Arquivos | outubro, 2011

Encontro Nacional das Blogueiras Feministas e o otimismo na mala.

24 out

Mudei o layout, geeente! Brigada, Nessa Guedes, por me dar a dica simples, mas preciosa dos menus! =) Agora é vermelhou o curral, chalalalaláááá

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Como eu espero que alguns de vocês saibam, nesse fim de semana aconteceu no Instituto Rosa Luxembourg, em Pinheiros, São Paulo, o I Encontro Nacional das Blogueiras Feministas. O grupo, que nasceu como uma lista de e-mails para reunir o que pareciam ser as poucas feministas presentes na blogosfera, se desenvolveu e se afirmou, no encontro, como um coletivo político suprapartidário (mas de esquerda, tá? não sou eu quem fala, é a Simone de Beauvoir quem diz!) super plural e promissor.

“Promissor” não no sentido de que é ainda uma idéia promissora, porque nesse um ano, mesmo sem muitas de nós nos conhecermos pessoalmente – o que felizmente mudou -, o Blogueiras Feministas ganhou proporções muito bacanas e atuou pra caramba na luta pela igualdade de gênero. Eu não vou conseguir lembrar de tudo (me ajude quem puder), mas as diversas blogagens coletivas, a participação nas Marchas das Vadias em todo o país, a adesão à Frente Naciona de Luta contra a Criminalização da Mulher e pela Legalização do Aborto, o diálogo com Iriny Lopes e a SPM foram algumas das ações de sucesso citadas dessa nossa caminhada bonitona. A “promessa” está no grande otimismo que todas as participantes do encontro parecem ter levado na mala (incluo aqui as que não participaram presencialmente, mas que acompanharam por streaming), que nos deu um gás incrível pra criar novas estratégias de luta e aumentar o nosso raio de ação.

Pra mim, foi uma experiência completamente nova. Nunca havia participado de uma lista de e-mails que não fosse de algum grupo já consolidado na vida real – e certamente de nenhuma lista com essa dimensão (hoje somos cerca de 420 pessoas!). Embora já fosse claro que o Blogueiras não fosse mais simplesmente uma lista há muito tempo, foi só no encontro que caiu a minha ficha de que, caramba, esse é um coletivo político de fato. Muita gente menospreza a internet como meio de articulação política, sacaneando os “revolucionários de facebook”. Mas negar a importância capital desse mundo de comunicação é querer ser cego. A praça Tahir e a ocupação de Wall Street, para que as redes sociais tiveram importância capital, tão aí pra esfregar na cara dos céticos que a virtualidade também é material, e os movimentos sociais tradicionais precisam se apropriar dela. A internet hoje, além de lugar pra paquerar e jogar fazendinha, é um campo de disputa ideológica que nós precisamos disputar. Foi inclusive uma das nossas deliberações correr atrás de promover oficinas de blogagem pra militância “dinossaura” e pra juventude.

Eu aprendi um milhão de coisas nesse encontro, conheci um monte de gente bacana e tô animadassa. Nada como um sopro revolucionário no nosso rosto pra dar aquela revigorada e fazer querer seguir em frente. Temos muito contra que lutar, é verdade, mas também tem muita gente boa nesse mundo. E tenho a impressão de que não sou só eu que estou com esse óculos revolucionário na vista, mas que as crises também estão fazendo surgir muita movimentação interessante. Vamo que vamo, meu povo! Correr atrás do que eu quero, do que as blogueiras feministas querem: igualdade.

Algumas das mais de 400 blogueiras feministas.

Música Sensual Brasileira

22 out

Esse é um post que não tem nada ver com nenhum outro do blog inteiro e, tecnicamente, nem com o que o blog se propõe a fazer. Mas… e daí? O blog é meu, faço o que eu quiser com ele! #donodabolafeelings

Então eu tava esperando o sono chegar e, como ele aparentemente ficou preso no trânsito, resolvi fazer uma lista com 10 músicas sexies da MPB. 1) Não são AS dez músicas MAIS sexies, são as 10 músicas sexies que eu lembrei. 2) Certamente eu esqueci de várias excelentes, e é por isso que vocês vão me ajudar lembrando-as na caixa de comentários ali embaixo!

1. Sentidos – Zélia Duncan

Não precisa comentar muito essa, né? Mas eu vou comentar mesmo assim.
Essa música pra mim é demais porque é extremamente poética. E adoro a crueza do “quero os seus poros na minha pele explodindo de calor”. Sem frescura.

2. Mapa do meu nada – Cássia Eller

O “Você deduz”/”Você é dedos” já conquista no primeiro verso.
Também curto a argumentação narcisista: “não sou desses homens”, dig din dig din (menção honrosa aos Avassaladores, hehe).

