Ser romântico é ser heróico.
É heróico porque é um risco.
E deus sabe que ninguém mais quer correr risco nesse mundo.
Ninguém mais é heróico.
Ninguém mais “se declara”.
Na época da escola todo mundo se declarava.
- Ele se declarou pra ela hoje!
Ela mandou uma carta.
É coisa de criança, dizem,
sair assim, falando verdades profundas
e tão simples.
- Oi, você é bonito. Vamos dançar? Toma uma flor.
Dança, pega a flor,
Se quiser dá um beijo, se quiser fica mais.
Não quiser, vai embora, segue em frente.
Há outros beijos, outras flores a serem dançadas.
As pessoas crescem e esquecem de ser heróicas.
Não sei se por medo
ou se porque aprenderam a calcular.
Calculam risco, passos, olhares
Calculam lucro, ganho, resultado
Eu, que não sei matemática, fico perdida
e só sei o que aprendi na infância:
flor, dança
e sinceridade: objetiva e desmedida.
Se bem que ter crescido me ensinou
a tomar uns copos de coragem pra ajudar.
Porque eu cresci eu também tenho medo
- não mais aquele medo gostosinho
de quando que cê vai se declarar –
medo do cálculo, do resultado,
de quebrar a cara, medo do risco.
E deus sabe que ninguém mais quer correr risco nesse mundo.
E é por isso que é heróico arriscar.


ahhhhhhhh
que lindo!
=D
Eu sou, ou tento ser, heróica. Mas ser herói 30 dias por mês é difícil. À noite eu ainda tiro a fantasia e choro.
PS: gostei da cara nova.
Ser heróico só um dia no mês, um dia no ano, já é muita coisa, querida
Deus sabe que me arrisco. Mas os adultos se assustam, fica difícil. Ultimamente queria ganhar uma flor, acabei ganhando um pão de queijo.
Estava pensando nisso hoje e é a primeira vez que visito seu blog. Bom saber, me sinto menos só.
como que a gente responde a um poema?
não corra dos riscos
eles podem iluminar a sua vida
e a vida é de improviso
todo amor todo dia é um risco
“nunca é tarde….”
que beleza, Bárbara
heroísmo, essa coisa livresca, muito hormônio, olheira e tempo pela frente. eu tive os meus. mas é isso ou a morte. morte que dói nada, veste branco, assina carteira e enche barriga. meu segredo é torcer pelos bárbaros. os mais delicados. e que tragam fogo.
Vim novamente ler e comentar esse poema me sentindo um pouco mais heróica. Heróica por ter arriscado voar com aquela capa mágica imaginária que era só minha, feita de toalha velha, como quando somos crianças e amarramos em volta do pescoço antes de pular do alto mais alto do braço de um sofá. Heróica por ter tido coragem de jogar a toalha quando achei que era hora de aterrissar. Heróica por não temer as próximas horas de voo, mesmo sem capa. Sem medo da queda-livre no olho do outro, como já disse a Romã.
Obrigada por nos dar tua barbárie poética, mocinha. Muito delicioso ler e reler você.