Arquivos | novembro, 2011

Guest Post: Consciência Negra

22 nov

O guest post sobre o dia da consciência negra aqui no Ou Barbárie sai com um pequeno atraso porque eu deixei o pedido muito pra cima da hora. Mesmo assim, meu amigo Rael Fizson conseguiu rapidamente escrever esse texto forte, emocionante e, sobretudo, importante . O Rael é professor de História do estado do Rio, mestrando em História pela UFF, flamenguista e namorado da Lalá, psicanalista e minha BFF. Vamos ao texto!

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Ao contrário do que diz nosso senso comum, nem todos em nosso país são descendentes de africanos. Com o fim do comércio atlântico e o fim legal da escravidão, vieram medidas que proibiam a entrada de africanos (mesmo que livres!) e estimulavam a entrada de imigrantes europeus em solo brasileiro.  Durante o século XX, o desenvolvimento industrial, urbano, imigrações e migrações, tornaram o Brasil em muitíssimos aspectos completamente diferente dos séculos anteriores. Hoje encontramos muitas famílias que diferem do tipo ideal brasileiro inventado em meados do século XIX, mas consagrado por Gilberto Freire (a famosa mistura entre o negro, o índio e o europeu).

Ministro Joaquim Barbosa

Muita coisa mudou. Entretanto, uma das permanências históricas que podemos traçar com segurança é a relação entre classe social e cor de pele. Óbvio que, na prática, há sempre grupos e indivíduos que garantem a exceção. Podemos citar hoje um Pelé, um Joaquim Barbosa (ministro do STF). Lá no século, XIX, o maior comerciante luso-brasileiro de escravos era o rico e poderoso Francisco Felix de Souza, pardo e escravo até os 17 anos. Seja como for, o que interessa é que, para além das exceções que confirmam a regra, o que valia para o passado vale para os dias de hoje: a relação, o estereótipo, preto-pobre e rico-branco permanece. O “racismo científico” já não existe, mas o racismo, puro e simples, ainda está aí.

Falemos do racismo que até o início do século XX tinha o status de “científico”. Pois era a ciência que acreditava e difundia certas visões dos seres humanos divididos em raça, cada qual com suas características e devidamente hierarquizados: o branco no topo e o negro na base. Portanto, mesmo que nem todos os negros fossem escravos lá no passado (e nem todos eram) e nem todos sejam pobres nos dias de hoje, todos ficaram e ficam estigmatizados. Percebam a coloração das pessoas que trabalham num canteiro de obras qualquer e compare com a das pessoas que freqüentam um restaurante no Leblon. Logo se estabelece a tal relação entre cor e classe social. Condoleezza Rice (Secretaria de Estado americana no Governo Bush Jr., negra e conservadora, como só pode ser um alto funcionário daquele fatídico governo) teve a seguinte percepção da sociedade brasileira – um pouco esquematizada e superficial demais, eu sei, mas vale a pena:

 “Durante a visita eu me surpreendi com a divisão racial no Brasil. Os brasileiros sempre sustentaram que não têm problema racial. Pareceu-me que nos serviços braçais ficam os africanos (com a pele escura); nos serviços, os mulatos (birraciais); e os funcionários do governo têm ascendência europeia/portuguesa. O Brasil foi o país mais parecido com os Estados Unidos na sua composição étnica, mas parece ter tirado pouco proveito da revolução pelos direitos civis que mudou a face da política e da sociedade americanas.”

Consciência é “conhecimento”, é a “capacidade que o homem tem de conhecer valores e mandamentos morais e aplicá-los nas diferentes situações”. Portanto, creio que seria correto afirmar que ter “consciência negra” é ter conhecimento da história do negro no Brasil, da história das relações raciais em nosso país, das condições que essa parte da população brasileira esta submetida em nossos dias e aplicar tais conhecimentos para atingir o objetivo que qualquer pessoa com pensamento humanista tem: a libertação moral e material de homens e mulheres, a justiça social, econômica e política.