3. Luz dos olhos – Nando Reis

Essa eu hesitei em botar, muito porque Nando Reis é o cara das músicas meiguinhas. Mas acabou ganhando lugar na lista por dois motivos: 1) Eu precisava completar 10 e não conseguir lembrar de nenhuma outra e 2) “Pinta os lábios para escrever a sua boca em minha” é uma coisa LINDA de morrer.

4. Fullgás – Marina Lima

“Marina Lima é sempre sexy”, disse minha amiga Camila quando eu pedi sugestões pra essa lista. Certa está ela.

5. Dois pra lá, dois pra cá – Elis Regina

Aí o público juvenil pensa: “ããihhnn, que bréégããã”. Pra quem pensou isso, penitenciai-vos! Primeiro porque bolero por si só já é sexy – não, não são só os velhinhos da terceira idade que dançam! Nada como dançar um bolero apaixonadamente. Seus bobos! E essa letra, que beira (ou ultrapassa?) a linha do cafona é pura paixão. Adoro como ela pronuncia “band aid”  nessa música (sim, uma música que fala sobre band aid pode ser sensual! hehe)

6. Sem Fantasia – Chico Buarque

Muito difícil escolher entre as músicas do Chico. E do Caetano também. Aí fiquei com essa versão, que tem os dois, olha que prático.
“Vem, mas vem sem fantasia” = Vamos direto ao ponto. Já tô indo, Chico!!!

7. Pedra, Flor e Espinho – Barão Vermelho

A letra dessa música é bastante “óbvia” no nosso assunto, mas o diferencial dela, eu acho, é esse arranjo. Esse violão da abertura, super intenso, já diz a que a música veio.

8. Deixa eu te amar – Diogo Nogueira

Aí você pode dizer “pô, Diogo Nogueira?! Mó juvena na lista super clássica!”. E eu te respondo: Essa música me dá calores. Em parte justamente porque é o Diogo Nogueira cantando. E, ah, vai, por mais homem hétero que você seja, não dá pra negar que essa música tem um belo (ai, meu coração!) de um apelo.

9. Disritmia – Martinho da Vila (aqui, com Casuarina)

Pra quem curte a voz bêbada do Martinho, desculpem. É que essa voz profunda do João mexe com meu coração leviano. Mas todos os méritos ao autor dessa letra incrível. Nem tem trecho a destacar, na boa. Deliciem-se.

10. Como dois animais – Alceu Valença

Juro que tô tentando pensar numa música brasileira mais sexy que essa e não tô conseguindo. Esse instrumental, essa letra, o fato de ser um forró… E o fato de ser uma música do Alceu Valença, com essa poesia louquinha característica dele, fazem o conjunto uma coisa fenomenal.

Dia dos professores.

15 out

Dia dos professores. Um dia para lembrarmos de todos os mestres que marcaram nossas vidas, aqueles que realmente fizeram a diferença na nossa formação. Pessoas incríveis, maravilhosas, questionadoras, pessoas que nos fazem refletir criticamente sobre coisas que jamais tínhamos pensado. Hoje é dia de agradecer, abraçar e prestar homenagens a esses professores, e também a categoria de professor, em geral. Afinal, a educação é talvez a coisa mais fundamental da nossa sociedade. É a educação que forma as gerações futuras, é através dela que se engendra a possibilidade de um futuro melhor do que esse presente que, convenhamos, não está nada bacana.

Dia do professor. Todo mundo concorda que a educação é a coisa mais importante do mundo. E o professor aparece como o grande protagonista nessa história. Você é professor? Parabéns. Parabéns pelos serviços fundamentais prestados à sociedade.

Ih… Peraí. Não entendi. Como é que pode ser consenso que a educação é a coisa mais importante, mais maravilhosa, mais fundamental dentre todas as coisas e, ao mesmo tempo, a educação ser tratada assim? Não entendi. Vai ver que o professor tem que ser um mártir. Professor tem que ser super-herói, afinal é ele que vai resgatar a nossa sociedade do caos com os super poderes da educação. E pra acrescentar ainda mais honra a essa equação, ele é um super herói marginalizado! Ele salva a vida e o mundo sem nenhum reconhecimento (além dos parabéns no dia 15 e das declarações no horário político de como educação é tudo), ganhando um salário irrisório, sem condições dignas de trabalho, sem infra-estrutura… E, é claro, sem respeito aos seus direitos políticos e – pasmem! - aos seus direitos humanos. Professor que quer condição digna de trabalho é agraciado com bomba de efeito moral. Professor que quer uma educação pública de qualidade e que, por isso, se nega a permitir a mercantilização da educação, é recompensado com perseguição política, violência psicológica e, se tiver sorte, violência física também.



Então, parabéns. Parabéns pra você que é professor e que luta. E não, professor não é pra ser mártir, não é pra ser super-herói, não é pra sacrificar sua vida em prol do Bem Maior. Professor é pra educar. E, numa sociedade em que a sua profissão representa uma ameaça direta ao sistema – e é por isso que eu a escolhi -, professor é pra lutar. Sim, porque ou você luta por mudanças, por condições dignas de trabalho e de vida, por uma educação que cumpra de fato seu papel social (e isso só é possível se ela for pública e de qualidade, na minha humilde opinião), ou você que muda de profissão. Ou ainda adota uma terceira via: se resignar, se amargurar com a sala de aula e se tornar essa sombra triste que tantos professores promissores acabaram condenados a ser.

