outros jornalistas importantes, além de começar a ganhar um ordenado razoável, de cem-mil réis por mês. Para o jornal também escreveu seu primeiro folhetim, <em>História de um nome, </em>que contava os caminhos percorridos pelo nome Rachel desde os antigos hebreus.</p>
<p style="text-align:justify;">Em geral tratando de temas da época e referentes às questões regionais, os textos rachelianos deste período são os <strong>primeiros passos de uma escrita em formação</strong>. A jovem encontrou seu espaço ao ser admitida por um grupo de jornalistas e literatos que se preocupava em renovar a imprensa, incentivando a produção literária de homens e mulheres.</p>
<p style="text-align:justify;">Rachel foi também <strong>uma das fundadoras em 1928 do jornal </strong><em><strong>O Povo</strong>,</em> de Demócrito Rocha e Paulo Sarasate. Na coluna <em>Modernos e Passadistas </em>divulgada aos sábados, publicou poemas, crônicas e mesmo críticas acerca das correntes modernistas em disputa nos anos 20, tendo lançado em 1929 um manifesto regionalista para a <em>Revista Maracajá, </em>suplemento literário do jornal. Também aí Rachel envolveu-se nas questões sociais, e travou diálogos com Lacerda de Moura em relação ao <strong>voto feminino</strong>.</p>
<p style="text-align:justify;">Em 1930, <em>O Povo </em>foi o principal jornal a divulgar a venda do primeiro romance da jovem escritora: <em><strong>O Quinze</strong>, </em>na Livraria Moraes por 6$000. A partir deste livro, a história do romance brasileiro sofreria benéficas inflexões.</p>
<p style="text-align:justify;">Isto porque não só a <strong>literatura moderna</strong> estava em pauta, mas também <strong>a figura da mulher moderna</strong>, grande enigma para a sociedade brasileira de começos do século. Como uma mulher a romper as tradicionais barreiras sociais, Rachel de Queiroz juntou-se a muitas outras, mas caminhando cada vez mais na direção de sua autenticidade.</p>
<p><a href="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/11/rachel-de-queiroz2.jpg"><img class="size-full wp-image-885 aligncenter" title="rachel-de-queiroz2" src="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/11/rachel-de-queiroz2.jpg?w=490&#038;h=387" alt="" width="490" height="387" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oubarbarie.wordpress.com/884/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oubarbarie.wordpress.com/884/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oubarbarie.wordpress.com/884/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oubarbarie.wordpress.com/884/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oubarbarie.wordpress.com/884/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oubarbarie.wordpress.com/884/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oubarbarie.wordpress.com/884/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oubarbarie.wordpress.com/884/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oubarbarie.wordpress.com/884/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oubarbarie.wordpress.com/884/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oubarbarie.wordpress.com/884/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oubarbarie.wordpress.com/884/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oubarbarie.wordpress.com/884/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oubarbarie.wordpress.com/884/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=884&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Ser romântico é ser heróico.</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Nov 2011 03:08:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bárbara Araújo Machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Barbárie poética]]></category>

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		<description><![CDATA[Ser romântico é ser heróico. É heróico porque é um risco. E deus sabe que ninguém mais quer correr risco nesse mundo. Ninguém mais é heróico. Ninguém mais “se declara”. Na época da escola todo mundo se declarava. - Ele se declarou pra ela hoje! Ela mandou uma carta. É coisa de criança, dizem, sair [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=880&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ser romântico é ser heróico.</p>
<p>É heróico porque é um risco.<br />
E deus sabe que ninguém mais quer correr risco nesse mundo.</p>
<p>Ninguém mais é heróico.</p>
<p>Ninguém mais “se declara”.<br />
Na época da escola todo mundo se declarava.<br />
- Ele se declarou pra ela hoje!<br />
Ela mandou uma carta.</p>
<p>É coisa de criança, dizem,<br />
sair assim, falando verdades profundas<br />
e tão simples.</p>
<p>- Oi, você é bonito. Vamos dançar? Toma uma flor.</p>
<p>Dança, pega a flor,<br />
Se quiser dá um beijo, se quiser fica mais.<br />
Não quiser, vai embora, segue em frente.<br />
Há outros beijos, outras flores a serem dançadas.</p>
<p>As pessoas crescem e esquecem de ser heróicas.<br />
Não sei se por medo<br />
ou se porque aprenderam a calcular.</p>
<p>Calculam risco, passos, olhares<br />
Calculam lucro, ganho, resultado</p>
<p>Eu, que não sei matemática, fico perdida<br />
e só sei o que aprendi na infância:<br />
flor, dança<br />