Os grandes jornais cariocas parecem ter ignorado solenemente o “Dia da Consciência Negra”. Olhando alguns sites, as referências são pouquíssimas e, de modo geral, são a festas, a shows, a “representantes da cultura negra”. Vemos na cobertura de nossa grande mídia duas tendências que representam bem certa visão difundida sobre o tema:

1) O racismo não é um problema no Brasil, politicamente não há o que se comentar. Por isso parece haver um grande silêncio sobre o “Dia da Consciência Negra” em geral e sobre a temática do negro no passado e no presente. Para que falar disso, né? Seria dividir o Brasil entre negros e brancos. Seria estimular uma divisão que não existe no Brasil, apenas nos EUA e na África do Sul, correto?

2) Falar de negro no Brasil é falar apenas de cultura (em seu sentido mais estrito, claro). Portanto, o Dia da Consciência Negra, para o status quo brasileiro, não é dia de reflexão, de conhecimento sobre o negro. Não é dia de Consciência. É dia de música e de acarajé. Isso me lembra aquela velha história: negro só pode ser artistas ou esportistas. Por que projetos sociais não buscam nas favelas engenheiros, médicos, arquitetos, historiadores, físicos? Absolutamente nada contra artistas e esportistas… mas o foco quase que absoluto nessas duas áreas expõe um pressuposto implícito de que pobre/negro só é capaz de se desenvolver se for para música ou para o esporte. Afinal, o “sangue africano” é propício ao swing, a improvisação, ao ritmo, ao gingado… não à disciplina, à racionalidade, não é mesmo?

Ter “consciência negra” é ter consciência da contribuição dos indivíduos de cor negra, na maior parte da história do Brasil sob os grilhões da escravidão, deram a este país. É ter consciência de que vivemos numa sociedade de classes e branca onde o dominado é, na maioria das vezes, pobre e preto. Onde essa dominação se dá também ao nível ideológico através de certa “ideologia do branqueamento” que ensinou ao negro, como já disse Malcolm X, a odiar seu cabelo, odiar sua pele, odiar seu nariz… a se odiar como pessoa, como negro! É ter consciência de que em nossa sociedade de classes a cor da pele exerce papel fundamental na hierarquização. A cor da pele impede ou garante a aquisição de determinado emprego, a cor da pele aumenta ou diminui as chances de ser parado numa blitz, de ser suspeito de um crime. “Só quem é cego não vê”.

Imagem de divulgação do Dia da Consciência Negra em Olinda – PE. Arte: Anizio Silva/Pref.Olinda

Aproveitemos o Dia da Consciência Negra para lembrar que o Brasil não é uma “Democracia Racial”, o racismo existe e há uma intrínseca relação entre classe social e cor de pele. Para se atingir objetivos como a distribuição de qualidade de vida e de poder é inaceitável deixarmos essa perspectiva de lado.

Vale citar duas pequenas frases/refrões que são grandes contribuições a temática, de Marcelo Yuka – músico, letrista e um dos grandes cronistas da sociedade carioca da década de 1990:

“Todo camburão tem um pouco de navio negreiro” & “A carne mais barata do mercado é a carne negra“.

101 anos de Rachel de Queiroz

18 nov

Ontem, dia 17 de novembro, Rachel de Queiroz faria 101 anos. Convidei minha querida amiga Natalia Guerellus, doutoranda em História Social pela UFF, pra fazer um guest post sobre ela aqui no Ou Barbárie. Natalia estuda Rachel há alguns anos e nos presenteou com esse texto maravilhoso. Deliciem-se!

*

Como membro da Academia Brasileira de Letras, Rachel de Queiroz foi velada a 04 de novembro de 2003 no Petit Trianon, situado no Centro do Rio de Janeiro. Teve morte calma e silenciosa aos 92 anos de idade, deitada na rede de seu apartamento no Leblon.

A data do velório coincidia com o 04 de novembro de 1977, data em que fora recebida na instituição carregando nas costas a importância de ser a primeira mulher a adentrar a tradicional Casa de Machado de Assis.