E pra você que não é professor, fica o convite à reflexão e também – e principalmente – a ação. Professores sozinhos não fazem verão. A luta e a pressão tem que vir de toda a sociedade. Mas isso deveria ser fácil, se é consenso que a educação é a coisa mais importante do universo né? Deveria…

Desgosto

5 out

Desgosto é uma palavra imprecisa.
Esse prefixo está errado, desgosto não é o reverso do gosto.
Desgosto tem sabor e é amargo.

“Eu nunca superei realmente nenhum dos meus relacionamentos”, disse Julie Delpy em Antes do pôr-do-sol. Ou alguma coisa por aí. Eu sei que, ao que parece, cada vez mais vai ficando difícil de acreditar realmente no amor. Eu ouço as canções de amor e acho-as ingênuas. E é triste, é triste isso de achar amar ingênuo. No sentido de “bobinho, mal sabe ele da realidade das coisas”.

Desgosto. É a palavra mais precisa pra definir o que eu sinto
e é uma palavra imprecisa.

Ele vai e volta enquanto a gente se distrai. A grande distração é se apaixonar de novo. Eu não me apaixonei, só há pequenas distrações. E aquelas velhas referências de sentido – de sentidos: tato, cheiro, gosto.

Desgosto.

Discurso de oradora da formatura da turma de 1.2011 – História UFF

4 out

A universidade é um período muito interessante da nossa vida. Que a gente cresce, vai se adultizando, mas que também é o auge da juventude. As maiores loucuras, as melhores aventuras e ao mesmo tempo, o descobrimento – ou melhor, a escolha – do que diabos você vai fazer com a sua vida. Todo mundo acha que ser estudante universitário é mole. “Aproveita!”, eles nos dizem. Mal sabem eles do delicado equilíbro que temos que segurar, como se fosse uma bandeja com uma garrafa em cima (de Itaipava, que é mais barato). Ao mesmo tempo que nós temos que cumprir a tarefa de sermos jovens, de sermos livres, de sermos tudo que todo mundo tem saudade de ser, temos que começar a construir as nossas vidas. É um equilíbrio delicadíssimo, que um dia chega ao pico: o dia da formatura. Tudo bem, todo mundo feliz, já entregou a monografia… Mas agora começa a vida. Agora não dá mais pra adiar, começou. E aí, meu amigo, é desespero total. Quem não sentiu, quem não sente aquela ansiedade da incerteza, da vida inteira pela frente, pra que acabaram de dar a largada? Talvez fosse mais tranqüilo se você tivesse feito Direito, já era efetivado no escritório ou então tinha passado num concurso e… Provavelmente a sua família inteira já te falou isso, então não vou falar de novo. Aliás, eu vou falar muito pelo contrário. Vou falar pros pais: Pais, a gente fez História. A gente se formou em História. Eu não sou mais só o revolucionariozinho nos almoços de domingo em família, eu sou um revolucionariozinho formado em História. E sabe o que eu vou fazer com isso? Sabe? Tem gente que ainda não sabe responder essa pergunta, é verdade. Mas acho que muitos sabem. É difícil entrar e sair da História e não se tornar professor.

Reza a lenda que a gente sai cheio de sonhos transformadores da licenciatura e logo, logo se decepciona no exercício do magistério. “Reza a lenda” nada, eu já li isso em uma porção de textos e já ouvi de muitas bocas. Mas eu espero profundamente que não. Eu espero profundamente que a gente consiga encarar a realidade de frente, dê um tropeço ou outro, mas que possamos transpor toda a dificuldade ainda carregando no coração os nossos sonhos. O caminho da História não é um dos mais fáceis de todos. É um dos mais difíceis, mas também é um dos mais bonitos. E é por isso que a sua família deve se orgulhar de você não ter feito Direito (se alguém tiver feito Direito, sem ofensas). Numa simplificação grosseira, eu posso afirmar que História é o estudo das transformações no tempo. A disciplina da História tem a ver intimamente com a palavra transformação. E não importa o que certos Fukuyamas da vida possam ter dito, a História não acabou, e o presente é um momento histórico passível de transformação. Só que transformação, meus amigos, só se faz com sonho. E, pra nossa sorte, sonho é a especialidade máxima da juventude. Independente do caminho que cada um escolha daqui pra frente, estamos formados em História. E isso significa que não importa o quanto o presente pareça engessado, o quanto o mundo pareça triste… Como disse o poeta russo Maiakowski, “o mar da História é agitado” e havemos de atravessá-lo, cortando as ondas, se continuarmos tendo como combustível nossos sonhos.

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