e sinceridade: objetiva e desmedida.</p>
<p>Se bem que ter crescido me ensinou<br />
a tomar uns copos de coragem pra ajudar.<br />
Porque eu cresci eu também tenho medo<br />
- não mais aquele medo gostosinho<br />
de quando que cê vai se declarar –<br />
medo do cálculo, do resultado,<br />
de quebrar a cara, medo do risco.</p>
<p>E deus sabe que ninguém mais quer correr risco nesse mundo.<br />
E é por isso que é heróico arriscar.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/11/11/ser-romantico-e-ser-heroico/"><img src="http://img.youtube.com/vi/XKjlNGGm01M/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oubarbarie.wordpress.com/880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oubarbarie.wordpress.com/880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oubarbarie.wordpress.com/880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oubarbarie.wordpress.com/880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oubarbarie.wordpress.com/880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oubarbarie.wordpress.com/880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oubarbarie.wordpress.com/880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oubarbarie.wordpress.com/880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oubarbarie.wordpress.com/880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oubarbarie.wordpress.com/880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oubarbarie.wordpress.com/880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oubarbarie.wordpress.com/880/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oubarbarie.wordpress.com/880/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oubarbarie.wordpress.com/880/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=880&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">bepontoaraujo</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Poema recuperado de uma noite já disforme</title>
		<link>http://oubarbarie.wordpress.com/2011/11/08/poema-recuperado-de-uma-noite-ja-disforme/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Nov 2011 22:31:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bárbara Araújo Machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Barbárie poética]]></category>

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		<description><![CDATA[Esse gosto tão gostoso de achar um poema antigo perdido num caderno velho. Na época, não dei nada pelos rabiscos; hoje dei uma ajeitadinha neles e lá vai: Enquanto espero o sono nessa noite só e quente eu me sento na platéia frente à tela da minha mente e assisto ao nosso sexo. Não me [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=876&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Esse gosto tão gostoso de achar um poema antigo perdido num caderno velho. Na época, não dei nada pelos rabiscos; hoje dei uma ajeitadinha neles e lá vai:</em></p>
<p>Enquanto espero o sono<br />
nessa noite só e quente<br />
eu me sento na platéia<br />
frente à tela da minha mente<br />
e assisto ao nosso sexo.</p>
<p>Não me reconheço<br />
na mulher que morde os lábios.</p>
<p>Te procuro no homem afoito<br />
e só te encontro no carinho<br />
dos meus dedos no seu cabelo.</p>
<p>Há uma mulher que morde os lábios<br />
na sua cama.<br />
Me procuro na lascívia dela<br />
e só me encontro no desespero.</p>
<p>Os corpos afoitos se abraçam<br />
como pra se engolir um ao outro<br />
como pra se perder um no outro<br />
pra se desfalecer pelo outro.</p>
<p>É o desespero o que tempera<br />
essa noite de lua nova.<br />
É o que molda os músculos,<br />
o que alimenta o fogo:</p>
<p>o desepero de vida<br />
o desepero de vida</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oubarbarie.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oubarbarie.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oubarbarie.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oubarbarie.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oubarbarie.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oubarbarie.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oubarbarie.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oubarbarie.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oubarbarie.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oubarbarie.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oubarbarie.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oubarbarie.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oubarbarie.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oubarbarie.wordpress.com/876/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=876&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Pós-modernismo</title>
		<link>http://oubarbarie.wordpress.com/2011/11/04/pos-modernismo/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Nov 2011 22:07:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bárbara Araújo Machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Barbárie poética]]></category>