Ao longo do velório toma a palavra o acadêmico Alberto da Costa e Silva: “Cabe-me dizer o adeus em nome da Academia a Rachel de Queiroz. Como se fosse possível dizer adeus a Rachel de Queiroz”. E segue em tom de brincadeira: “Dela soube pela primeira vez nos distantes anos de 1937, ou 1938. Quando menino via minha mãe a ler O Quinze e a comentar com minha avó sobre aquela moça que rompia todas as convenções da pequenina e provinciana Fortaleza de minha infância e ia sozinha aos cafés e falava publicamente mal do governo”.

De fato, romper barreiras foi marca da trajetória biográfica de Rachel de Queiroz desde cedo: primeiro livro publicado aos dezenove anos; contemplada com o primeiro Prêmio Graça Aranha em 1931; dois casamentos em menos de dez anos e ainda na década de 1930 – lembrando que a lei que permitiu divórcio só foi aprovada décadas depois; membro do Partido Comunista e, posteriormente, de grupos trotskistas em São Paulo; tradutora de dezenas de romances; profissional das letras já nos anos 40; contratada por décadas pela José Olympio Editora; cronista exclusiva do O Cruzeiro; defensora polêmica da Revolução de 64; membro do Conselho Federal de Cultura desde sua fundação; representante do Brasil na ONU; mais de três mil crônicas publicadas ao longo da vida; intelectual ativa, amiga dos mais importantes nomes da cultura e da política brasileira do século XX. Ufa!

Mesmo com todo esse currículo, pouco se sabe ainda hoje sobre a trajetória da jovem jornalista e professora da Escola Normal de Fortaleza ainda nos idos dos anos 1920, antes mesmo da publicação de seu primeiro e mais conhecido romance, O Quinze (1930).

Somente com a comemoração do centenário de seu nascimento em 17 de novembro do ano passado, é que novas fontes foram descobertas e muitos documentos pessoais tem sido catalogados.

Comemoraríamos hoje os 101 anos de Rachel de Queiroz. Membro de uma tradicional família cearense, a escritora nunca escondeu a origem pertencente à linhagem dos Queiroz e dos Alencar, famílias de tradição revolucionária e intelectual.

A mãe, dona Clotilde, era uma exímia leitora de literatura nacional e internacional, assinava as Editions Plon e mantinha-se sempre informada sobre os novos escritores do Rio e de São Paulo. Machado era seu grande ídolo e passou para a filha o gosto refinado; deste escritor Rachel aprenderia muito bem, por exemplo, a utilizar o recurso da ironia.

O pai, Daniel de Queiroz, seguira a carreira jurídica, comum à elite de sua época. O trabalho possibilitou que, ainda pequena, Rachel conhecesse diferentes partes do país, como o próprio Ceará, Rio de Janeiro e Pará. Mas logo Daniel se viu insatisfeito com a prática jurídica, chegou a ensinar Geografia no Liceu até 1915 e, por fim, rendeu-se a sua grande paixão: o cuidado com a terra. Do pai, Rachel aprendeu as lições iniciais de história e geografia e as primeiras letras, além dessa mesma paixão pela terra que permaneceria uma das marcas registradas da escrita racheliana.

 Sendo assim, quando entrou para o Curso Normal do Colégio Imaculada Conceição aos dez anos de idade, os conhecimentos das áreas humanas já eram de seu completo domínio. Já Matemática e Ciências, nem pensar. O Curso Normal foi o modo de instrução formal que Rachel teve em vida.

Não por acaso, era uma das mais correntes formas de acesso à educação adotada pelas mulheres de sua época. Das poucas que sabiam ler e escrever nos anos 1930, não só em Fortaleza, mas também nas grandes capitais como Rio e São Paulo, a maior parte integrava a Escola Normal. Mesmo por isso, se profissionalizavam na área da educação, o que se adequava perfeitamente ao papel republicano da mulher cidadã.