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		<description><![CDATA[Fila da alfândega, território internacional (que só não é terra de ninguém porque é reino do capital, com o perdão da rima fácil) Minha vida está em curso Self em trânsito Alma em [(re)des]construção Na fluidez dessa jornada, Abandono um passado triste E se o presente é ansiedade aflitiva, O futuro são possibilidades a que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=869&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fila da alfândega, território internacional<br />
(que só não é terra de ninguém<br />
porque é reino do capital,<br />
com o perdão da rima fácil)</p>
<p>Minha vida está em curso<br />
<em>Self</em> em trânsito<br />
Alma em [(re)des]construção</p>
<p>Na fluidez dessa jornada,<br />
Abandono um passado triste<br />
E se o presente é ansiedade aflitiva,<br />
O futuro são possibilidades a que me agarro</p>
<p>Na fluidez dessa jornada,<br />
Me agarro no que ainda não chegou<br />
E entrego o corpo a um precipício suposto</p>
<p>Fila da alfândega, <em>free shop</em><br />
Que eu atravesso pra chegar ao meu destino</p>
<p>Apreensão da alfândega: apreenderem-me<br />
Mas eu não tenho nada, não trouxe nada<br />
Eles não podem me prender<br />
Na transição dessa jornada</p>
<p>Trânsito<br />
Curso<br />
Transição</p>
<p>- meu Deus, cadê a materialidade?</p>
<p><a href="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/11/s6302000.jpg"><img class="size-medium wp-image-870 aligncenter" title="S6302000" src="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/11/s6302000.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oubarbarie.wordpress.com/869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oubarbarie.wordpress.com/869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oubarbarie.wordpress.com/869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oubarbarie.wordpress.com/869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oubarbarie.wordpress.com/869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oubarbarie.wordpress.com/869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oubarbarie.wordpress.com/869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oubarbarie.wordpress.com/869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oubarbarie.wordpress.com/869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oubarbarie.wordpress.com/869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oubarbarie.wordpress.com/869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oubarbarie.wordpress.com/869/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oubarbarie.wordpress.com/869/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oubarbarie.wordpress.com/869/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=869&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">S6302000</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Encontro Nacional das Blogueiras Feministas e o otimismo na mala.</title>
		<link>http://oubarbarie.wordpress.com/2011/10/24/encontro-nacional-das-blogueiras-feministas-e-o-otimismo-na-mala/</link>
		<comments>http://oubarbarie.wordpress.com/2011/10/24/encontro-nacional-das-blogueiras-feministas-e-o-otimismo-na-mala/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 25 Oct 2011 02:06:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bárbara Araújo Machado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Barbárie prosaica]]></category>
		<category><![CDATA[Blogosfera]]></category>
		<category><![CDATA[Emancipação humana]]></category>
		<category><![CDATA[Feminismo]]></category>
		<category><![CDATA[Mudança]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução]]></category>
		<category><![CDATA[Sonho]]></category>

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		<description><![CDATA[Mudei o layout, geeente! Brigada, Nessa Guedes, por me dar a dica simples, mas preciosa dos menus! =) Agora é vermelhou o curral, chalalalaláááá&#8230; &#8212;&#8211; Como eu espero que alguns de vocês saibam, nesse fim de semana aconteceu no Instituto Rosa Luxembourg, em Pinheiros, São Paulo, o I Encontro Nacional das Blogueiras Feministas. O grupo, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=844&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Mudei o layout, geeente! Brigada, Nessa Guedes, por me dar a dica simples, mas preciosa dos menus! =) Agora é <a href="http://www.youtube.com/watch?v=A2iOhb__6hI&amp;feature=related">vermelhou o curral, chalalalaláááá</a>&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8212;&#8211;</p>
<p style="text-align:justify;">Como eu espero que alguns de vocês saibam, nesse fim de semana aconteceu no Instituto Rosa Luxembourg, em Pinheiros, São Paulo, o I <a href="http://blogueirasfeministas.com/2011/10/encontro-nacional/">Encontro Nacional das Blogueiras Feministas</a>. O grupo, que nasceu como uma lista de e-mails para reunir o que pareciam ser as poucas feministas presentes na blogosfera, se desenvolveu e se afirmou, no encontro, como <strong>um coletivo político suprapartidário</strong> (mas de esquerda, tá? não sou eu quem fala, é <a href="http://oubarbarie.wordpress.com/2011/03/15/680/">a Simone de Beauvoir quem diz!</a>) super <strong>plural e promissor</strong>.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Promissor&#8221; não no sentido de que é ainda uma idéia promissora, porque nesse um ano, mesmo sem muitas de nós nos conhecermos pessoalmente &#8211; o que felizmente mudou -, <strong>o Blogueiras Feministas</strong> ganhou proporções muito bacanas e <strong>atuou pra caramba na luta</strong> <strong>pela igualdade de gênero</strong>. Eu não vou conseguir lembrar de tudo (me ajude quem puder), mas as diversas <a href="http://blogueirasfeministas.com/2011/08/chamada-blogagem-coletiva-visibilidade-lesbica/">blogagens coletivas</a>, a participação nas <a href="http://blogueirasfeministas.com/2011/09/marcha-das-vadias-de-campinas/">Marchas das Vadias</a> em todo o país, a adesão à <a href="http://blogueirasfeministas.com/2011/08/blogueiras-feministas-pela-legalizacao-do-aborto/">Frente Naciona de Luta contra a Criminalização da Mulher e pela Legalização do Aborto</a>, o diálogo com <a href="http://blogueirasfeministas.com/2011/10/iriny-lopes/">Iriny Lopes </a>e a SPM foram algumas das ações de sucesso citadas dessa nossa caminhada bonitona. A &#8220;promessa&#8221; está no grande<strong> otimismo que todas as participantes do encontro parecem ter levado na mala</strong> (incluo aqui as que não participaram presencialmente, mas que acompanharam por<a href="http://www.ustream.tv/recorded/18036591"> streaming</a>), que nos deu um gás incrível pra criar novas estratégias de luta e aumentar o nosso raio de ação.</p>
<p style="text-align:justify;">Pra mim, foi uma experiência completamente nova. Nunca havia participado de uma lista de e-mails que não fosse de algum grupo já consolidado na vida real &#8211; e certamente de nenhuma lista com essa dimensão (hoje somos cerca de 420 pessoas!). Embora já fosse claro que o Blogueiras não fosse mais simplesmente uma lista há muito tempo, foi só no encontro que caiu a minha ficha de que, <strong>caramba, esse é um coletivo político de fato</strong>. Muita gente menospreza a internet como meio de articulação política, sacaneando os &#8220;revolucionários de facebook&#8221;. Mas <strong>negar a importância capital desse mundo de comunicação é querer ser cego</strong>. A<a href="http://virusplanetario.net/2011/10/16/ocupacao-de-wall-street-qual-e-o-verdadeiro-sonho-americano/"> praça Tahir e a ocupação de Wall Street</a>, para que as redes sociais tiveram importância capital, tão aí pra esfregar na cara dos céticos que a virtualidade também é material, e os movimentos sociais tradicionais precisam se apropriar dela. <strong>A internet hoje</strong>, além de lugar pra paquerar e jogar fazendinha, <strong>é um campo de disputa ideológica que nós precisamos disputar</strong>. Foi inclusive uma das nossas deliberações correr atrás de promover oficinas de blogagem pra militância &#8220;dinossaura&#8221; e pra juventude.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu aprendi um milhão de coisas nesse encontro, conheci um monte de gente bacana e tô animadassa. Nada como um sopro revolucionário no nosso rosto pra dar aquela revigorada e fazer querer seguir em frente. <strong>Temos muito contra que lutar, é verdade, mas também tem muita gente boa nesse mundo</strong>. E tenho a impressão de que não sou só eu que estou com esse óculos revolucionário na vista, mas que as crises também estão fazendo surgir muita movimentação interessante. Vamo que vamo, meu povo! Correr atrás do que eu quero, d<a href="http://blogueirasfeministas.com/2011/10/blogueira-feminista-2/">o que as blogueiras feministas querem</a>: igualdade.</p>
<div id="attachment_859" class="wp-caption aligncenter" style="width: 500px"><a href="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/10/gerau.jpg"><img class="size-full wp-image-859" title="gerau" src="http://oubarbarie.files.wordpress.com/2011/10/gerau.jpg?w=490&#038;h=367" alt="" width="490" height="367" /></a><p class="wp-caption-text">Algumas das mais de 400 blogueiras feministas.</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/oubarbarie.wordpress.com/844/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/oubarbarie.wordpress.com/844/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/oubarbarie.wordpress.com/844/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/oubarbarie.wordpress.com/844/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/oubarbarie.wordpress.com/844/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/oubarbarie.wordpress.com/844/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/oubarbarie.wordpress.com/844/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/oubarbarie.wordpress.com/844/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/oubarbarie.wordpress.com/844/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/oubarbarie.wordpress.com/844/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/oubarbarie.wordpress.com/844/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/oubarbarie.wordpress.com/844/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/oubarbarie.wordpress.com/844/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/oubarbarie.wordpress.com/844/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=oubarbarie.wordpress.com&amp;blog=9589604&amp;post=844&amp;subd=oubarbarie&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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