Na escola, Rachel teve contato com as leituras típicas das mocinhas, como os livros da Bibliothèque Rose e alguns títulos que circulavam clandestinamente entre as alunas, sem que as freiras soubessem.

Mas, sob influência da mãe, muitas outras foram as leituras de Rachel de Queiroz por esta época, entre os treze e quinze anos. Em carta de 1924 à amiga de toda a vida, Alba Frota, escreveu a autora: “Ultimamente tenho lido muito. Estou me iniciando em romances; mamãe consentiu que eu lesse A Moreninha e Rosa, ambos de Macedo, conhece? Já estou muito adiantada em literatura, não achas? Quem d’antes só lia Histórias de Troncoso!”

Veja-se logo que o gosto refinado estava muito acima da média das moças de seu tempo. Talvez daí o salto dado para o jornalismo tenha sido uma opção não tão imprevisível. À mesma época, muitas outras mulheres já escreviam em periódicos e eram conhecidas em vários lugares do Brasil, como Maria Eugênia Celso, Maria Lacerda de Moura, Gilka Machado, Cecília Meireles e outras.

Conta a memória de Rachel que sua inserção oficial nos círculos literários da capital cearense deu-se por meio de uma carta sob o pseudônimo de Rita de Queluz, enviada à redação do jornal O Ceará. A carta escrita em vinte e sete de janeiro de 1927 referia-se ironicamente ao concurso Rainha dos Estudantes Cearenses, e dirigia-se à vencedora, Suzana de Alencar Guimarães, escritora local do jornal:

“Minha graciosa Majestade:

(…) Nada mais justo que o ato das classes estudiosas do Ceará, elegendo-a. Mas, agora que vais ter sobre a fronte o diadema real, pergunto-me se são de fato os parabéns que lhe devo dar. Não os acha mal cabidos, dada a atual desvalorização do sangue azul? (…) É por isso que avento a ideia de lhe mudarem o título: e em vez de ser chamada Sua Majestade Suzana I, Rainha dos Estudantes Cearenses, proclamem-na Chefe do Soviet Estudantal do Ceará

O engraçado é que a própria Rachel ganharia esse concurso no ano de 1930. Mas, ainda em 1927, não é à toa que a carta tenha feito tanto sucesso na redação de O Ceará. Além do tom jocoso e inteligente, articulando a idéia de majestade em plena década de 1920 e na vigência do regime republicano, Rita de Queluz atingiu o coração da redação.

Isto porque O Ceará fora fundado pouco tempo antes por Júlio de Matos Ibiapina, como expressão do chamado à época jornalismo independente, afastando-se dos periódicos mais partidários e opondo-se ferozmente aos periódicos católicos, como o O Nordeste.

Entre seus membros encontravam-se jornalistas empenhados em leituras socialistas, como Djacyr Menezes e Hyder Corrêa Lima, que viriam a ser amigos de Rachel. Foi nessa época que a autora afirma já ter entrado em contato com estas leituras, tendo sido já “comunizada”, antes do contato que teve em 1931 com o Partido Comunista propriamente dito.

A partir desta carta, Rachel foi chamada a participar do periódico, escrevendo crônicas e poemas para a coluna Jazz-Band e firmando contato com outros jornalistas importantes, além de começar a ganhar um ordenado razoável, de cem-mil réis por mês. Para o jornal também escreveu seu primeiro folhetim, História de um nome, que contava os caminhos percorridos pelo nome Rachel desde os antigos hebreus.

Em geral tratando de temas da época e referentes às questões regionais, os textos rachelianos deste período são os primeiros passos de uma escrita em formação. A jovem encontrou seu espaço ao ser admitida por um grupo de jornalistas e literatos que se preocupava em renovar a imprensa, incentivando a produção literária de homens e mulheres.

Rachel foi também uma das fundadoras em 1928 do jornal O Povo, de Demócrito Rocha e Paulo Sarasate. Na coluna Modernos e Passadistas divulgada aos sábados, publicou poemas, crônicas e mesmo críticas acerca das correntes modernistas em disputa nos anos 20, tendo lançado em 1929 um manifesto regionalista para a Revista Maracajá, suplemento literário do jornal. Também aí Rachel envolveu-se nas questões sociais, e travou diálogos com Lacerda de Moura em relação ao voto feminino.

Em 1930, O Povo foi o principal jornal a divulgar a venda do primeiro romance da jovem escritora: O Quinze, na Livraria Moraes por 6$000. A partir deste livro, a história do romance brasileiro sofreria benéficas inflexões.

Isto porque não só a literatura moderna estava em pauta, mas também a figura da mulher moderna, grande enigma para a sociedade brasileira de começos do século. Como uma mulher a romper as tradicionais barreiras sociais, Rachel de Queiroz juntou-se a muitas outras, mas caminhando cada vez mais na direção de sua autenticidade.

Ser romântico é ser heróico.

11 nov

Ser romântico é ser heróico.

É heróico porque é um risco.
E deus sabe que ninguém mais quer correr risco nesse mundo.

Ninguém mais é heróico.

Ninguém mais “se declara”.
Na época da escola todo mundo se declarava.
- Ele se declarou pra ela hoje!
Ela mandou uma carta.

É coisa de criança, dizem,
sair assim, falando verdades profundas
e tão simples.

- Oi, você é bonito. Vamos dançar? Toma uma flor.

Dança, pega a flor,
Se quiser dá um beijo, se quiser fica mais.
Não quiser, vai embora, segue em frente.
Há outros beijos, outras flores a serem dançadas.

As pessoas crescem e esquecem de ser heróicas.
Não sei se por medo
ou se porque aprenderam a calcular.

Calculam risco, passos, olhares
Calculam lucro, ganho, resultado

Eu, que não sei matemática, fico perdida
e só sei o que aprendi na infância:
flor, dança
e sinceridade: objetiva e desmedida.

Se bem que ter crescido me ensinou
a tomar uns copos de coragem pra ajudar.
Porque eu cresci eu também tenho medo
- não mais aquele medo gostosinho
de quando que cê vai se declarar –
medo do cálculo, do resultado,
de quebrar a cara, medo do risco.

E deus sabe que ninguém mais quer correr risco nesse mundo.
E é por isso que é heróico arriscar.

 

Poema recuperado de uma noite já disforme

8 nov

Esse gosto tão gostoso de achar um poema antigo perdido num caderno velho. Na época, não dei nada pelos rabiscos; hoje dei uma ajeitadinha neles e lá vai:

Enquanto espero o sono
nessa noite só e quente
eu me sento na platéia
frente à tela da minha mente
e assisto ao nosso sexo.

Não me reconheço
na mulher que morde os lábios.

Te procuro no homem afoito
e só te encontro no carinho
dos meus dedos no seu cabelo.

Há uma mulher que morde os lábios
na sua cama.
Me procuro na lascívia dela
e só me encontro no desespero.

Os corpos afoitos se abraçam
como pra se engolir um ao outro
como pra se perder um no outro
pra se desfalecer pelo outro.

É o desespero o que tempera
essa noite de lua nova.
É o que molda os músculos,
o que alimenta o fogo:

o desepero de vida
o desepero de vida

Pós-modernismo

4 nov

Fila da alfândega, território internacional
(que só não é terra de ninguém
porque é reino do capital,
com o perdão da rima fácil)

Minha vida está em curso
Self em trânsito
Alma em [(re)des]construção

Na fluidez dessa jornada,
Abandono um passado triste
E se o presente é ansiedade aflitiva,
O futuro são possibilidades a que me agarro

Na fluidez dessa jornada,
Me agarro no que ainda não chegou
E entrego o corpo a um precipício suposto

Fila da alfândega, free shop
Que eu atravesso pra chegar ao meu destino

Apreensão da alfândega: apreenderem-me
Mas eu não tenho nada, não trouxe nada
Eles não podem me prender
Na transição dessa jornada

Trânsito
Curso
Transição

- meu Deus, cadê a materialidade?

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